fevereiro 27, 2007

tanto (a)mar

tenho a certeza de que vou morrer no mar. ninguém acredita. nem sequer tu, mesmo embriagado pelo terceiro charro do dia. estou tonta. não sei se é efeito do cheiro da erva se da tua mão entre as minhas pernas. as gaivotas parecem-me aviões. um esquadrão a sobrevoar a praia. ris e concordas. mais uma foto do céu, tirada com o telemóvel através do pára-brisas. digo-te que olho as nuvens em busca de forma familiares. mas minto. já não tenho esses devaneios infantis. mudo de conversa. ajeito o vestido. aproxima-se um carro. e nós aqui, armados em exibicionistas. falas do que sei e não quero ouvir. estragas tudo. tens esse dom maldito de me trazeres de volta à realidade. apagas-me o desejo. meto a marcha-atrás. já não quero partilhar o mar contigo. apenas a morte.

de Alexandra Gil

leave the sunset behind by Nuno Peixoto Branco
copyright of the photographer

(e o que dizer de mais este teu texto amiga... cada vez mais gosto de te ler. Beijinhos e vai continuando a enviar o teu trabalho tão cheio de talento)

Publicado por D_Quixote em 01:31 AM | Comentários (6)

fevereiro 22, 2007

Perenidades...

E foi ali
atolado naquele sofá, ouvindo acordes pernoitados da espécie humana nas cordas de um instrumento,
que despertou para os pedaços de pele que se descolavam
aos poucos
para caírem no abismo interminável de escuridão preenchida pela

pausa.

no chão............................. ainda,
qual seria a sensação de ter saltado daquela janela enchida pelo Tejo?
imaginando-a quatro andares cravados no céu
e no tempo insustentável que demoro a ter-te neste reflexo
da janela da carruagem.
deixando-me matar pelo tempo e pelo túnel escuro que percorro aqui sentado.
Uma vida inteira tocada pela tua pele morna.

Não quero continuar a escrever,
prendo a caneta nos dedos e assim incham imóveis
enjoados pela dormência cega dos néctares azedos
que sobrevivem nos olhos sufocados de um fumador de ópio perdido num pesadelo em mandarim...que não entende
conversando contigo num prado florido, junto
de moinhos que ainda funcionam
de palavras que ainda significam
e de memórias que ainda se deixam inventar pela saudade.

de Ricardo Lopes

Lágrimas indizíveis by Álvaro M. M. Pereira
copyright of the photographer

(este texto está formidavel Ricardo... gostei imenso, sobretudo pela envolvência do texto que se entranha na retina à medida que se lê... parabens e espero que envies muitos mais iguais a este. Abraço!)

Publicado por D_Quixote em 12:41 AM | Comentários (6)

fevereiro 21, 2007

Carência

É frustrante...
Procuro mas não encontro
E encontro o que não procuro
E entretanto...
Á meia-noite em ponto
As doze badaladas soam no escuro
Permanece tudo na mesma.
Continuas incógnita no fumo
Continuo sem sentir as mãos rugosas
E não vai ser um poema
Que vai desinfectar o choro
Ou aquecer o sangue nas vias venosas...

de Daniel Afonso

untitled by Gonçalo Claro
copyright of the photographer

(obrigado amigo por este poema... é bom ler poemas destes em dias de chuva e vento. É como se consolassem a alma enquanto vemos as gotas na janela. Foi boa esta segunda participação, ficarei à espera de mais. Abraço!)

Publicado por D_Quixote em 01:17 AM | Comentários (0)

fevereiro 19, 2007

Sem ti

Sem te ter a meu lado
Nada nada na vida faz sentido.
Tudo me parece oco, vazio.
Tudo perde todos os dias o significado.
Sem a tua mão na minha
O mundo parece grande demais para mim.
Sozinha,
talvez não conseguisse percorrer os mesmos caminhos
que contigo percorro,
talvez não sonhasse os mesmos sonhos
que contigo sonho,
talvez este "talvez" não existisse.

Sem o teu sorriso espelhado no meu olhar
Sei que o mundo já não teria o mesmo brilho
E que a tristeza acabaria por me domar.

Se sem ti, sem a tua mão e sem o teu sorriso
Sou pouco mais que nada,
contigo, com o calor da tua mão e com a beleza do teu sorriso,
o pouco mais que nada passou a ser um pouco mais que tudo.

de Viviana Leitão

Unlovely Baby by Natalie Shau
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(Obrigado Viviana por este poema sincero e lindo... espero que esta seja a primeira de muitas participações aqui no café. Jinhos.)

Publicado por D_Quixote em 12:25 AM | Comentários (3) | TrackBack

fevereiro 16, 2007

TATUAGEM

marca minha pele, o teu olhar.
como tatuagem veste-me o corpo
de um brilho que só a ti responde,
se tocado no sensível

nem há vergonha, nas entranhas.
ao toque dos teus dedos vibram
como um piano, signo colorido
a fazer-se água

e há o preto, e o branco da alma
[que te aguarda]
para ser aquarela

vermelha, amarela, azul.

de Sónia Regina

EROGLYPHICA. PS. by Eugeny Kozhevnikov
copyright of the photographer

(mais um poema lindo e inesquecivel dos teus amiga! Obrigado por continuares a acreditar no projecto e a contribuir com a tua poesia. Beijinho.)

Publicado por D_Quixote em 12:29 AM | Comentários (3) | TrackBack

fevereiro 14, 2007

Feliz dia dos namorados

Eu sou teu

Porque o ídolo é a tua face
Eu tornei-me um devoto
Porque o vinho é da tua taça
Eu tornei-me um embriagado
Na existência do teu amor
Eu tornei-me não existente
Esta não existência em ti
É melhor que todas as existências

Por detrás das cortinas

É a tua face que adorna este jardim?
É a tua fragrância que intoxica este jardim?
É o teu espírito que fez este riacho um rio de vinho?
Centenas procuraram por ti e morreram à procura neste jardim
Onde te escondes por detrás das cortinas
Mas esta dor não é para aqueles que vieram como amantes
Tu és fácil de encontrar aqui
Tu estás na brisa
E neste rio de vinho

À procura da tua face

Desde o inicio da minha vida
Eu procurava a tua face
Mas hoje eu vi-a
Hoje vi o encanto, a beleza, a imensurável graça da face que eu procurava
Hoje eu encontrei-te
E os que se riam e gozavam ontem de mim
Estão arrependidos de não te terem procurado como eu fiz
Eu estou esmagado pela magnificência da tua beleza
E desejo ver-te com cem olhos
O meu coração arde de paixão
E procurou desde sempre esta beleza estonteante que agora observo
Tenho vergonha de chamar a este amor humano
E medo de Deus para lhe chamar divino
A fragrância do teu sopro como a brisa da manhã
Chegou à tranquilidade do jardim
Tu respiraste vida nova para dentro de mim
Eu tornei-me o teu pôr-do-sol e também a tua sombra
A minha alma grita em êxtase
Cada fibra do meu ser está apaixonada por ti
O teu brilho acendeu um fogo no meu coração
E tornaste radiante para mim a terra e o céu
A minha flecha de amor chegou ao alvo
Estou na casa da compaixão
E o meu coração é um lugar de oração

de Rumi
(para ti meu amor)

PERSIAN LOVERS IN MY DREAMS by Horizon
copyright of the photographer

(Rumi foi um poeta Persa do século 13, um dos mais talentosos que existiu... para alem de poeta era mistico Sufi... defendia que todas as relegiões eram válidas, que Deus é amor e que a melhor maneira de rezar e comungar com ele é fazendo poesia, dança, música... tudo o que fale e louve o amor... esta filosofia de vida tocou-me o coração e mudou-me profundamente, espero que vos toque tambem! Abraço!)

Publicado por D_Quixote em 01:07 AM | Comentários (5) | TrackBack

fevereiro 12, 2007

quem ganhou?

Decidam por vocês quem é que ganhou e o quê com este referendo... de momento este blog está triste e temporáriamente encerrado de luto. Que o futuro não me venha a dar razão em tudo o que disse... abraço a todos.

Publicado por D_Quixote em 12:37 AM | Comentários (6) | TrackBack

fevereiro 08, 2007

Parabéns

Se fores escolher a escolha mais acertada no próximo dia 11, aqui ficam os meus prévios parabéns... juntamente com algo para, como sempre, reflectir.

Publicado por D_Quixote em 12:35 AM | Comentários (2) | TrackBack

fevereiro 05, 2007

Inflamável

(hoje reedito este poema apenas para agradecer à Pecadora a sua divulgação e para lhe dar os parabéns pelo contributo tão positivo que tem na nova escrita erótica em português)

Esse teu toque quente dos teus dedos
arde e queima na minha pele suada,
quase como palha seca incendiada,
neste fogo aceso dos nossos medos.

Mas entre nós não há nunca segredos,
há só mesmo uma chama intensa ateada
que arde como seara ardente queimada
no contraste de beijos doce e azedos.

E quando respiras na minha pele
nem nenhum de nós dois escapa ileso
nesse teu incêndio que nos domina.

Eu fico em brasa tal como papel
com esse teu beijo fósforo aceso
neste mar imenso de gasolina.

de João Natal

Silence #6 by Gabriele Rigon
copyright of the photographer

Publicado por D_Quixote em 12:45 AM | Comentários (2) | TrackBack