Foi muma noite perdida algures me Setembro.
Numa pequena praia que bem conheces!
Tu te lembras?
Eu bem me lembro...
Numa altura em que tudo era fácil
e a vida vivida sem preocupações.
Quando a paixão era raínha,
e reinava nos nossos corações?
A canção que te cantei....
A dança que contigo dancei...
Pé ante pé na fresca areia...
Um maravilhoso momento,
sempre no pensamento!
Apenas à fraca luz das estrelas
já que nem a lua se atreveu a aparecer.
Ainda te recordas?
Não vou nunca esquecer!
E aquele momento mágico?
Ajoelhados frente-a-frente
e sem qualquer maldade,
deixei que os meus dedos,
falssem toda a verdade.
Neste dia, guardo ainda uma foto desse local,
palco dos meus mais belos sonhos...
Memórias do que um dia fomos...
E de um amor para mim sem igual.
(Para a Dália, a minha linda flor.)
de Luis Nascimento

Praia Azul by Nana Sousa Dias
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(mais um lindo poema teu Luis, cheio de sentimento e palavras bonitas, obrigado e vê se envias mais)
Sentado espero ansioso,
O tocar do telefone
Com desejo maluco de te sentir
No vibrar, as noites mal dormidas
De dor...
O querer que a noite chegue
Trazer a escuridão para poder imaginar
O que será,
O que seria,
Se…
Quando a ansiedade inunda o tempo
Não consigo esperar pela noite,
Fecho os olhos obrigo a escuridão a uma invasão
Consciente que não passa de uma ilusão
Do teu sabor,
Do teu cheiro,
Do teu sorriso,
Dos teus olhos,
Aquilo que sinto é indefinido
Ou não?
Também não sei, nem quero saber
Será que sim?
Sei mas não quero dizer…
de Rui Rocha

# by A Mc
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(que poema fantástico e escuro... tal como eu gosto! Obrigado Rui, espero que seja o primeiro de muitos poemas teus! Tenho excelentes noticias para todos, que divulgarei oportunamente! Acima de tudo irei precisar de ajuda com o contacto de alguns poetas "dos mais antigos"... isto porque, devido a problemas com o meu pc, perdi o e-mail de muitos deles... mas em breve eu aviso aqui quais irei precisar e as razões do contacto.)
Paro diante de uma flor, procuro sentir o teu cheiro algo que me traga uma recordação tua quanto mais não seja a beleza que me deixaste na mente e recordo ao olhar cada pétala cada pingo de orvalho em cada rosa… por que partiste assim? Não fui fiel aos teus desejos, não fui o homem que esperavas, que maldade terei eu feito para desencadear essa tua ira que me abandonou de uma modo tão cruel tão infantil… A vida é tão injusta quanto bela, basta que exista saudade para desencadear um turbilhão de sentimentos… apesar de partires estarás sempre no meu coração, e isso é tão verdade como as flores que abrem com a primavera… como cada dia que nasce… apenas porque um dia te amei…
de Nino Carvalhais

Rosa by Nuno Peixoto Branco
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(Obrigado Nino por este pedaço de escrita tão bom. Ainda bem que há amores que semeiam a escrita assim, para que cresça na Primavera das ideias... um abraço)
Um toque e uma palavra, num segundo."Vem"...
Vividas que estão as horas do meu dia,
sou os segundos que me levam a ti.
Estradas de alcatrão e chuva.
A gravilha que cede aos teus passos.
E o cheiro familiar do teu charuto.
Olhas e pedes paz. Digo...
Despe-me nestes segundos escuros
pela luz da meia-noite.
Fode-me e diz-mo baixinho ao ouvido.
Sou sempre quem não conhecia ser,
quando tu és assim, em mim...
Amanhece e os segundos esquecem já o teu silêncio...
de Estela Ribeiro
(10/04/2006)

Grey by marília campos
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(mais um poema lindo teu Estela, cheio de força e marcante... já não editava um poema teu há muito tempo, confesso as saudades... jinhos e obrigado!)
Por vezes sinto que o mundo está mesmo assim
Adormecido
Escurecendo á minha volta.
Apetece-me gritar pela azia
Que nos trouxe até aqui
Pelo cansaço de tantas cores
De brilhos temporários
que nos distraem
do pensamento
Sinto que perdemos a esperança
A cada suspiro
E apetece-me gritar
Apetece-me cortar mais cabelo
Livrar-me de todos esses olhares
Que me esperam
Desses dentes cerrados
Que me vão trincando o coração
Apetece-me desligar
Calcar o botão de arranque
E começar numa folha limpa
Noutro pedaço de mim.
Diferente.
Mas não me mexo
Deixo-me estar assim
Sentindo. Que.
Amanhã volto a sentir o mesmo.
de Rita "Tramp"

Tree by Rita "Tramp"
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(mais uma vez posso contar com o perfume da tua poesia inconfundivel Rita, e mais uma vez com uma foto também tua a acompanhar, obrigado por tanto talento... quanto ao Poetry... estou com pequenas dificuldades tecnicas que serão resolvidas no espaço de dias, peço a todos a compreensão... um abraço!)
Pouco importa o que sou e o que sinto.
Pouco importa as lágrimas e o sorriso,
O Inferno ou o paraíso
Se digo a verdade ou se minto
Numa vida, num espaço, num corpo
Onde já nada faz sentido.
É indiferente o sol,
A luz dos meus dias,
Quando padeço atrozmente
Nas trevas da tua noite;
É inútil o meu apelo,
São apenas palavras que se perdem
No turbilhão de um momento,
No teu silêncio agonizante
Que instala o pânico no meu coração...
Vivo então neste desassossego
Que esqueço por breves instantes
Na ânsia de alcançar um pouco de paz.

Крымское Солнышко by velden
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(mais um poema lindo teu... tu és uma pessoa com muita sensibilidade mas olha que poucos conseguem transformar essa sensibilidade em poesia como tu. Não escreves com frequência, é verdade, mas quando o fazes são poesias que ficam para sempre... beijinho e obrigado por me deixares mostrar aqui o teu poema)
Hoje sinto-me longe. Longe do ontem e do amanhã, como se tivesse estagnado entre o passado e o futuro. As verdades de ontem estão manchadas, trémulas, como se as sentisse sem convicção, como se as não conseguisse situar, dar-lhe um sentido. As velhas canções não parecem ter a mesma melodia e o significado, como que se perdeu. Parece cansado de insistir em ter o mesmo efeito.
Acho que eu mesmo estou cansado. De tudo. Hoje há só este vazio.
Apático, olho a mesma janela, mas a luz que costumava ter o efeito de um sorriso, é só a luz do fim de tarde. Da varanda o pôr-do-sol, é só um pôr-do-sol, com beleza mas sem exaltação.
Não sei se me perdi ou se finalmente me encontrei. Talvez fosse esta realidade que eu não queria encontrar, talvez tudo tenha que ser assim.
O cristal partiu e o passado recuou para tão longe que o sinto como se fosse em outra vida, tão rápido, que o choque abriu fendas no coração. Sinto um espaço tão grande que pareço ver só áridas planícies no meio de um deserto, sem Norte nem Sul. Sinto esta distância, intemporal, que ultrapassa tudo, que nem distingue a noite do dia.
de Paulo Sousa

Maresias #90 by Nana Sousa Dias
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(e mais uma grande estreia de mais um poeta muito talentoso... não tenho mesmo mãos a medir assim... e fico feliz. O Paulo tem um maneira muito dele de descrever as coisas, fiquei completamente "magnetizado" pela escrita dele e irá fazer parte de muitas futuras edições... a ele um abraço)
Olá amigos, bom dia a todos!
Estou efectivamente com mais tempo para o café e quero aproveitar para actualizar um pouco mais o projecto. Vou tentar ser mais célere a responder aos inúmeros poemas que tenho recebido, quero agradecer e muito às palavras de apreço e carinho que vão chegando. Acho que o meu melhor gesto de agradecimento é mesmo trabalhar com mais afinco no projecto.
Quero preparar uma semana temática e acho que o Verão é um excelente tema: Mar, sol, areia, praia... sobretudo muito mar... quero um mar de poesia!
Daí que vos peço, as habituais e aos não habituais, que enviem poemas com esta temática (avisando sempre no e-mail que são para este efeito, para terem prioridade de tratamento)...
Igualmente vou confessar-vos uma outra paixão minha, o cinema... sou um cinéfilo compulsivo e o ideal seria abrir um blog de cinema mesmo... mas é muito complicado já manter a actividade de 2 blogs como mantenho e não tenho essa disponibilidade para um terceiro. Assim, uma vez por semana terei a rubrica "o Poetry Café recomenda" que vai abordar um bom filme que eu aconselhe de forma amiga a ver.
um enorme abraço a todos
Nuno Peixoto Branco

Escrevo-te palavras que não sao soltas
palavras que faço tuas
palavras mudas que lês nos meus lábios
num momento só nosso
onde se solta um beijo
por de traz do desejo
de te sentir... tocar
são gestos de carinho
vontade de amar
um amor proibido
que nao sei controlar
choro...
grito por dentro de mim
...por dentro de mim
é dificil tão dificil
sei que é
largar a tua mão
esquecer o sabor dos teus lábios
...nos meus
o deslizar da tua pele
o perfume do teu amor
tudo o que falámos
palavras que dissemos
sem medos
sem segredos
mas mesmo assim
mostra-me o teu amor
não tenhas medo do que se passa
do que se vai passar
abre as portas ao mundo que é teu
que fazes meu.
de Paulo M. Ferreira

оставайся с нами, мы продолжаем передачу
by glebagor
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(pois é, mais uma excelente estreia no café, as poesias não param de chegar, dando-me animo e alento para nunca desistir de vocês nem do café. Agora estou em casa e com tempo, vou passar o poetry para uma edição mais diária para ver se consigo dar resposta a tantos emails com poesia que chegam!)
Fui parco em amor
Talvez também em sentimentos
Mas sempre me ofereceram dor
Sem falta, em todos os momentos
Sempre fugi da lei
Não tanto o quanto julgava
Mas poucas vezes amei
Mas estou certo
Que ninguém me amava
Fui apanhado pelo teu amor
Que tantas vezes me fugiu
Mas mais uma vez sinto a dor
Porque mais uma vez este partiu.
de Teófilo Pinto

thrown. by James Parbleu
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(mais um poema fantástico do Teófilo que já se tornou parte importante da poesia do café, espero que as tuas contribuições continuem a chegar, já têm o seu espaço muito próprio aqui)
Que saia este desejo em mim,
Que saia esta agrura,
Que se torne afónica
Esta voz, esta voz que me tortura.
Sai de mim quem tu és,
Sai de mim que não te quero,
Sai de mim e totalmente de vez,
Que saia de mim esta constante procura.
Quem tu és que me surges,
Quem tu és que me apoquentas,
Quem tu és que me urges,
Com palavras que me atormentas.
Vai e de mim sai,
Sai e que de mim te escondas,
Não quero saber o que te vai,
Não quero vogar nas tuas ondas.
Se me procuro tu me apareces,
Mas por que raio, juro,
Ao me vires tudo escureces,
E o que quero é ver-me puro.
Quero-te matar mas não consigo,
És o veneno que me vicia,
És a parte que por vezes sigo,
Que a todo o momento me alicia.
Não sei se eu se tu, qual dos dois ficará,
Neste corpo que sempre foi meu,
Sou cego, não sei qual dos dois vingará.
Uma coisa eu temo neste corpo de ateu,
Nunca de mim ter sido, sempre ter sido teu.
de António Viana

crybaby by Natalie Shau
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(e que belo poema que o António nos envia para a sua estreia no café. António, gostei da forma fluída como construiste o poema, quase que dá para o cantar... espero que envies mais! Abraço!)
Nasci para correr contra o vento
de braços abertos e espírito solto,
gritando o meu tormento
num dueto que escuto.
Nasci para sentir a leve brisa gelada
a acariciar o rosto
pálido de desgosto,
a consolar lágrimas de geada.
Nasci para parar no alto do precipício
contemplando o murmúrio
sussurrado ao ouvido:
de um sossego de outro mundo.
Nasci! Para saltar e embraçar o vento
na necessidade de voar que sinto,
de num salto trespassar o instinto,
forte no grito!
de Márcio Nunes de Freitas

по краю.. by Фрида
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(obrigado Márcio por este teu primeiro poema, escreves de uma forma muito solta e caracteristica, ficarei à espera de mais... abraço!)
Talvez a minha vida sem ti, fosse isso mesmo, uma vida incolor, sem sonhos, sem crenças.
Talvez a minha vida fosse cinzenta, da cor daquele casaco de malha que tu não gostas, que eu visto sempre que tenho frio, mesmo quando faz sol.
Tu conheces o gelo que me percorre a espinha por vezes, aquele que me estremece e abala a alma e a vira do avesso, passa um furacão em mim, e um tsunami sobre os teus dias, perante os teus olhos quando menos esperas e a tua vida acorda repentinamente à bruta, porque eu mudo como a agua escorre, mudo consoante o estado do céu e do tempo.
Eu sou uma marca temporal...
Eu sou assim, fruto da minha instabilidade, de vez em quando digo que o céu é verde, e mesmo quando teimas a minha loucura, acabas concordando com as cores que o meu mundo vêm.
Talvez a minha vida sem ti não faça sentido, seja azeda e muito amarga, porque lhe faltas tu, falta-lhe a dimensão da tua doçura, o equilíbrio do teus olhos, a paz que me consegues transmitir quando o meu universo das coisas tortas desaba, quando as pernas perdem as forças e se cansam de caminhar em estradas inseguras .
A minha vida é isso mesmo, uma espécie de minas cheias de armadilhas, de caminhos tortos, de aromas abundantes, trilhos escondidos, azinhagas sem nomes... É disso que tu tens mais medo.
Do que partilho e do que escondo, da pergunta e da resposta, do meu lado inteiro e sóbrio ou do meu lado mais vácuo e sombrio.
Nem eu sei por vezes do que sou feita, se sou a teia que se desfaz na trama, ou se não passo da agulha.
Não tenho nome quando acordo gelada, e fico esquecida da minha terra, e nem sequer penso em ti como parte deste vazio que me assombra a vida mas à qual eu me entrego sempre.
O amor é isto mesmo, uma profunda confusão neste jardim imenso, ora vivo, ora murcho... Lamento a agonia, mas é esta que me devolve à escrita, se perde entre as minhas mãos, em entrelinhas, sem desperdício.
Eu sou isto, sou mais que uns cabelos loiros, castanhos ou ruivos
Do que uns olhos, castanhos, azuis ou verdes
Mais do que uma cor preta ou branca,
Isso são apenas reflexos dos meus momentos de fúria e alegria
de essências e cheiros,
De pausas que mudam o mundo, começando por mim.
Isso são apenas partículas do que me corre no sangue
Sinais de pontuação que me descodificam o sentimento.
Isto revela o meu lado mais perverso
O meu lado que te pertence
E o quanto me sinto perdida quando a minha vida está sem ti...
Talvez eu seja mais um dia,
Maior do que as estrelas
Vendo o mundo com a perspectiva que tu vês quando olhas através dos meus olhos, ou quando me mostras o universo das coisas certas....
Talvez a minha vida sem ti, fosse isso mesmo....
de Joana Freitas

Drowned woman by olegito
copyright of the photographer
(e de que melhor maneira poderia a Joana estrear-se no palco do café... Joana, valeu a pena atravessares o oceano para partilhares a riqueza das tuas palavras e o encanto da tua escrita... espero que seja a primeira de muitas)