escrevera muitas e muitas cartas ao marido que andava nos submarinos. ele nunca as recebia a tempo de responder às questões que se impunham no momento. então decidira mandar-lhe poemas de amor. despertara assim para a poesia. quando o marinheiro partiu para sempre, fez um luto prolongado. agora que algo mais profundo que o mar os separava, decidira parar de escrever. em vez disso, passava os dias a reler as mensagens que ele guardara na escrivaninha do escritório. as cartas banais que começavam com um como estás e se estendiam em narrativas de episódios do quotidiano. e as outras que culpavam a guerra de tantas pausas naquele amor. e contavam, em versos sem rima como cresciam os filhos e a saudade. até que um dia alguém lhe disse que bastava. que aquelas penosas leituras não o trariam de volta. que era hora de deitar fora a roupa negra e queimar as folhas de papel. cansada, acedeu. e recomeçou a escrever poemas de amor.
de Alexandra Gil
(à minha colega de curso de escrita que escrevia poemas de amor ao marido nos submarinos. e assim despertou para a poesia. uma das estórias mais breves e mais bonitas que ouvi nos últimos tempos, aqui acho que com uma pitada de ficção)

All I leave behind by Ana Cruz
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Lá fora a noite já cai, mais um dia que passou e eu sem dizer o quanto te amo… acerca-se a escuridão ao meu mundo, onde já nem as estrelas conseguem abrir passagem, tão negro eu me encontro. As saudades que eu tenho da luz que tu me transmites são tantas que sinto o desprezo da minha falta de coragem a envolver o meu ser de dia para dia… se tu soubesses o quanto esse teu olhar me cativa… como dizer-te que és a rainha dos meus sonhos, aquela que me dá razão para viver mais um dia, mais uma noite, apesar de escura e sombria, onde o medo de te perder está sempre ao virar de cada esquina! Queria sair deste abismo que me atormenta a alma e me torna tão carente de ti que até dói… tenho medo, estou á beira da falésia e não tenho para onde fugir… sinto que me torno um consumidor nato de tristeza onde a melancolia é o meu ópio… a solidão começa a tornar-se tão evidente que já consome parte do meu corpo e acima de tudo do meu espírito… o meu mundo não passa de um grande mal entendido para o qual a solução se esconde. Basta um som, uma canção, para me lembrar de ti e sentir uma irremediável vontade de chorar… gostava que o tempo parasse por instantes, enquanto o sol inunda alguns breves momentos da minha vida, tu dirias que eu fazia parte dos teus sonhos, trocávamos carícias… depois tudo podia voltar á normalidade, e então sim, podia dar o passo seguinte na falésia em que a minha vida se transformou…
Dou por mim acordado, algo me prende a este quarto de paredes frias e faz com que não me consiga levantar… busco uma reserva de forças não sei onde e preparo-me para mais um dia de escuridão... não me importo, neste andamento o fim está próximo, e… a dor é tanta que o aguardo como se tratasse do momento mais feliz da minha vida!
de Nino Carvalhais

Шанхай. Дежа вю. by Eugeny Kozhevnikov
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(mais um uma pequena obra de arte do Nino, obrigado amigo pela qualidade e excelência ao qual já nos habituaste. Aquele abraço)
Sinto-te... distante!
Como se eu não existisse,
como se eu nunca estivesse
próximo...
Mas eu estou perto, estou aqui,
infeliz... estou só!
Aquilo que eu preciso,
nem está em ti, talvez...
Mas não consigo pensar a vida
sem que tu me dês algo,
que eu preciso.
Não existo, só existo, no fim de ti...
Tu, que estás longe de mim,
longe dos meus limites,
tocada, mas não usada,
próxima, mas separada, afastada,
longe de mim...
de Dom

Só pra dizer by Devaneios PurpurA
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(belo poema para te estreares no café... espero que envies mais. Abraço)