março 30, 2006

Um dia talvez eu chova

Um dia talvez eu chova
e as flores quebrem no ar
o coração dos outros.

A lua entretanto que se entregue
porque dela já caem nuvens...

Corajosamente vejo nas àrvores alguma morte
quando as prendo no meu corpo.


de Lúcia Rodrigues

(e que bela maneira de estreares aqui Lúcia, obrigado por este poema tão lindo que podem encontrar no livro já editado e que se chama precisamente "Um dia talvez eu chova")

Flower Shower by Cainha
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Publicado por D_Quixote em 01:01 AM | Comentários (4)

março 28, 2006

Lá fora

Lá fora o sol chora
E chora por nós
Lágrimas de chuva
Pelo amanhã que demora
Ou por apenas estarmos sós
Dentro de mim o frio invade
A raiva no meu desejo
Não sei se é sonho ou vontade
Do sabor do sonho do teu beijo
O dia parece rasgar
Uma aura de tristeza
Que em mim vejo formar
E cair na mesma incerteza
Se amanha me vais amar
Lá fora o sol agarra
O sorriso do entardecer
E minha vida em ti amarra
Toda a vontade de viver

de Teófilo Pinto

(mais uma poesia grande deste poeta enorme... obrigado Teófilo por continuares a sentir e a escrever assim)

traveling solo by Lars Raun
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Publicado por D_Quixote em 07:35 PM | Comentários (4)

março 26, 2006

Amnésia

Quero ter amnésia
Quero parar de pensar!
Chega de reflexões!
Preciso de um sério problema de esquecimento.

Quero te apagar da minha mente
Quero te arrancar do meu coração
Quero te jogar na rua
E denunciar como tens me cativado
Apresentar a todos
Essas cadeias sobre meu peito
Minha cabeça
Meus pulsos
Meus olhos
Todo o meu pensar.

Tu tens tomado meus pensamentos
Minhas lembranças
Agora tudo que tenho, lembra você
Minha falta de força
Minha insegurança,
Meu amor!

Quero aniquilar teu sorriso que me martiriza
Quero esquecer tua voz que me tira a paz
Quero matar esse sentimento em forma de suplício

De uma vez dizer Adeus
Deixando todo tipo de memória secar ao sol
Junto com minhas lágrimas sinceras e sofridas
E hoje, quem sabe esquecidas.

Chega de pensar
Vou provocar essa amnésia na minha mente
Vou fechar os olhos para tudo aquilo que é teu.
Mesmo que isso inclua o meu próprio eu!


de Marta Silva

(mais um poema fantástico da Martinha... que começa a ver o seu talento reconhecido no Brasil. Os meus parabens e um obrigado grande por toda a poesia que envias)

constante by Marta Silva
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Publicado por D_Quixote em 12:59 PM | Comentários (5)

março 24, 2006

Sono

Quase me deito e quase sono
O quase que se apoderou de mim
Há quanto tempo não parava assim
Deste lado da fronteira
A olhar o rio
Tudo parece um desmaio
E só o sopro da brisa, ligeira
Que se passeia no meu ouvido
Ou uma outra gota. De água.
Que se solta no embate de uma pedra
E me salpica o rosto cansado
Contemplativo
De tudo o que não faz frente
E que eu quase esqueço
Quase sono

de Rita Tramp

(mais um texto lindo teu... tens uma maneira unica de escrever, espero que nunca mudes isso)

kat by Rita Tramp
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Publicado por D_Quixote em 01:40 AM | Comentários (2)

março 22, 2006

Dezembro 31

O ano despede-se. Sem pressas. O lento passar das horas lembra o adeus de dois amantes numa manhã de Setembro. O beijo que se prolonga e se repete. O abraço apertado, a acumular todos aqueles que a distância impedirá de nascerem. O voltar atrás para mais um beijo. E ainda mais um abraço. Ali junto à lareira, é 31 de Dezembro. E o correr arrastado do tempo é apenas uma ilusão criada pelo calor das labaredas. Nesta passagem de ano, as passas do costume são outras quase tão naturais. Os trajes mais ou menos de gala dão lugar a roupas quentes. Os especiais televisivos, esses estão desligados da corrente para que se oiça um som dançável mas triste. Num dos sofás kitsch lê-se uma obra com morte estampada no título. Uma história imaginada por um homem velho, que insiste em escrever sobre a vida. Noutro dos cadeirões com cheiro a mofo, sonha-se. Pelo menos, assim fazem crer os olhos cerrados, talvez desmentidos por uma expressão quase dolorosa. Junto à mesa, move-se um corpo. Em gestos leves e precisos, ensaiados para enganar a ausência de par. Não muito longe, num canto da sala, fazem-se planos de regresso a casa ao sabor de um cigarro enrolado à mão. Ali, junto à lareira, Dezembro termina. Sem que sequer se dê por isso.

de Alexandra Gil

(mais um pedaço de sonho que escreveste para nós, obrigado Alexandra, aos poucos "já começas a fazer parte da casa")

Arder Sereno
Copyright © 2005 by Nuno Peixoto Branco

Publicado por D_Quixote em 12:53 AM | Comentários (2)

março 21, 2006

Ao meu Amor

Lá fora chove. Enrolada nos lençóis fecho os olhos e deixo o meu pensamento vaguear ao acaso como se não lhe conhecesse o destino… vai até ti. Corre sempre para ti!
E falo contigo, baixinho, numa linguagem que apenas o meu coração consegue escutar. Acordada no escuro consigo sentir as lanças do teu olhar negro a espetarem o meu corpo uma e outra vez até trespassarem a minha alma. Por onde andas? Que é feito de ti?
Estendo os braços para o vazio, mas os meus dedos conseguem tocar cada recanto do teu rosto, cada milímetro da pele que foi minha…até consigo ajudar o vento a desmanchar os teus caracóis, como naquele dia em Moledo…
Não estou sozinha! Ao partir deixas-te uma parte de ti. Estás comigo! O teu rasto faz-me companhia. E vou-me aninhando nos teus baraços! Saboreio os teus beijos e sinto as tuas mãos percorrerem o meu corpo. E juro, juras-me que vamos ficar assim para sempre. E ficamos amor! Separados por quilómetros, separados pelo tempo e pelo desespero, mas continuamos assim colados um ao outro… juntos…
Estás na minha mente, no meu peito, em cada gota do sangue que percorre as minhas veias. Continuas deitado ao meu lado, sorris para mim! E, por momentos, esqueço-me que não sei por onde andas, com quem falas, a quem te dás… porque estás aqui e sorris…
O lado esquerdo da minha cama está frio e vazio… o cheiro a avelãs do teu perfume não inunda o ar, mas estamos de novo em Moledo, e sorris, no escuro hás-de sorrir sempre para mim!

de Cristina Mesquita

(perfeito... em dias assim de chuva, um texto como este é uma caneca de chocolate quente que aquece a alma... obrigado Cristina por mais um texto fantastico)

Somewere Out There
Copyright © 2005 by Nuno Peixoto Branco

Publicado por D_Quixote em 12:55 AM | Comentários (4)

março 17, 2006

Si tu no estas aqui

Não há nada que me faça dormir hoje. Desisto de lutar contra as evidências. Acendo um cigarro e escrevo numa tentativa absurda de aproximação.
"No quiero estar sin ti, si tu no estas aqui me sobra el aire"
Eu não te queria. Eu não te queria sequer! Que direito tinhas de quebrar todas as barreiras? De invadir todos os espaços e depois de os fazeres teus, deixares-me aqui sozinha? Dou por mim a odiar-te, a agarrar-me a todas as coisas más e torná-las ainda maiores. E consigo por momentos, uns instantes pequenos, até regressares de novo, tu a quem me rendi desde o início. E essa recordação é mais forte do que eu. Ou tu és, porque voltas ainda com mais força.
"No quiero estar asi, si tu no estas la gente se hace nadie"
Eram tantas as certezas. Envolvi-me em cada gesto de ternura, em todas as palavras imensas que proferias, fiquei sem argumentos perante esse jeito sereno e seguro. E acreditei... Disseste-me um dia que só te sentias tranquilo quando eu estava nos teus braços. Que só assim não te preocupavas se estava bem ou não. Pergunto-te então, onde estas tu agora? Agora que preciso, que me dói. Ondes estás tu agora que sei, que só nos teus braços me sentia bem assim?
"Derramare mis sueños, si algún día no te tengo, lo mas grande se hará lo mas pequeño"
Dou por mim a encontrar-te em todo o lado. A toda a hora. Em qualquer lugar. "Vejo-te" nos carros idênticos que passam, em pequenos pormenores de outros que me recordam os teus, no cheiro do gel de banho que usas e eu também, nas músicas que oiço e me falam de ti. Nesta maldita música que me acompanha enquanto escrevo e que oiço até a exaustão. Dou por mim à espera. Toca o telemóvel e penso que és tu, nas mensagens que recebo, espero pela tua. Afinal, tens que ser tu. Só podes ser tu. Mas não és. Nunca és. E dói.
"paseare en un cielo sin estrellas esta vez, tratando de entender quien hizo un infierno el paraíso"
E depois tento, eu juro que tento, viver um dia a dia normal, tento sorrir, fazer sorrir alguém, tento continuar e não pensar em ti, porque tudo passa, é o que dizem e eu sei que tudo passa. E tento não pensar em ti. Contudo penso. E em determinada altura já não quero saber que tudo passa, porque a única coisa que quero, é que tu fiques! E no entanto sei que não há nada que possa fazer. Porque tu não estás. Nem vais estar. Sei que tenho que aceitar porque os sentimentos não se pedem nem se obrigam. Eu sei. Mas em determinado momento, já não me interessa o que sei. E se adiantasse eu pedia. Revirava este mundo para te ter aqui agora. Implorava. Dizia-te com as lágrimas nos olhos, volta amor, volta...
"Si tu no estas aquí sabrás, Que dios no va a entender por que te vas"
De, Mi

de Ana Almeida

(que belo texto aqui temos, obrigado Ana por nos aqueceres este dia de chuva... café quente a sair)


Tango for two
Copyright © 2003 by Filippo M. Caroti

Publicado por D_Quixote em 04:08 PM | Comentários (7)

março 15, 2006

SAUDADES

Saudades são como pulgas
Nada as mata
Persistem só numa cidade
Voltam quando pensas
Que já mataste todas

Saudades das coisas
Saudades das pessoas
Saudades das saudades

Saudades das luzes duma cidade
Saudades dos poemas que nunca escrevi
Saudades das pessoas que nunca conheci

E que, mesmo assim, desaparecem da minha memória

Saudades das coisas que não fizemos juntos
Saudades dos sonhos que não me pertencem

dos silêncios, das palavras nunca ditas
das proximidades imaginadas
dos olhares sonhados
dos mares e continentes na tua boca
da minha loucura
de ti que não me conheces
e nunca me amaste

Obrigado,


de Dean Trdak

(a poesia é assim. faz uma homem croata escrever em português a paixão por Lisboa... e ainda bem que é assim... abraço Dean, espero que continues a escrever pois escreves muito bem.)

25 Abril
Copyright © 2005 by Andre Viegas

Publicado por D_Quixote em 12:54 AM | Comentários (2)

março 13, 2006

Semana da Epilepsia 2006

Começou este Sabado com a Assembleia Geral Constituinte, e prolongou-se durante a tarde com eventos na Praça D. João I, onde tivemos rancho, danças brasileiras, um grupo coral, fado e o nosso simbolo desenhado com 3000 velas no meio da praça, foi lindo e a atenção foi conseguida, sobretudo porque já na sexta de manhã tinhamos estado presentes da Praça da Alegria, na RTP.

Hoje foi dia de visitar o museu do carro eléctrico e de viajar num eléctrico, espalhando alegria, folhetos, balões e informação sobre a EPI e a Epilepsia.

Segue-se amanhã a peça de teatro "Brainstorm" no auditório do museu Soares dos Reis, às 21:30 horas.

Na terça feira haverá uma visita à Estação Litoral da Aguda às 15:00 e uma serenata académica, com tunas, nas escadas da igreja de Sto. Idelfonso, Batalha, igualmente com alegria, informação e luz de velas às 21:00h.

Na quarta feira é dia de Tertúlia no Café Magestic, às 21:00, com a presença de membros da EPI e de algumas figuras públicas, entre elas os estimados Profs. Pinto da Costa e esposa, o divertidissimo actor António Machado, entre outros.

Quinta feira teremos um concerto de Jazz de Sofia Ribeiro e Marc Demuth Duo no Teatro Helena Sá Costa às 21:45.

Jantar convivio na sexta às 20:30, e para encerrar em beleza a semana da Epilepsia, Actividades lúdicas, jogos tradicionais e apresentações de Yôga e Karaté, no sabado de tarde, no Parque da Cidade, onde espero dar uma perninha de futebol.

Abro o coração e o convite sincero a todos os que queiram participar e peço compreensão aos clientes do café, pois esta semana é mais complicado para mim manter o ritmo normal de funcionamento, que será retomado no fim de mesma.

Quem quiser participar pode contactar o meu mail para informações ou contactar directamente a EPI através dos seguintes contactos:

epi - apfape
(Associação Portuguesa de Familiares, Amigos e Pessoas com Epilepsia)

Av. Boavista, 1015 6º - Sala 601
4100-128 PORTO
Tel./Fax 226 054 959

email: epi-apfape@sapo.pt

www.epi.do.sapo.pt

Publicado por D_Quixote em 01:51 AM | Comentários (4)

março 09, 2006

Ecos de amor

Duas almas
apaixonadas
sentem o vento
ouvem as ondas

É madrugada
uma maresia
ainda ouve-se

Um pássaro
canta
uma flor
junto à estrada
nasceu

As duas almas
enamoradas
soltam num beijo
palavras de amor

O vento
ecoa destino
as ondas
rebentam
em pétalas de som de primavera

Lá ao fundo
seguem
os apaixonados
deixando
na areia
nessa madrugada
pégadas do amor
ao som da natureza


de Francisco Marques

(um poema fresco e lindo que o Francisco nos enviou, espero que escrevas muitos mais e os partilhes com o café... abraço e café quente. E cafés quentes a distribuir pelas mesas enquanto se ouve o mar deste poema lá fora)

Ossada #2 by Nana Sousa Dias
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Publicado por D_Quixote em 09:33 PM | Comentários (5)

março 08, 2006

Estás

nas manhãs remelosas. nas noites de insónia. nos discos em auto-repeat. nas imagens que invento. nas palavras que junto sem sentido. nos filmes de amor trágico. nos livros que falam de coisas sérias. nas manchetes sangrentas dos tabelóides. na chávena de leite achocolatado. no ronronar do gato que se deita a meu lado. no relato da partida de futebol no canal codificado. em mais um cigarro que sorvo. e ainda no fastio a que me obrigo. no chão da sala polvilhado de sapatos. nas folhas de papel riscadas. estás em tudo. em todas as coisas. em todos os sentidos que confundo. em cada sonho. em cada pesadelo com a morte. nas fugas. nas corridas infundadas contra o tempo. em mim. apenas em mim insistes em estar. longe.

de Alexandra Gil

(estás a escrever cada vez melhor, e nós a ganhar com isso, obrigado Alexandra por mais um belo poema)

Capture my essence by Haleh Bryan
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Publicado por D_Quixote em 12:28 AM | Comentários (5)

março 06, 2006

nestes dias cinzentos

Nestes dias cinzentos
quando as gaivotas cobrem os céus de desalento
num cinzento pairar de pensamentos nómadas
soltos ao vento cortante de norte
soltos no olhar solto à sorte
envolto num momento
no céu de gaivotas cinzento
de sombras que pairam incómodas.

Nestes dias cinzentos
de chuva miúda que arranha a neblina
de sussurrar rouco de mar encrespado
nos segredos que o vento leva sem medo
num turbulento e frio sentimento a degredo
a areia leve e fina
nas mãos rudes do vento que a domina
batendo severa em meu rosto fechado

Nestes dias cinzentos
quando o ar gelado se entranha nos ossos
como punhais afiados que rasgam penetrantes
e desossam a alma em pensamentos caídos
de olhos distantes em recortes carcomidos
o ondular triste de cabelos grossos
e o passar triste destes dias nossos
são apenas cinza de dias errantes.

de João Natal

Untitled by Suchitra Vijayan
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Publicado por D_Quixote em 12:10 AM | Comentários (5)

março 03, 2006

Ao Pedro.

Passo indiferente e muda pelos caminhos cinzentos desta cidade que é a parte de mim que para sempre perdi. Respiro sem medo e sem amor. Respiro sem lembrar que o amanhecer não tarda. Respiro, sem contar as horas, sem perceber os minutos, sem vontade de falar as minhas histórias vividas, mil vezes inventadas, sempre indefinidas .
Corro cinzenta pelas pedras nubladas da madrugada. Espero cada dia dourado, espero o frio d'inverno na madrugada deserta da minha alma. Espero, sem desejo, sem vontade, o cortejo deslumbrante das minhas fantasias douradas.
Serei eu mesma que sorrio ao espelho?
Sem pernas, sem braços, sem alma, o pensamento calado de tantos nadas, vazio de esperança, vazio de saudade. Caminho, estradas iguais ao som de momentos iguais. Como relembrar as cores de Outonos passados, eternizadas nas folhas manchadas de um livro antigo, inacabado?
Serei apenas o que lembro?

A vodka, amarga e doce. O odor de um charuto fumado. O jade da lareira apagada. Miró e um piano calado, vazio, idealizado. E tu, dentro de mim. Humano. Real. Imaginado?


de Estela Ribeiro

(obrigado amiga por regressares às palavras como tu tão bem sabes e por as partilhares aqui no café)

sorrow's croon by Natalie Shau
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Publicado por D_Quixote em 04:01 PM | Comentários (5)

março 01, 2006

::num passado escrito agora::

Entraste de vermelho neste quarto a preto e branco
trouxeste as razões dos olhares que trocámos embaraçados
as nossas bocas ancoradas ao sabor de um porto
junto ao mar de um desejo que não dormia faz tempo

Queria escrever sobre ti
sobre o nosso beijo, o nosso toque
a dança dos nossos corpos colados
aquilo que só nós sabíamos
em suspiros contados
na noite que já não queria esperar

os dedos colam-se ao abrigo das costas
os olhares penetrantes dão-nos as asas do sonho
numa cascata de gemidos mergulhamos ao sabor das nossa vontades
com o toque dos meus dedos, da minha pele
desenho no teu rosto o sorriso que seduz, o olhar que se perde em nós
salivas em contra-luz traçam caminhos de estrelas
em gotas de pele que arrepia numa sede cada vez maior
pupilas dilatam ao cenário do prazer
aquilo que já podia ter sido
passou dos corpos para o papel
num passado escrito agora!

Ficou neste quarto um cheiro de saudade do futuro...


de Mauro Rodrigues

(um poema lindo e cheio de côr, espero que este seja apenas o primeiro de muitos Mauro, obrigado por o teres enviado)

Lone by Haleh Bryan
Copyright of the photographer

Publicado por D_Quixote em 04:12 PM | Comentários (5)