novembro 22, 2006

Um dia passa

Os dias passam
a calma
escuta-se
no som
dos pássaros
que ecoam
na alma

Os minutos passam
soltam-se os ponteiros
desse tempo
que nunca para

As horas passam
as marés lá longe
esvaiem
a areia

Os dias passam
na calmaria
dos dias quase Verão
ainda escuto
os pássaros
as pétalas
levadas pelo vento
que encaixam-se
no rio

Assim passa o dia
a noite aí vem
e tu
leve como as horas
sempre navegando
como um dia
sempre eterno


de Francisco Marques


Maresias #60 by Nana Sousa Dias
copyright of the photographer

(tudo na tua escrita me leva para o mar e invariavelmente ao encontro das fotos incriveis do Nana... a combinação perfeita de duas coisas muito bonitas)

Publicado por D_Quixote em 06:51 PM | Comentários (6)

novembro 13, 2006

canoeiro

leva-me, canoeiro, para além da curva do rio,
que seja a tua canoa um quadro sem mar.
desenha-me nas sombras e nos mistérios
da sofreguidão das ondas, do acender
das sílabas, da sede que busca as vinhas,
do ardor que chega à praia e funda instantes
densos, na preamar.
cuida da minha alma, pega-a no colo,
toca meu corpo sem palavras, faz-me feliz
com lágrimas, para que eu não esqueça
do gosto da água temperada com sal.
lava-me de todo o simbólico e do imaginário
que marca o real, mostra-me o ultra-secreto
desse lugar. que seja uma carícia quente
na água da vida, o teu remar; que seja leve
o balanço e que, numa dádiva silenciosa
- em reverência -
o estado da arte sorva a saudade
e sugue de nossos lábios o poema.

de Sonia Regina

(o quanto eu gosto da tua poesia amiga... simplesmente maravilhoso...)

Canoa 1 by Moises Levy
copyright of the photographer

Publicado por D_Quixote em 03:01 PM | Comentários (3)

novembro 09, 2006

Parabens amor

Hoje a minha menina faz anos... para ela todos os miminhos e este poema lindo do Pedro Barroso... que infelizmente bem que tentei mas não consegui arranjar a música!!!

Deixei pousar minha boca em tua fronte
toquei-te a pele como se fosses harpa
escorreguei em teu ventre como o vento
e atravessei-te em mim como se fosse farpa

Deixei crescer uma vontade devagar
deixei crescer no peito um infinito
morri da morte lenta do desejo
e em cada beijo abafei um grito

Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira

Inventei mil paisagens no teu peito
rebentei de loucura e fantasia
quando me olhavas devagar com esse jeito
e eu descobri tanta coisa que não vias

Havia em ti uma forma grande de incerteza
que conseguias converter em alegria
havia em ti um mar salgado de beleza
que me faz sentir saudades em cada dia

Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira

"Companheira" de Pedro Barroso

shine by Nuno Peixoto Branco
copyright of the photographer

Publicado por D_Quixote em 10:25 AM | Comentários (9)

novembro 08, 2006

ÚNICA CERTEZA

Não há sentir mais duro e cruel
que o de inutilidade certa!
Inutilidade de algo fazer, de algo dizer, explicar.. agir!

Não haver nada a fazer...
não haver remédio...
Remediado estar!

Talvez com capacidade inútil!
Talvez com incapacidade útil!

Mas o resultado permanece...

Nada a fazer...
Nada se faz !!!

de Sara Sousa

Prisoners of Desire: Time to rememberby Eugeny Kozhevnikov
copyright of the photographer

(obrigado Sara por esta tua participação... escrever é algo de intrinseco de todos nós, eu gosto de pensar que escrevemos como sentimos e pensamos, só alguns é que o conseguem fazer com alguma mestria como tu... parabens e continua a escrever.)

Publicado por D_Quixote em 04:24 PM | Comentários (5)

novembro 02, 2006

TRIGO EM MOVIMENTO

Beijar-te a face é conceder-te o acto puro,
daqueles que ainda sabem semear no campo,
o trigo, alegremente.
E perceber que a cada movimento,
o trigo cresce e traz sempre consigo
a força de gerar nova semente.

Beijar-te a face é conceder-te o gesto pleno,
daqueles que ainda sabem desbravar a terra
e replantar o chão.
E nele, receber qualquer estranho.
E nele, abrigar qualquer amigo.
E dividir o vinho e repartir o pão.

Beijar-te a face é conceder-te o brilho ardente,
daqueles que ainda sabem sublimar
o tempo e a medida do prazer.
E toda essa certeza,
e toda essa magia
de ainda ser a vida
e de conter a morte
no ato natural de se viver.


de Katia Drummond

Wheat, Emilia Romagnaby James Symington
copyright of the photographer

(que belo poema a cheirar a Verão... é tão bom ler um poema e voar assim como este poema me leva...)

Publicado por D_Quixote em 04:53 PM | Comentários (4)

desculpas

desculpem meus amigos

mas são boas novidades as que hoje trago e justificam um pouco a minha ausência de actividade no Poetry Café.

Passei à segunda fase de estágio e isso já me começou, felizmente, a retirar muito do meu tempo disponivel... o que significa que vou continuar a actividade do poetry mas a mais custo (quem anda por gosto não cansa, vou empregar afinco para não vos deixar ficar mal).

Já há desenvolvimento no caso do plágio... ficamos agora a aguardar mais noticias, mas parece-me que finalmente o processo vai começar a andar, pelo menos já foi aberta a fase de inquérito o que é bom.

abraço enorme a todos... e venha daí a poesia

Nuno

Publicado por D_Quixote em 12:17 PM | Comentários (5)