setembro 28, 2007

O lugar mais feio do mundo.

Desculpa,
Abraça-me,
Vi-te chorar,
onde ninguém chora.
Onde o amor sabe mal.
Onde os beijos fogem.
Onde a vida é indiferente.
Onde nada é verdade.
Onde não existe paz.
Tinhas feridas de amar.
Dei-te o meu ombro,
para que pudesses chorar.

de Iuri Gaspar

(um poema fabuloso do Iuri, com um abraço especial a pedido para a Nina e para o Lobo, que espero que fique entregue, pois também faz tempo que não tenho noticias deles. Que a poesia continue a iluminar os vossos corações, amigos.)

no llores mas. by luci-ette
copyright of the photographer

Publicado por D_Quixote em 01:14 PM | Comentários (4)

setembro 25, 2007

Tanto para dizer...

Tenho tanto para te dizer, tanto para te contar… as palavras e os sentimentos sufocam dentro de mim como se de uma chama se tratassem. Desde que te conheci novas formas de vida habitam em mim, coisas estranhas ás quais nunca pensei vir a estar preparado para acolher dentro deste corpo que aos poucos se vai deteriorando… estou dividido em dor e alegria, dor de saber que não me ligas e alegria apenas pelo simples facto de te conhecer… se soubesses como tem sido difícil, o destino trouxe-me até ti, mas depois deixou-me tudo na mãos, assim sem mais explicações e evaporou-se… não seria de prever uma ajudinha? Eu quero-te, mas sei que isso é desejar o impossível, pelo menos por agora. Sorri-o ao passar por ti, mas… porque esconder este desalento, quando o que me apetece mesmo é chorar, deixar que a minha alma deite tudo para fora e assim libertar os espinhos que me atraiçoam o coração… aos teus olhos tudo é beleza, mas o meu interior está cego ou então não quer ver! Não sou forte o suficiente para te esquecer, mesmo sem querer já fazes parte de mim, deste meu ser… queria-te fechar a porta para o meu coração, mas infelizmente tens a chave… sim eu sei que não sabes, mas a chave és tu… perdoa-me eu gostar assim tanto de ti, mas, não somos nós que escolhemos o destino, ele leva-nos, transporta-nos, e muitas vezes sem a nossa permissão… agora é inevitável, não te consigo afastar dos meus horizontes (não consigo ou não quero).

Eu sei que não é o fim do mundo, os pássaros ainda cantam, as flores largam o seu perfume, mas… até quando!!!

de Nino Carvalhais

Kindred Spirit by Lady-Dementia
copyright of the photographer

Publicado por D_Quixote em 09:19 PM | Comentários (2)

setembro 12, 2007

Brisa

Há dias raros
Onde nos embriagamos de palavras raras
E deixamos que nos cubram de véus de linho
Talhados pelas sedes de mãos
Pedaço de Verão com a chuva a beijar-nos os pés
E a descrever-nos espaços por dentro tão maiores que nós.
Queria saber
Como se faz o amanhecer
Se semeia,
Para além de qualquer sentido,
O sentir.

de Carlos Cruz

(obrigado Carlos por este poema, é fresco de diferente e faz-nos sentir. Espero que continues a escrever assim com tanta profundidade. Abraço)

dark abide by orangebutt
copyright of the photographer

Publicado por D_Quixote em 10:44 AM | Comentários (5)

setembro 06, 2007

Pele sobre Pele

penduro-me no extremo do teu sorriso
procuro cair do teu labio inferior
rasgo-te o traço,vejo-o e nao evito
mas o que sinto é pior
tocamo-nos palma com palma
as linhas das minhas maos desembocam nas tuas

enterro-me em ti, escondo-me em ti

tenho a franca sensaçao de as vezes te deixar
como se por momentos me ausentasse de mim
deturpo-me em correr e tactear
como se pelas pontas dos dedos apaziguasse
tudo o que em mim vai mal

logo apos caio e encaixo-me no corpo
descanso por me sentir em casa
e de novo os calores e o desconforto

habituo-me ao cheiro acre que havia deixado subpele
tacteio agora este fato
este vestido de pele que sou
a vida que me segue e persegue
para que desista para que quede
e eu anseio despir-me, romper a pele
iludir o passado para que o presente sossegue

de Vasco Leão

(um poema formidavel, forte e expressivo. Muito bom... gostei e ficarei à espera que envies mais. Aquele abraço!)

The Red Dress by ~madhatter-penguin
copyright of the photographer

Publicado por D_Quixote em 03:06 PM | Comentários (4) | TrackBack