Era verão nos nossos corações
E noite nas terras distantes.
Era a escuridão, como um presságio,
Que descia sobre as palavras
E, morbidamente, dissecava o silêncio.
Já não tenho forças
Para pousar a minha mão sobre a tua
E levar-te a passear naqueles fins de tarde
Nos jardins de fogo suspensos.
Já não tenho forças para partir
Para o país onde ardem tempestades,
Onde todas as crianças sonâmbulas
Vêm adormecer nos meus braços.
Era verão nos nossos corações.
A noite desce sobre mim.
Sou este corpo, quase sem existir,
Atravessado pelo vento.
de Paulo Campos
In “Na Serenidade dos
Rios que Enlouquecem”. Vila Nova de Famalicão,
Ed. Amores Perfeitos, 2005, p. 114

"Time Flows over Me" by ~daYavuz
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(fantástico este poema... tem um misticismo, uma escuridão que me encanta... obrigado Paulo por o teres enviado, desculpa pelo atraso na edição! Ficarei à espera de mais assim!!!)
Espontaneamente repito ideias…
Neste vazio de respostas interminável,
Existem tantas designações possíveis!
Fluxos de barbaridades inquebráveis
Que me transtornam…
Me afastam e me fazem pensar demais.
Começo a pensar me louco…
Numa demasia tão certa,
Que me esgoto… que me enclausuro.
Porquê este desespero impaciente?
Porquê esta ansiosa busca em compreender?
Porquê este descontentamento desumano,
Que me tortura!?
de Carlos Santos

"...alone" by ~nunoramos0
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(tem sido dificil manter actualizado o café, mas é sempre bom regressar com poesia de qualidade, como esta...)