Na praça deserta ficava a ver-te partir
Um até logo – até quarta-feira
Foi sombrio e inquietante
Como um adeus para sempre.
Rompia a madrugada, de olhar aceso e sorriso no rosto
Pensava em ti...
Bebo da tua alegria em doces tragos
E trago-te comigo
Numa dança de volúpia e embriaguez…
Tens-me dentro de ti
Afagando e amando cada gesto teu.
Neste ter-te e não ter, te vou sonhando,
A cada gemido suspirado esbraseando
Esta fogueira inconstante de viver!

walking away by marília campos
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(mais um poema lindo que escreveste amiga... aliás, espreitando o teu espaço se vê que tens estado activa e cada vez com mais talento... desejo-te tudo de bom com um pensamento bonito para ti... todas as nuvens cinzentas têm o seu contorno prateado)
Tantas vezes inundada em lágrimas.
Tantas vezes aos gritos.
Tantas vezes em noites caladas.
E pedi.
Pedi tantas vezes que fosses meu.
Pedi tanto que fosses meu.
Só pedia que fosses meu.
Agora quero estar só.
Secar.
E amar este choro sem lágrimas.

холодно by lepet
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(a Sofia tem um daqueles talentos mesmo grandes, que nos fazem prender o olhar a cada linha escrita! E assim se estreia no café e eu espero que continue a subir ao palco de vez em quando para receber o nosso merecido aplauso)
Mais um segundo que passa,
Mais uma estrela que se apaga,
Mais uma lágrima que derramo;
Mas o tempo não pára,
As estrelas são incontáveis,
E as lágrimas não se acabam;
Assim como o meu Amor por ti é eterno e inesgotável.
de Miguel Pinto

неужели не я? by *плюмбум
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(enviado pelo Miguel Pinto que nos diz assim:
É a primeira vez que lhe escrevo, no entanto já sou leitor assíduo do seu
blog há algum tempo, adoro poesia e tudo relacionado com ela
consequentemente adoro o poetry café, tenho muito pena mas não consigo
escrever nada de jeito algo que me deixa profundamente triste, contudo não
páro de tentar, espero por isso que goste deste pequeno texto que escrevi... Miguel... estás profundamente enganado, adorei o teu texto, está rico, maduro e cheio de fantasia e ao mesmo tempo está simples e acessivel como toda a poesia deve ser... espero que me voltes a escrever e que este seja apenas o primeiro de muitos poemas! Aquele abraço!)
Todo o amor que sentia doía-me. Macerava-me por dentro lentamente, como se caminhasse perpetuamente com os meus pés descalços sobre vidro estilhaçado, como se o mundo fosse acabar amanha e já não sobrasse mais tempo para te dizer o quanto me completavas. Queria tanto dizer-to mas contia-me na minha obscuridade insana pois receava magoar-te assim também.
Desejava mais do que tudo apertar-te contra o meu peito, afagar-te suavemente a tua face morna de mármore pálido, brincar com o teu cabelo na efémera eternidade de um beijo roubado. Mas as minhas mãos eram lâminas afiadas de razões e intentos desconhecidos. O meu toque era frio e ríspido como espadas de guerra brandidas sem piedade. O meu gesto era morte e dor lancinante.
Abracei-me a ti contido, capaz de amar mas incapaz de dar amor, no controverso instante do egoísmo e do verdadeiro amar, sedento de te tocar mas incapaz de te magoar, perdido de amor mas sem amor perdido... e deixei-te ir.
O amor é daqueles que podem amar, não daqueles que o sentem... esses apenas amam.
de João Natal

imagem do filme Eduardo Mãos de Tesoura de Tim Burton
(este é um dos filmes da minha vida, pela metáfora linda de nem sempre se poder dar o amor por muito que se ame, o amar sem tocar, um amar quase efémero e etéreo, que existe sobretudo no mais profundo do ser)
Aqui estou...
à espera do que há de vir.
Sem saber que esperar,
sem saber que sentir.
As palavras fluem aos poucos,
pequenas gotas que enchem o copo,
da mesma forma que que vão preenchendo
o branco do écran deste computador.
E uma vez cheio, tornam-se o reflexo nítido
dos meus mais profundos medos.
E aqui á vista de todos,
deixo que a alma fale pelos dedos...
O escape das minhas frustações e fraquezas,
na certeza de que não há certezas.
Na vida nada é certo...
Nada é um livro aberto,
a não ser as páginas guardadas na memória.
Ah, pudera eu conhecer o próximo capítulo,
da minha ainda curta história!
Pois tu...pesa bem os prós e os contras!
Pesa bem o que é certo e errado!
Pois as linhas que se seguem,
serão escritas pela tua mão.
Mas não te esqueças nunca!
Num prato a tua justiça...
no outro...o meu coração!
de Luis Nascimento
(muito tempo, bom tempo, alegria, sol e muita luz... alegrem-se meninos e meninas, o Poetry Café está de volta para ficar!!! e retoma a boa poesia com este contributo do Luis)

Every Angel.....#7 by Christian
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Já não brilham os neons
Do teu olhar
Já não se cruzam as mãos e os dedos
Já não se troca um beijo no sinal vermelho
Já não te vejo ao espelho
Ou a sonhar
Já não te encantam os sons
Do nosso falar
Já não procuras no meu corpo segredos
Como se me amasses sem o sentir
Quando não te vejo mais a sorrir
Nem a chorar
Toma as minhas mãos e leva-me contigo
Para longe de ti
Toma as minhas mãos que eu já não consigo
Perdi-me algures entre o amante e o amigo
Entre o principio e o fim
E leva-me esta noite para longe de mim
Porque tu não estás aqui
leva-me contigo para longe de ti
porque tu também não estás aqui
de João Natal

Centre Dimension by Ivaylo Todorov
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é assim que me escrevo
vão de redemoinho
plácido turbilhão
quando busco
por cenário a habitação
morada de espelho no rio
sereno e orvalho, juntos
chuva com tempo bom
imagem do meu desejo
irracional, meio mágico
não sei se foi por acaso
que te encontrei
infinito movimento
[um mar]
que flui dos poros em letras
não é fonema ou grafema
contigo vivo e não sou
nem poeta, nem sujeito
...sou poema.
de Sónia Regina
(mais um poema teu amiga, fresco como um pé marcado na areia molhada... obrigado por tanto tempo depois ainda me presenteares com a tua presença aqui no café)

lonely way to end by Giulio Rotelli
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De repente, é como se a vida acabasse para mim todos os dias,
Sinto a agonia de perder tudo e a solidão de nada ter.
Neste canto escuro onde me sento,
O frio gela a minha alma destroçada,
Como um navio fantasma
No velho porto, com as velas a rasgar o céu.
Nada… Nada do que julguei possuir foi realmente meu!...
E aperto estas feias mãos, toscas e vazias, com a dor de anoitecer
E de mansinho vem a morte… para de novo nascer.
de Lavínia Matos
(que bela maneira de começar o dia colocando aqui um bocadinho da tua escrita cheia de fantasia, Lavínia... jinhos e envia mais... fico à espera...
Peço a todos desculpa pelo atraso nas edições, um virus obrigou-me a formatar o disco, não têm sido dias faceis!)

Loch Broom by GaryHill
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