Rasgo os meus pensamentos em mil pedaços.
Mil pedaços são as partes em que coso…
Derivo em mim, como se já não me sentisse em mim.
Imagens que tento esquecer
Enquanto luares conspiradores me extenuam a alma,
0 teu rosto desperso entre auroras pérfidas
E doces brisas que me gelam os ossos…
Controlas a vontade que há mim,
De não querer acordar mais!
Bebo em sulcos ansiosos, o audível silêncio
Que me desperta devagar em tons monocórdicos
Não sei onde encontrar razões para não ouvir
O suave gemido da solidão…
Penso mesmo em não pensar,
A triste música balbucia, resta-me apenas me entregar…
de Orlando Lopes de Sá

Tears from Sahara by Sue Anna Joe
copyright of the photographer
(um poema belissimo e uma excelente forma de te estreares por aqui Orlando... ficarei ansiosamente à espera de mais! Abraço e obrigado)

Apocalypto é o mais recente filme de Mel Gibson. Para os seguidores deste homem enquanto realizador este é um filme obrigatório. Eu confesso-me um fã incondicional desde há muito tempo. Cinematográficamente o filme é muito bonito, paisagens de cortar a respiração, perseguições frenéticas, violência primal, argumento arrebatador embora simples e beleza, muita beleza.

Apesar das criticas que Mel tem sofrido, sobretudo do seu anti-semitismo, acho-o um injustiçado. As mensagens que atribui ao seu cinema são sempre mensagens muito fortes e que devem fazer pensar muita gente. Este é o cinema que eu gosto e vejo. Longe dos padrões forçados e batidos Hollywoodescos, longe do vazio das ideias que abunda no restante cinema americano, perdido nos Blockbusters de fraca qualidade.
Apocalypto fala de valores como família, como amor, amizade... quando mostra a fuga de um homem a uma captura que visa torna-lo uma vitima de sacrificio ao deus Sol nas mãos de um império Maia decadente, para salvar a sua família que está escondida numa gruta de onde não consegue sair sozinha.
Mas a mensagem predominante em Apocalypto (que significa um novo começo) é uma profecia de queda, uma tendência de todas as grandes civilizações para um sentido de decadência através da perda, da anomia, daqueles que são os valores fundamentais que devem pautar uma civilização. E aqui podemos traçar paralelismos entre qualquer civilização que encontrou o seu apogeu, seja a Maya, seja a Romana, seja outra qualquer, incluindo evidentemente esta nossa Ocidental. A guerra do médio oriente, a prisão de Guantanamo, o aumento do crime, talvez até agora esta liberalização que querem ao aborto. Não será isto tudo sinais de queda de uma civilização no seu apogeu? Esta é a mensagem de Gibson, controversa é claro... mas o que mais esperar do homem que realizou a paixão de Cristo (de forma tão bela e dolorosa) em aramaico e agora realiza Apocalypto, totalmente em Iucateque e igualmente cheio de dor e sofrimento para apenas e só demonstrar uma coisa:

Que o bem e o mal existe no coração de cada um de nós, sendo que o homem tem por vezes, de forma até civilizacional, uma têndencia inerente para o mal, e se demonstra de forma chocante nos filmes de Gibson uma coisa... a capacidade do homem fazer mal ao homem.
Isto é um filme que entretem, mas levantando a cortina, um filme que nos faz pensar... primal, gore (por vezes), basico... mas imbuido de mensagem.
Este é um filme que recomendo...
abraço a todos
No Chão das Palavras é o território onde a pintura e a poesia se tocam... Ilustrações de uma simplicidade extrema que combinam com a simplicidade e transparência dos poemas. "As tuas palavras gritam toda a vontade do teu corpo e a vontade da terra que arranca de si todo o silêncio e dele faz toda a tua liberdade. Acende uma estrela, uma flor e um peixe vermelho e faz o mundo com mais um passo do teu ritmo. E tudo fique novamente azul e tudo fique novamente suave." (sinopse retirada do site da Editora Quasi)

Este é um livro que me deixa muito feliz e orgulhoso, o amigo Lobo já há muito tempo que nos encanta com a sua escrita. E por muitas "turras" e desentendimentos malucos que tivemos, considero-o um amigo e orgulho-me da sua escrita, do seu trajecto e da sua pessoa. Desejo-te muito sucesso e muitos mais iguais a este e que 2007 seja um ano de muita felicidade e escrita.
Para quem não conhece ainda, aqui fica um livro que recomendo fortemente como obrigatório em 2007.
Um abraço a todos!
deixo-vos com este pensamento...
mais uma vêz, aberto a dialogo
(guardar no disco para melhor abertura)
No próximo dia 11 Portugal tem uma das decisões mais importantes do percurso da sua História. Falo, como é do conhecimento de todos, do referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas.
Chamem o que lhe quiserem, ponham nomes mais bonitos, mas o referendo é sobre o aborto, livre e sem qualquer restrição até às 10 semanas ( 2 meses e meio).
Acho que é um voto de consciência de cada um dos cidadãos deste país, apelo acima de tudo à participação, à intervenção cívica, consciente, informada e principalmente em número suficiente para dar expressão a este referendo.
Ponderando os argumentos dos dois lados, chego à conclusão que muita gente tem extremado posições, o que é nefasto e apenas contribui para mais desinformação. Mas igualmente chego a outra conclusão, a de que a falta de informação está a ganhar terreno, a de que a partidarização do referendo está a ganhar ao voto consciente e a de que as mentiras se sobrepõem à verdade. Senão vejamos:
Os adeptos do sim alegam que devemos despenalizar o aborto porque:
- Há mulheres a serem presas em Portugal por coitadinhas serem "obrigadas" a realizar o aborto clandestino.
- A mulher deve poder escolher o que fazer com o seu corpo.
- Fica mais barato fazer abortos nos hospitais que curar os abortos mal feitos ilegalmente
- Haver interesses privados monetários no aborto clandestino.
- Não ser respeitada a lei que proíbe o aborto ilegal
Para mim esquecendo os argumentos do Não, é clara e manifesta a pobreza, não verdade, e nulidade dos argumentos do Sim . Que continua a explorar a ignorância e a falta de informação para tentar mudar uma lei que, de si mesma, já existe, já é mais do que adequada e justa e já se aplica.
- Nos últimos 30 anos, nenhuma mulher foi presa em Portugal por ter abortado , aliás, os casos de julgamento diziam exclusivamente respeito a mulheres cuja gravidez já ia muito para além das 12 semanas, quando abortaram e mesmo assim não cumpriram penas efectivas. Pois se conhecerem minimamente as leis Penais Portuguesas chegarão à conclusão que temos um sistema penal que se preocupa principalmente em ressocializar os criminosos e não castiga-los de forma ético - retributiva. Sendo que estas mulheres, a não ser que façam do Aborto uma prática recorrente, são todas criminosas primárias e, por isso, tendencialmente, sujeitas a penas suspensas.
E será a questão das 10 semanas assim tão importante para os defensores do Sim?? então os adeptos do SIM querem a liberalização só até ás 10 semanas e querem que a mulher vá para a cadeia se abortar às 11, às 12 ou mais semanas?... aí já é criminosa e merece ser presa?
Alem do mais, ninguém "obrigou" ninguém a fazer um aborto, isso sim, foi uma escolha da mulher que abortou, porque resolveu escolher o caminho mais fácil, o da desresponsabilização por um acto que previamente cometeu.
- A mulher pode escolher à vontade o que quer fazer com o corpo dela... por isso é que conheço algumas que preferem não ter filhos para "não estragar o corpinho que têm"... agora a vida que cresce dentro delas não é o corpo delas . É uma vida autónoma, fruto de um processo concepcional envolvendo um óvulo materno e um espermatozóide paterno. Além do mais, às 10 semanas esse ser já se encontra bastante desenvolvido, tendo inclusive um coração a funcionar:
O EMBRIÃO
Entre a 5ª e 10ª SEMANAS de gestação, os principais órgãos e sistemas do embrião se formam, e à medida que essas estruturas se desenvolvem elas afectam a imagem do embrião, que vai adquirindo figura humana.
Na 6ª SEMANA, sua boca começa a se formar e seu coração rudimentar pode visto batendo. O embrião mede de 4 a 9 mm. O seu coração e coluna são visíveis, assim como os brotos que formarão os braços e as pernas.
Com 8 a 9 SEMANAS de gestação, o embrião mede aproximadamente 3 cm e pesa cerca de 10g. Ao final da 8ª SEMANA de gestação, os dedos já estão formados e separados, podendo ser reconhecido o punho e o cotovelo do bracinho do bebé.
O FETO
Ao final da 10ª SEMANA de gestação, o embrião já se encontra praticamente todo formado (coração, pulmões, rins, fígado e intestinos) e tem-se início, a partir daí, do período fetal. A partir de 10 SEMANAS de gestação, durante o período fetal, haverá basicamente a maturação e crescimento dos órgãos e sistemas do bebé.


retirado do site Centro Pré-Natal de Diagnostico e Tratamento
- Fica mais barato? Acho muita piada a este argumento, sobretudo porque vejo ainda em pleno século 21 crianças a nascerem com paralisias cerebrais e outras complicações porque os hospitais preferem poupar algumas centenas de euros e não realizar cesarianas. Vejo um Sistema Nacional de Saúde em ruína, mal gerido, com listas de espera intermináveis e muito por fazer. E querem gastar dinheiro com abortos nos hospitais? Num país que, infelizmente acompanha o resto do mundo dito "civilizado" no envelhecimento da população activa, devíamos estar mais preocupados em fomentar a natalidade e não em financiar o seu infanticídio.
Eu tenho um irmão com paralisia cerebral e epilepsia por causa de poupar nos hospitais portugueses... não me peçam para pagar com os meus impostos para "resolver" nos hospitais públicos o descuido de gente irresponsável.
Alem do mais, eu tive aulas de medicina legal... querem saber como algumas mulheres morrem com abortos mal feitos? Ao desfazerem o feto com uma vara de guarda chuva, furam acidentalmente o útero ou o intestino e sofrem hemorragias. Isso ninguém diz... não são muitas mulheres que morrem dos abortos, são algumas... e desculpem a minha opinião pessoal... mas desfazer um feto (uma vida a caminho do seu nascimento) com uma vara de guarda chuva é, no mínimo, criminoso.
- A haver interesses privados há com o SIM ao aborto. Eu defendo uma penalização muito severa a quem lucra com o aborto ilegal. Mas lembrem-se que já há clínicas estrangeiras a comprar terrenos e com planos para grandes clínicas de aborto em Portugal. Ainda querem falar de interesses privados? Preferem trocar meia dúzia de médicos e enfermeiros sem carácter por uma industria do aborto... engraçado ver gente de esquerda a defender isto.
- Não ser respeitada a lei? Bem... é proibido conduzir com álcool e todos os dias são apanhados portugueses assim... vamos despenalizar isso também? Querem ver a nível nacional o que se passou em Barrancos mas em vez de matarmos gado matamos crianças e chamamos-lhe tradição? A lei é clara e existe. Prevê a não penalização do aborto em 3 situações diferentes:
Artigo 142.º
Interrupção da gravidez não punível
1 - Não é punível a interrupção da gravidez efectuada por médico, ou sob a sua direcção, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mulher grávida, quando, segundo o estado dos conhecimentos e da experiência da medicina:
a) Constituir o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida;
b) Se mostrar indicada para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida e for realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez;
c) Houver seguros motivos para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de doença grave ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, comprovadas ecograficamente ou por outro meio adequado de acordo com as leges artis, excepcionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo;
d) A gravidez tenha resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas.
e, para concluir, deixo-vos com um argumento legal muito bem escrito que li num blog que recomendo lerem:
por isso tudo meus amigos, apelo a um voto consciente no NÃO, no dia 11.
Acima de tudo porque é um voto sobre a desresponsabilização dos cidadãos. Se eu tenho relações sexuais sem me proteger devidamente tenho que estar consciente que existe a possibilidade de engravidar ou de contrair uma DST. O que querem é tornar o aborto em mais um metodo anti-conceptivo adicionando a seguinte clausula na já existente lei.
e) porque lhe apetece preferir matar uma vida já criada em detrimento de a criar com amor, sacrificio e responsabilidade. Porque é mais facil...
(este é um espaço aberto ao dialogo, mas peço que o façam de forma civilizada... obrigado e abraço a todos!)
à espreita
há mais uma razão de mim
à espreita
há mais razões de nós nos habitarmos
em pleno salto
a sangue-frio
a poupar palavras
e a cansar os braços.
espreito à espreita
de mim
a encontrar todas as razões
que apenas existem para justificar.
eu espreito o meu corpo
o teu
os ramos das árvores
para que qualquer céu se pinte mar
e escorra água
e algas
e sede.
sobrevivo a espreitar em nós a vida
e as razões
e os plenos saltos
para que em plena praia
da nossa existência
perfeita –
nos amemos…
e continuemos
à espreita.
de Francisca Augusto

conception by Sue Anna Joe
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(bravissimo... este é um poema fantástico que faz na estreia a tua escrita prometer muito... ficarei à espera de mais, por isso envia!)
Já mal me recordo das noites em que o sangue fervilhava
E nos moldávamos como barro nas mãos de um oleiro universal.
Como dois troncos de oliveiras centenárias que, torcidos, se entrelaçam.
Tacto. Espasmos. Asas.
Somos um poema por terminar.
Não! Não podemos ser um poema, somente um amontoado de versos indecifráveis.
Talvez sejamos dois gatos em sétima existência. Esgotámo-nos!
E a água gelada cai de onde menos esperamos.
Tentas semear-me…
Mas na terra infértil que sou nascem apenas cactos
E os espinhos atravessam-me a alma.
«Não te demores…»
Uma guilhotina de prata amputou-me as pernas.
Quero-te. Mas não consigo caminhar até ti.
Conheces o aroma das horas quando a espera se estilhaça em mil cacos?
Conheces-me?
Tenho frio. O meu peito é um bloco de gelo com arestas cortantes.
Duro. Pesado. Imóvel.
Posso dar-te as mãos? As minhas mãos estão quentes, ainda.
Exibem as cicatrizes dos rasgos por onde fugiu a minha inocência.
Estendo-as para ti, mas não as vês…
Ainda que o acaso nos negue, permaneço.
Dás-me as tuas mãos?
Sabias que matei um homem?
Empurrei-o para a frente de um comboio de saudade. Morreu desmembrado.
Porquê? Porque sim.
Conta-me… Diz-me como são as tuas mãos…
Desmembrado, não consigo poetizar-te as mãos.
Não sei se sou deus ou o diabo.
Serei as sílabas de uma palavra por inventar?
Talvez não passe de uma criança confusa.
Um objecto sem utilidade.
E gente? Não posso ser gente?
Por cada folha que te escrevo morro um pouco mais… sabias?
As folhas que te escrevo são rasgadas num gesto brusco de dentro de mim.
Rasga-me cada palavra; cada sentimento.
Quero parar de te escrever.
Continuo a escrever-te.
Odeio-me.
de Gonçalo Nuno Martins

untitled by Rene Asmussen
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(obrigado Gonçalo por este poema fantástico, é uma boa estreia aqui e espero que seja o primeiro que muitos que envies. Abraço)
Antes não ser
Que ser estas mãos de pedra rudes
Que nem as minhas lágrimas mais aparam
Ou as estrelas que mergulham ardentes
Somos as pessoas que as pessoas não reparam
O tempo em vão à espera que mudes
O tempo são de enlouquecer
E afogar na multidão de sorrisos dementes.
Onde te sentes só.
Antes não ser
Morrer quebrado como as ondas desfeitas
Viver em vão como se tivesse talvez amado
Rasgado como um jornal do dia anterior
Eu que fui tantas vezes somado
E os homens são a soma dos defeitos
Por isso que resultado irei obter?
Feitas as contas ao amor
E desfeito o amor em pó.
Antes não ser
Do que fingir tingido um dia ter sido
No cartucho oco da aparência
Nas mascaras que usamos todos os dias
Jaz morta toda a inocência
Agora que está tudo tão perdido
O melhor será morrer
Enterrar na vala comum das fantasias
O que o tempo tritura na sua mó.
de João Natal

alone by Dave M
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Não sei se consigo
Morrer logo depois da morte
E se ela não morrer
Então matar-me-ei!
Antes do primeiro anoitecer
Não sei se consigo
Esperar a morte de quem mata
Esperar o amor de quem nasce
Mesmo que esperar fosse contigo
Na cara os primeiros socalcos
Árida a terra que os acolhe
São sulcos que fazem vida
No fim a morte que os recolhe
Continuo sem saber se consigo
Acolher nos braços a mágoa
Da sombra ingénua da pia
Nos primeiros pingos da água
Não, não, não consigo
Esperar a inquietude do alto
Das lágrimas que não me lembro
Um bocejo nas veias do planalto
-Consegui!
Apertado pelas paredes da vala
Orgulho próprio de um arlequim
A primeira gargalhada do fim
Do dia
Da noite
…da vida
por Nuno René

Mysterium Iniquitatis by Natalie Shau
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(um belo poema que envias amigo... adoro a escuridão da tua escrita, abraço)
Sobre um leito de um amor que arde,
na fogueira de nossos corpos em chamas,
Onde nossas almas se esquecem da vida
nesse palco, de pouco espaço,
Sem alarde...
Desfrutamos os nossos melhores segredos
E em doces entregas,
escrevemos os nossos enredos
Nossos corpos se encaixam em um bailar aconchegante...
em um corpo a corpo delicioso,
ao som de um amor-amante...
Nossas bocas vermelhas, pelo rubor da ânsia
que se consomem em banhos de salivas...
nossas línguas, se entregam a um gostoso balançar
Sinto você inteiro! O teu coração, acelerado...
denuncia o teu desejo
e o teu suor, que escorre pelo teu corpo
Que vem do calor, do fogo da paixão!
Nesse momento... meu corpo exala emoção!
E as horas, não passam, foram abolidas...
E nossas dores, esquecidas
Sinto... o meu corpo, já perdido para você
Te peço, que me castigues...
E vejo...
o quanto és obediente...
Que tens atitude
E assim, segues o meus pedidos
Em perfeição!
Seus dedos ágeis, percorrem meu corpo
Escolhem os melhores lugares, para agir...
Já dominaste corpo e coração
E eu que não sei fugir?
Me entrego como uma fêmea
Com a curiosidade de menina
Desnudas a minha alma feminina!
Nos seus braços, esqueço o mundo lá fora
Entro na tua alma... e me fecho por lá...
Encontro nela, o meu sustento...
Meu amor, pode jogar as chaves fora...
(Não me mandes embora....)

Sun. II. by Eugeny Kozhevnikov
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(uma poesia diferente com tons quentes e sensuais do outro lado do Atlântico)
Como tinha prometido, em 2007 o Poetry Café irá recomendar filmes que eu, na minha opinião muito pessoal, acho recomendaveis, apenas porque acho que há filmes imbuidos de muita poesia e porque sendo o café um espaço de partilha, aproveito para vos confessar uma das minhas paixões, o cinema. Serão aceites reclamações mas não devolvo dinheiro do aluguer do DVD a ninguem... estão avisados... espero que gostem... abraço!

Odete
(2005)
de João Pedro Rodrigues
Este é um filme estranho, mas muito marcante. É um filme que fala acima de tudo de amor, de loucura, de obsessão e de fantasmas. As melhores palavras que encontrei para o descrever foram "uma fábula sobre a pluralidade do amor" (Cinema2000.pt, 27-5-2005 / João Lopes).
A história começa com um beijo de dois rapazes numa rua nocturna de Lisboa. Um beijo de despedida seguido da morte de um deles. Um amor abruptamente interrompido pela tragédia. Ao mesmo tempo outra história se desenlaça, a de Odete que é vizinha do rapaz que morre e que sonha ter um filho e, na obsessão de o conseguir acaba por perder a relação que tinha. Da perda de ambos e na obsessão de ambos está o ponto comum que os une. A loucura essa, pauta todo o filme. Uma loucura desmedida na dor da perda e no sentimento de substituição.
Vi o filme sem tabus. Sendo heterossexual não me pareceu que o filme fosse de algum modo ofensivo à homossexualidade como encontrei opiniões nesse sentido na internet. Aliás não vi sexualidade no filme. Acho que defende o amor como um estado etéreo e acima de corpos, apesar das cenas físicas que contem.
Tem uma banda sonora muito bem conseguida, uma boa fotografia e um argumento original. Prima igualmente pela ideia exacerbada de romance trágico, com muito do filme a rodar à volta de uma campa e com fantasmas presentes... sejam eles entidades ou simplesmente fantasmas pessoais.
Recomendo o filme pela nova maneira de fazer cinema em português, que acho corajosa e muito admirável. Acima de tudo recomendo porque é bom ver um filme longe do aparato oco de Hollywood. E é muito bom quando um filme nos faz pensar, falar, discutir sobre ele. Sobretudo porque uma coisa não nos deixa, e isso é, indiferentes.

clicar abaixo para a letra desta música fantástica:
A Perfect Sonnet Lyrics
Lately I've been wishing I had one desire
something that would make me never want another
something that would make it so that nothing matters
all would be clear then
but I guess i'll have to settle for a few brief moments
and watch it all dissolve into a single second
try to write it down into a perfect sonnet
or one foolish line
'cause that's all that you'll get so you'll have to accept
you are here then you're gone
but i believe that lovers should be tied together
thrown into the ocean in the worst of weather
left there to drown
left there to drown
in their innocence
but as for me i'm coming to the final chapter
i read all of the pages and there's still no answer
only all that was before i know must soon come after
that's the only way it can be
so I stand in the sun
and I breathe with my lungs
trying to spare me the weight of the truth
saying everything you've ever seen was just a mirror
spent your whole life sweating in an endless fever
now you're laying in a bathtub full of freezing water
wishing you were a ghost
but once you knew a girl and you named her lover
danced with her in kitchens through the greenest summer
autumn came, she disappeared
you can't remember where she said she was going to
but you know that she is gone 'cause she left you a song
that you don't want to sing
singing I believe that lovers should be chained together
thrown into a fire with their songs and letters
left there to burn
left there to burn
in their arrogance
but as for me i'm coming to my final failure
killed myself with changes trying to make things better
ended up becoming something other than what I had planned to be
now i believe that lovers should be draped in flowers
and layed entwined together on a bed of clover
left there to sleep
left there to dream of their happiness
Um mês de primavera
Poderia ser como tantos outros
Com sons de pássaros que alegremente saúdam ao sol,
Risos soltos no ar,
Olhares cúmplices... apaixonados...
Poderia apenas ser mais uma primavera:
Com suas flores, tornando multicoloridas as paisagens
E envolvendo a todos em uma atmosfera onde o perfume
Torna-os ébrios... numa felicidade quase irracional.
Seria apenas mais um final de outubro....
Mais um início de novembro...
Seria possível continuar a contagem do tempo de acordo com o calendário
Esperando somente a sucessão dos dias.
Crendo que o dia que amanhecesse
Sempre seria melhor que o anoitecer anterior...
Porém, este mês de primavera, trouxe consigo algo mais
Mais que simples mudanças de temperatura...
Mais que cheiros adocicados,
Trouxe poesia...
Esperança...
Vida...
E um colorido diferente...
Não aquele proporcionado pelo vestido de flores da natureza
Um perfume sem igual... um miríade de aromas...
Indescritível com simples palavras
Trouxe também canções... que ficam soltas no ar...
Embalando doces sonhos...
Trouxe-me você
Que sempre esperei...
Por quem sempre chamei, mesmo desconhecendo seu nome...
De quem sempre senti saudades, ainda que jamais o houvesse visto...
A quem desejava a cada madrugada silenciosa,
Fechando os olhos e em forma de prece
Fazendo pedido às estrelas que cortavam o céu...
Declarando o quanto precisava de você
Até que chegou e trouxe a tão esperada primavera em minha vida....
de Êydi Bomfim

where the wild roses grow by marília campos
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(um texto muito bonito sobre o amor... obrigado amiga pela tua contribuição, espero que envies mais)
Olá amigos...
Sim, não é um problema de oftalmologia... o Poetry mudou sim o seu look. Como o tempo não é muito, retomou numa iniciativa muito "retro" o aspecto de há 3 anos atrás, com algumas modificações e melhoramentos, claro.
Mas a chavenazinha à antiga e o ar selecto da letra cinza-prata estão de volta.
Espero que a frequência com que eu actualizo o blog também. É como vos digo, é promessa de 2007 uma maior actividade.
Igualmente aviso que apesar da minha conhecida filiação politica de esquerda que promoverei algo neste espaço que representa a minha mais profunda convicção pessoal. Quando o fizer o espaço será aberto à discussão saudável. Todos os comentários serão bem-vindos desde que não ofensivos e não farei qualquer censura de opinião, apenas defenderei acerrimamente as minhas convicções.
Para todos os meus votos de um 2007 cheio de coisas boas, muita poesia e votos conscientes com muita participação cívica.
Abraço!
Está frio, faz vento e chove intensamente. O Inverno chegou em todo o seu esplendor! De aquecedor ligado, vou aproveitando o que as noites longas têm para oferecer. Um bom livro e uma música suave, servem-me de companhia.
Ouvir a chuva lá fora, o vento soprar, sempre me dá uma sensação extra de conforto, entregue ao descanso merecido depois do dia de trabalho.
Mas há dias, como hoje, em que tudo me parece incompleto, distante e frio, o calor da sala não me conforta, a musica não me preenche e a tempestade invade-me, junta-se à solidão como o vento fustiga as janelas.
Há dias, como hoje, em que tudo isto me dói.
De nada serve todo o conforto do mundo se ao nosso lado não está ninguém para o partilhar!...
de Paulo Sousa

rainy nights by Keith Goldstein
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(ler este teu pequeno texto dá-me vontade que esteja a chover lá fora... maravilhoso, amigo... maravilhoso...)