Lá fora chove como se o mundo fosse acabar amanhã
mas a única coisa que realmente acaba
são os sonhos estéreis dos homens de imaginação fértil.
E eu já deixei de lamber o teu rosto à procura de provar o que sentes.
Não olhes assim para mim,
a culpa nunca morre solteira apesar de ir sempre sozinha a enterrar.
E eu também me desencantei,
contudo,
com todos,
contigo.
E só receio mesmo olhar também
e encontrar-me perdido no teu olhar
algures nesses olhos que são anzois aguçados
tenazes como sempre no ferrolho torpe
presos nas linhas das lágrimas
que me arrastam para a margem
de volta...
não me olhes assim.
de João Natal
30/01/06

wish to drown
Copyright © 2005 by Natalie Shau
Hoje a noite reclamou estrelas
Luas e oceanos de saudade
Com sentir e dor
Hoje chorei pétalas de amor,
Lembranças de uma flor.
de Sérgio Pereira
(um poema pequeno mas cheio de beleza... obrigado Sérgio, postarei o resto da tua poesia à medida que o tempo me permitir... um abraço)

Sereno
Copyright © 2005 by Nuno Peixoto Branco
Hoje a revolta toma conta de mim
Estou cansada
Cansada de tantas injustiças
Preciso dizer isto que sinto
Penso melhor e calo-me
Mas hoje não posso … não posso mais
Preciso dizer tudo o que sinto
Tudo o que me vai na alma,
O que me aperta o coração.
Preciso gritar até ficar sem voz
Estou cansada de guardar tudo
Estou a ser injusta?
Calo-me.
Mas…
Preciso gritar para me fazer ouvir
Será que consigo?
Penso melhor…
Talvez gritar não seja solução.
Ninguém me vai ouvir.
Calo a minha voz
Grita a minha alma.
de Ana Cunha
(e que a poesia nunca se cale na caneta da Ana... obrigado pelo poema e ficarei à espera de mais material teu)

untitled by Rene Asmussen
copyright of the photographer
“ – Olá!” Disseste.
Como uma expressão materna,
de aconchego,
de pertença...
“ – Olá!” Retorqui rendido
E a minha vida mudou nesse dia,
Quando me sentei a teu lado e descobri a vida.
Nos momentos serenos desse pôr-do-sol
Os vultos horrendos e disformes das outras pessoas
Já não me incomodavam mais,
Nem os via cego na tua contemplação
Eram pormenores insignificantes na imensidão da paisagem
Era gralhas num texto demasiado bonito para deixar de se ler
Eram nada
Nada valiam
Nada importavam
Só tu
No teu cabelo de luz
No teu sorriso de céu
No teu livro velho de poesia
Que leste a meu lado
de João Natal
(feliz dia 26 amor...)

Abrir os olhos ao amanhecer torna-se cada dia mais difícil.
Não encontro forças para lutar contra minha fraqueza.
Uma velha bíblia na mão e uma pistola automática na outra.
O retrato da decadência do homem.
Não passo de um trapo humano lutando pela vida no inferno.
O velho Sancho a vangloriar minhas aventuras imaginaria.
A falsidade intrínseca em cada amizade em cada palavra disparada,
Em cada momento, em cada sentimento a cada passo.
Tudo isso tem me deixado por demasiado cansado.
Esta noite meu sono foi agitado por sonhos mil.
No pior deles sonhei com a realidade,
Em que jaz um anjo velado por uma criatura das trevas.
O pavor lotou minha alma.
Agora possuído por um impulso sobre humano e homicida.
Pensamento nefasto. Preciso eliminar a fonte dos sonhos!
por Antonio Kovalski Junior
(um texto negro e sombrio vindo do outro lado do mar, abraço para todos os clientes brasileiros)

III MILLENNIUM by Luis Royo
copyright of the artist
Adormeces... não sentes os pés e o céu pesa-te nos olhos, assim podemos concluir que és um pássaro que não pode voar porque tem os olhos pesados. É legitimo perguntar porque tem um pássaro os olhos pesados? Podia responder de diferentes maneiras: que saio da discoteca ás 6 da manha, que se envolveu numa briga de ciganos e foi detido pela polícia, que tinha fome e foi á padaria comer pão quente e ficou á conversa com o ardina. O senhor sério, dizendo melhor o senhor importante bate os punhos na mesa e exclama! Pássaros não vão á padaria comprar pão, não se envolvem em briga de ciganos, mas se eu conseguir um cargo politico, os bichos pacíficos e submissos nascidos no território e menores de 18 anos podem votar o senhor importante abriu a janela e viu um pássaro pobre. E vocês perguntam como sabia ele que era um pássaro pobre? Seria porque voava baixo, porque trazia um jornal desportivo debaixo da asa e deixava cair tremoços do bico. O pássaro poisou na janela do escritório, parece que chegou tarde ao ninho e a pardaleca sua companheira disse que ele fosse pedir trabalho ou que pediria o divórcio pois não queria alimentar vagabundos. O senhor importante e patrão de uma fábrica não podia empregar um pássaro que andava em briga de ciganos, que se enfiava nas discotecas e que para mais fugia ás responsabilidades de pai de família. Um pássaro alcoólico era mau para a reputação da fábrica. O pássaro prometeu mudar as penas e vestir as penas do bicho homem e prometeu por os pés assentes na terra e ter os sonhos normais de toda a gente e não se meter mais em discotecas cheias de fumo nem em brigas fossem de que naturezas fossem. Mas nada disto foi possível, a paixão se dá cabo da cabeça dos homens imaginasse o que não fará á cabeça dos pássaros que sempre andam nas nuvens. Agora os filhos é uma pobreza de fazer cair as penas do coração, a pardaleca não se aguentando com baixo salário anda fazendo bicos pelas avenidas e o pássaro anda a bater com a cabeça por uma loira oxigenada que era cabeleireira em Lisboa.
de Lobo
(e que melhor maneira de regressar aos posts de que com um texto sublime como o amigo Lobo já nos habituou... e uma foto da Marília a tornar tudo perfeito!)

by marília campos
copyright of the photographer
O café está de luto.
Na quarta-feira estive em Lisboa para o funeral do Marco.
O Marco foi um marco na vida de toda a gente que teve a sorte de o conhecer. Ele nasceu com uma doença rara, conhecida como Cornelia de Lange, e essa particularidade condicionou alguns aspectos da sua vida, mas em contrapartida fez com que inspirasse toda uma imensidão de coisas positivas que a sua presença e a de outros miúdos lindos como ele precisavam. Os pais são um exemplo disso, dois combatentes incansáveis pelos direitos e bem-estar de todos os afectados com doenças raras.
O Marco faleceu, mas a sua tarefa aqui neste mundo já estava cumprida. Ironicamente no mesmo dia era lançada pela mãe, Paula Costa, presidente da Raríssimas, na companhia do Júlio Isidro, a primeira pedra da Casa dos Marcos, uma casa para acolher todos os miúdos portadores de doenças raras, a primeira em todo o mundo. Eu gosto de pensar que o Marco foi um anjo que Deus nos enviou, com a tarefa de nos engrandecer enquanto pessoas, levando-nos a superarmo-nos e a realizar coisas positivas para um amanha melhor, foi este o caso.
Para ti Marco, um grande abraço e os meus votos de uma boa e tranquila viagem. As pais, Nelson e Paula... um abraço igualmente grande e amigo e a promessa que poderão sempre contar com as minhas mãos nas muitas tarefas que ainda há seguramente a realizar.
Nas sábias palavras do sacerdote que realizou a cerimónia de despedida: "não choremos lágrimas de infelicidade, apenas lágrimas de amor por alguém querido que partiu e de quem vamos ter saudade."

Obras feitas e Café reaberto...
Daqui a pouco já o primeiro post de 2006 no novo formato, espero que gostem do novo visual.

Caros amigos:
problemas com a internet + falta de tempo + mudanças de template
Peço-vos imensa desculpa mas o café estará fechado nos próximos dias.
Reabrimos o mais depressa possivel.
Um grande abraço a todos e um até já.
Nuno Peixoto Branco
Sonho contigo em pijama vermelho profundo,
enrolado numa manta quente côr de neve.
E eu, oh...nua em fente ao teu mundo
esperando a prenda imaginada, leve;
Mostras-te e sorris-me em tons de azul,
escuro como a noite fria que o fogo apaga.
Entrego-me e sorrio breve, quase vaga,
e descubro asas num vento quente, de sul...
Acordo fora de mim, sonhando ainda, sobressaltada!
Não te esperava cedo, nesta Madrugada...
E de olhos contentes e alma alada,
aguardo na chaminé a mais desejada
prenda que aguardo encantada!
Chegas, então, na noite escura,
abraças-me por fora, sinto-me tua.
E agradeço ao vento nesta noite pura,
pelo amor, pela certeza que dura...
No Natal o milagre acontece, perdura...
de Estela Ribeiro.
26/12/2005
(obrigado amiga por este belo poema... desculpa o atraso na publicação, mas Natal é sempre que o poeta quiser. :-)... e assim termina o ciclo de poesia Natalicia, espero nos próximos dias conseguir fazer a já habitual remodelação de ano novo no aspecto do blog, peço paciencia... abraço grande a todos!)

Merry Xmas
Copyright © 2005 by Nuno Peixoto Branco