Quão vão
são esses
que não sentem
Quão vão
são esses
que não amam
Quão vão
são esses
que emergem
tempo e corpo
sem alma
Quão vão
é o oceano assim
para esses
sem vida
de Francisco Marques
(quão vã e a vida sem poesia como esta para iluminar o coração... obrigado Francisco pelos poemas... pouco a pouco estarão todos por aqui nas mesas. Abraço)

Alone by khimaereus
copyright of the photographer
Passeamos dentro dos segredos,
Revelando as nossas emoções,
Escondendo as verdades e os medos,
Suspirando pelas sensações.....
Sinto-te pelos vidros invisiveis,
Pensamento descalço da minha alma,
Fecho os olhos e oiço-te,
Ardor frio... De onde virá a calma.
Abro os olhos e penso sozinho,
No mundo das verdades impossiveis,
Da utopia dos sentidos,
De quem olha, te vive, te ama,
Pelos teus pensamentos perdidos.
de Jorge Leite
(fizeste muito bem em deixar aqui este poema em cima de uma das mesas Jorge... escreves muito bem e este poema tem uma musicalidade própria que quase que dá para o cantar ou assobiar... obrigado por o trazeres para o café. Abraço!)

You by Lady-Dementia
copyright of the photographer
Sim saudades, não daquilo que fiz mas daquilo que não fiz
Queria beija-la
Queria abraça-la
Queria ter sentido o calor da sua pele
O cheiro do seu perfume misturado com o odor quente da sua pele morena
O cabelo preto e brilhante por entre os seus dedos;
A sua língua húmida e quente na minha boca ávida de beijos,
dos seus beijos
Os seus lábios delineados e macios
a lutar por um lugar entre os meus...
Mas não o fiz...
de Rui Rocha
(olá Rui, desculpa pela demora na edição e obrigado por este poema tão quente e saudoso. Fico à espera que envies mais. Abraço!)

untitled by Yuri Bonder
copyright of the photographer
Gostava de entender mas não consigo, o que será este vazio que me acompanha na penumbra dos tempos? Será a tua falta que se faz sentir, os teus carinhos, ou é apenas uma lembrança que se manteve viva através dos tempos? Será o mundo que os teus olhos me mostram? Sabes, sempre que olho fundo neles vejo prenúncios de uma vida repleta de conquistas. Não, à muito que o teu olhar se tornou frio e silencioso como que coberto por um espesso nevoeiro. Quero tanto perceber, mas não encontro maneira… sinto que olhas para mim a todo o instante mas não te consigo ver… será que amar não é para mim? Sinto o coração como que uma folha de papel amarrotado, feito em cacos, onde não existem palavras nem pontuação… apenas uma folha branca à espera de ser preenchida por ti, por um novo começo, sim, porque a vida é feita de novos começos… de novos amores, quem sabe! As tuas sonoras gargalhadas não me deixam, ecoam em constante harmonia na minha cabeça, como se de uma bela sonata se tratassem. Não me quero dar como derrotado, descrente da vida, de ti... hoje não! Vês, afinal não sou só tristeza, sou também esperança. Aqui sentado murmúro o teu nome com os meus lábios semicerrados, dormentes, secos, como se de um longo deserto se tratassem… quem sabe, serás tu o meu oásis, aquela que me pode transportar o elixir que me vai dar novo alento a este meu corpo que se encontra em decomposição, prestes a rachar com o mais subtil dos ventos. Fecho os meus olhos, trago a mim a tua figura... não sei se isto é amor, e, apesar de tudo, sinto-me bem, pois… eu estou aqui, tu estás aí, e… bem, temos a vida pela frente!
(mais um texto fantastico do nosso, já consagrado, Nino Carvalhais... aquele abraço)

Shining sky by LunaWingz
copyright of the photographer
se um dia o amor acabar
amiga
quero que isto aconteça
num sábado de chuva
enquanto desço da feira da ladra
até alfama
e dentro de mim surge
uma ilha escondida que eram
os teus olhos
só então poderei
num espasmo de alegria
quase extática
andar apagando com o meu olhar
a rua os pedaços do rio
a cidade toda
só então poderei
dizer-te
adeus e obrigado
e um gato branco
de uma água-furtada
sorrirá
à minha vida
de Dean Trdak
(mais um poema fantástico deste poeta croata que ficou com uma costela, bem genuinamente portuguesa... aquele abraço! e mais um obrigado por partilhares aqui a tua poesia.)

costas #12 by Bruno Espada
copyright of the photographer
Objectos curiosos, os espelhos. Diz-se que é possível viver sem eles, mas há-os de tantos tipos..
Espelhos de rua, num mercado oriental. Todos juntinhos, reflectem quem passa. Finge-se que nem se dá por eles. Que pena não tirarem fotografias, assim, daquelas tom de sépia. Aposto que as imagens seriam bonitas.
Espelhos de quarto de banho. Não fosse o azar, às vezes dá vontade de parti-los. Brancas, rugas, panças, peitos caídos, nádegas tristes... ò castigo! Máquinas de tempo cruéis...
Espelhos de alcova, os meus preferidos. Testemunhas silenciosas de amor. Há os amantes discretos, que na penumbra se miram de soslaio. Há os amantes despudorados que, com as luzes acesas, se ajeitam para ver melhor. Há os envergonhados, que fingem que nem estão ali. Seja como for, é sempre um objecto inspirador.
Espelhos quase amigos. Aqueles a quem esvaziamos a alma e sempre concordam connosco. Não são sinceros, é certo, mas às vezes sabe bem tê-los por perto.
Espelhos enlouquecidos. Numa discussão, quando o tom de voz se altera e o rubor tinge a face, discutimos, não com o outro, mas com o nosso reflexo.
Espelhos de água. Bonitos, creio que não servem para mais nada.
E todos os outros, aqueles que, claro, são gente. Que nos mostram a exacta medida do que somos. Se carinhosos, se vaidosos, se bondosos, se egoístas, se arrogantes, se inteligentes.. Todos devolvem o nosso gesto, o nosso ser. Só que às vezes enganamo-nos e pensamos que somos outro.
Impiedosos juizes os espelhos...
de Catarina Vieira "Nina sem medo"
(e a tua escrita espelha muito talento... obrigado Catarina por o partilhares aqui...)

picture from the movie Mirrormask