Mais um dia inútil pelo qual tenho de passar… não queria, mas a minha existência a isso obriga, sim porque é preciso fazer algo para manter este corpo mecânico com vida… levanto-me e fico parado perante a janela que me mostra a realidade do que me espera lá fora… o tormento dos dias iguais, mecanicamente consumidos por mim, por esta espécie de corpo… lavo a cara e tento acordar, quem sabe se tudo isto não passa de um sonho, de um enorme pesadelo… como tirar prazer de algo que está “morto” logo à nascença? Como fazer para ter o mínimo de alegria, por me levantar, olhar lá para fora e poder gritar a plenos pulmões, “ Estou vivo… “ A verdade é que sou covarde, queria meter fim a este sofrimento mas não consigo… queria dizer basta, enterrar a faca bem fundo e acabar com esta agonia que dura à tanto e não tem fim à vista… a fraqueza é forte, tão forte que se apoderou da minha mente… Não se iludam, pois não tenho nada contra a vida, apenas não me encontro em sintonia com ela desde à muito… sinto que a cada passo que dou estou prestes a cair num buraco negro, por isso se torna tão complicado avançar caminho, limito-me ao que conheço e não avanço mais, o medo, a cobardia, voltam a infernizar-me o espírito… sinto-me inferior a todos, até aos mais miseráveis… não consigo controlar as lágrimas… se soubesses como queria tanto voar sem ter medo de cair, sem ter medo que as asas não aguentem a minha sede de subir mais e mais… O que me impede de tentar? Tudo! As pessoas, as palavras, os sentidos… sinto-me cansado de mim, este corpo já não me pertence, não me obedece… apenas vive a vulgaridade dos dias que passam, até encontrar um dia, o descanso eterno!
(escuro, sombrio, mas muito bem escrito, como sempre. Aquele abraço!)

Skull I by SilvieTepes
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Acordas o mar com o nascer do sol e adormeces o com a lua
enquanto contas as nossas historias, nossos desejos.
Chamas por nos cada dia para podermos nos sentir mais uma vez
recebes nos com a ternura do teu por do sol.
A Ti confidencio com cada beijo que dou
com cada olhar de desejo que troco,
por quem me quero perder, por quem sonho ter.
A Ti confidencio pensamentos, vontades
com cada toque que sinto na minha pele
com cada suspiro de desejo que solto.
Tu conheces as nossas almas, nossos sonhos, nossos segredos.
... eu sou tua ... e tu és a Nossa Leça.
de Maria Pereira
(aqui está o teu poema Maria... lindo e com cheiro a mar... gostei muito dele e espero que continues a escrever. Desculpa o atraso na edição.)

Maresias #70 by Nana Sousa Dias
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E disseram que estou em paz e o dia vai bem.
A tarde segue a reboque da manhã, a angústia
vai à frente do esquecimento, sem atenção
ao que sei de cor.
Os desenhos que omito, não volto para cortá-los.
Sigo num tempo dado de graça, não há pedágio,
nesse trecho da estrada caminham de mãos dadas
o criador e a criatura, o algoz e a vítima,
a vida que se candidata e a morte que pericia.
Não sei do veto ou da concessão nesse instante
em que esqueço de todo conhecimento para testar
a habilidade específica.
Médio é resultado incompatível com o exercício,
não diferencia ansiedade depressiva de hipomania.
Papéis, carimbos, assinaturas não dizem da lembrança
que expulsa o sono e explode a dor no travesseiro.
Talvez se devesse cercar os leitos com almofadas,
barricadas eficazes contra o frio sol de inverno.
No meu país não há à venda alfinetes de segurança
para prender cobertas nem internet nos computadores
da biblioteca municipal, não há comboios às sete
que levem o amor em campanha pelos trilhos.
Nem fiambre há, no meu país. Há letras esparsas,
Portugal está além do oceano de palavras,
avança pelo Atlântico na Madeira que se faz ilha
e Porto Santo é uma foto e um voto do amigo morto.
A escrita bloqueia o anonimato, citações sem aspas
perdem-se na clareza que arrefece a força do texto
que não se presta a enxugamentos e cresce,
na proporção direta de um dia que se completa
como reservatório que enche sem válvula de escape.
Nenhuma distração faz esquecer dos aniversários
que se comemoram nos últimos dias de cada mês,
na Lapa a história do Portugal vindo e ido brilha
amarela nos sobrados coloniais restaurados.
Não há fado; deles o samba invade a rua, passarela
de pessoas que vão e vem, sem rumo certo.
de Sónia Regina
(mais um poema teu amiga, e o teu café habitual. Beijinhos e obrigado.)

sem título by José Marafona
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