junho 19, 2007

Terras Sonhadas

Na terra dos sonhos não manda a vontade
Comanda o desejo e governa a eteriedade;
Na terra dos homens, onde tudo é real,
Não existe o desejo e o sonho é essencial.

Porque sonhar é de facto a suprema liberdade
E o corpo é divinamente prisional;
Porque se em vida se tem materialidade
Fazemos da distância arma fatal;

Que não tem a lonjura importância
No afísico mundo imaterial,
De onde somos arrancados p’rá infância.

Que esse mundo não existe na verdade
E o nosso existe tanto como esse tal;
E que tudo são sombras é a verdade celestial!

de José Vieira

(obrigado José por este poema fantástico que nos faz sonhar com outros tempos)

lost by Devaneios PurpurA
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Publicado por D_Quixote em 04:40 PM | Comentários (6)

junho 13, 2007

as larvas

tu devoravas avidamente os meus medos
e eu afogava trágico nos teus cabelos enredos
e esquecia-me do mundo

e esmagavas como larvas os dias azedos
que afastavas num gesto mágico de dedos
e eu caía mais fundo

agora somos dois monstros disformes
perdidos em demandas e errandas enormes
em busca de ti e de mim

e por muito que depois as contornes
a realidade serão sempre as normas conformes
sem tempo e sem fim

e as larvas
as larvas são tudo o que nos resta
e tudo o que nos leva
para longe daqui...

de João Natal

MirrorMask: If I apologise

Publicado por D_Quixote em 04:29 PM | Comentários (7) | TrackBack

junho 07, 2007

DESANIMO

Agora, o Sol brilha sem ânimo.
O calor que supostamente sinto, não é mais que uma sombra que baila sozinha
no meu corpo sensível.
E então, quando dou conta do desejo que sinto em encontrar-te, em tocar-te.
Essa sombra ganha par de uma saudade que existe para persistir.
Eu assisto a esta valsa como quem tenta saborear explicações inexistentes.
Depois o Sol põe-se.
O Sol põe-se para dar lugar a uma Lua que não escapou aos tentáculos do
desânimo.

de Guilherme Monteiro

(obrigado Guilherme por este poema, foi a forma perfeita de te estreares aqui no café... desculpa o atraso enorme na edição e espero que este seja apenas o primeiro de muitos poemas! Abraço!)

Инсомния. by Eugeny Kozhevnikov
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Publicado por D_Quixote em 11:52 PM | Comentários (3) | TrackBack

junho 05, 2007

como um entardecer

escrevo num texto inacabado a flor por inventar
ávida por ser sorvida, de sentido penetrada
e construída em cada pétala caída do olhar
desvelado, solta no silêncio que meus seios
inventaram nesta nudez em que me encontro
sem a sombra dos teus lábios

da parede escorreste ao chão, píramo,
e me bebeste em minha liquidez
nascente secreta, dádiva em ondas
despidas de convenções

à volta do teu corpo sem qualquer eixo
roda o meu, e é tão íntima a colheita

toca-me à noite, gaivota violada
na estrada do tempo sem refúgio,
aquece-me ao sabor desse vento
que me faz praia clandestina
marcada de memórias, veste-me
de música sem recato, cúmplice
me desafia em cada sílaba
de maresia com teu cheiro
longínquo, fascina-me cada gota
até que a concha seja margem
pro teu beijo e pérola se revele
num “arco-íris do desejo”[1]
em qualquer parte do teu mar

eu, tisbe louçã, que sem ti sou só retalhos
de identidade, como um entardecer ávido
por de novo ser manhã

de Sónia Regina

[1] Augusto Boal
(obrigado amiga por mais um poema tão lindo e tão teu.)

*** by marília campos
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Publicado por D_Quixote em 08:19 PM | Comentários (3) | TrackBack

junho 03, 2007

um triste olá e um pedido de desculpas

Olá amigos...

já todos se devem perguntar o que terá acontecido ao Poetry recentemente. Bem, aqui vão as explicações e o meu sincero pedido de desculpas.

Há uns dias atrás o disco do meu computador avariou... perdi absolutamente tudo o que tinha no disco... comprei um disco novo... horas e horas seguidas a instalar tudo de novo e... quando já tudo parecia querer regressar à normalidade... na quinta feira, às 19:30 em Espinho, junto ao mar, na rua 8, deixei o meu carro estacionado, depois de um dia de muito trabalho no escritório... corri 15 minutos e, quando regressei ao carro, tinha a porta do condutor estroncada... levaram-me as calças, com dinheiro e o meu telemovel e, para muita mágoa minha, quando fui ver a mala, tinham-me levado igualmente o meu computador.

Agora demora até à normalidade ser reposta... vou regressar às edições do poetry no computador do meu querido irmão, até ter possibilidades de comprar um computador novo.

Espero agora regressar à actividade e ao habitual esquema de um poema por dia, mas peço-vos paciencia pelas demoras e pelos atrasos.

aquele abraço... hoje bem triste

Nuno

(p.s. - se virem algum arrumador a vender um compaq evo-800, cor preta... era meu...)

Publicado por D_Quixote em 09:46 AM | Comentários (8) | TrackBack