As palavras que fomos de amanhã
Do amor de hoje perdido
Nada demais do que sorrir
Se nada mais já faz mais sentido
Senão sorrir
Senão sonhar
Se não viver
Sem te amar ou querer assim
Como se o mundo inteiro fosse
Só um pretexto para te ver
Sem te tocar
E as promessas que vamos fazer ontem
Já as esquecemos amanhã de lembrar
No dia depois do agora
Sem que nada nos faça mudar
Senão demora
Senão esmorecer
Se não der certo
Este te amar ou querer assim
Como se tudo em nós já fosse
A soma de tudo o incerto
De te querer
de João Natal

Пробки by саша ростокин
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Procuro paz.
Uma paz
que só encontraria
no silêncio do teu beijo.
Uma paz escondida,
no recreio dos teus lábios,
num momento qualquer,
num segredo guardado,
revelado num rasgo de amor,
num instante de vida...
Seria eu paz!
Teria eu vida...
Toda a dor
teria desaparecido.
Descobriria a lógica
de todo o tempo perdido...
O amor faria sentido...
de João da Cal
(obrigado amigo por este teu regresso em grande a este espaço que já tão bem te conhece)

succubus by Olegito
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Quando eu olhar para trás
Verei as tuas pegadas na areia
E tu irás já longe
Num barco
Em direcção à eternidade...
Quando eu olhar para trás
Todos ficarão transformados
Em estátuas de sal
Mas tu
Mesmo depois da partida
Ficarás sempre comigo
Quando eu olhar para trás
E souber
Que há muito partiste...
de Belisa Lago
(que calma este poema transmite... perfeito para estes dias de stress que tenho tido... olá a todos... vim arejar o café)

Maresias #44 by Nana Sousa Dias
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podia amá-la, se ela me olhasse. podia amá-la ao primeiro toque.
ao desaparecer da vista, sei que o amor podia ter sido.
(ter sido)
o que quer que tivesse acontecido, seria imaculado.
irreversívelmente, foi esquecido.
de José Miguel Rodrigues
(e eu amo tanto esta cidade que não podia de postar esta foto linda que achei num fotoblog que linkou o café)

amo o porto by Cherry Pie
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"Eu já te tinha. O olhar foi mero pretexto para comer a tua boca. Tu já me
tinhas; era inevitável: nós teríamos de ser nós em alguma altura das nossas vidas. De seguida a coreografia física de fluídos e sentimentos, a copulação metafísica com aroma a pele. Olhavas para mim. Dentro de mim olhavas para mim, dançavas dentro de mim - êxtase, o presente envenenado causava dependência. Vi-te criança e olhaste para mim com os olhos bem abertos, como se fosse a primeira vez que vias uma pessoa. O teu coração atraiçoa-te porque afinal não eras tão duro quanto a vida te pedia.
Não aguentas a felicidade. Suportas o efémero - drogas, sexo, música, arte,
drogas, sexo, música, arte, tudo agora, fode-me e esquece-me que eu não quero ter que te amar, fode-me e dá-me-te para eu sorver a tua alma pela última vez, se pudesse fundia-me em ti, só para te poder ter um pouco mais todos os dias, servia-te numa bandeja de prata e comia-te com as mãos, arrancava-te os olhos e engolia-os inteiros, mergulhava em ti e cobria-me com a tua pele e ficava assim, para sempre, a decompor-me contigo.
Por tudo isto a estranheza é bela como o som de um piano quebrado, que apesar de tudo continua a tocar. Este seria um momento nosso. O mundo poderia ser nosso, mas o mundo não importa. Desenha-me no corpo com o teu esperma e dá-me de beber.
Dá-me de beber porque tenho sede... Mas neste momento faltas tu. E eu também falto. Faltamos nós porque sugamos todo o mundo e digerimos os nossos próprios estômagos. Estamos a morrer agarofobicos na tela em branco."
de Daniela dos Reis
(olá a todos, interrompo a minha clausura para postar este texto muito bom da Daniela... tens aqui um cunho muito próprio, continua. Adorei ler-te, tanto que merece uma foto da minha fotografa preferida)

Carmine by Natalie Shau
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