Pensei que seria fácil arranjar o que te dizer,
Agarrar num punhado de palavras sem sentido e compô-las à laia de bouquet colorido de primavera, que bem conjugado, até nem fica mal…
Mas enganei-me… (engano-me em tantas coisas, no que a ti te diz respeito) e logo eu, que tanto gosto de brincar com as palavras, acabo enredada nas sílabas e ditongos em que me escudo.
Pudesse este ser um dos nossos muitos silêncios que acrescentavam cores ao arco-íris e sons às ondas do mar, até que mais nada restasse do que o eco de um abraço e o clarão de um beijo…
Quem bom seria descer a rua e ver-te de novo encostado ao muro, com o Tejo ao fundo e um cacilheiro recortado na luz ténue do pôr-do-sol,
E eu correria em passos lentos de paixão, para me aninhar nos teus braços, com sorrisos de puro deleite.
Mas aqui, onde me deixaste, o Tejo escureceu e o muro há muito desmoronou…
Lá ao fundo, onde as gaivotas se encontravam com o reflexo da luz do sol, as ondas já não vêm beijar as rochas gastas pelos nossos passos,
E o pregão do velhinho que vendia castanhas junto ao cais, há muito que não é mais do que um murmúrio do rio e das estrelas que ouviram as nossas juras de amor.
Não, não são lágrimas aquilo que adivinhas, mas não resisto a fechar os olhos e inventar de novo aquele muro, só para o saltar ao teu colo...
E num impulso, desses que já não me conhecias, atrevo-me a pedir-te que faças o mesmo…
Assim, quem sabe assim, talvez adivinhes tudo aquilo que não te consigo dizer em palavras,
Até porque se calhar, sabes que até nem as há…
de Madalena Castro
(que bela maneira de te estreares aqui... adorei o teu texto, ficarei a aguardar ansiosamente por mais...)

Leaving the city by Jorge Paulo
Copyright of the photographer
Olá,
Estava navegando pela Internet atrás de imagens diferentes e o Google fez com que eu encontrasse seu fotoblog.
Sou brasileiro e, como você, apaixonado por poesia.
Fiquei simplesmente maravilhado com a qualidade do conteúdo que aqui encontrei e pode ter certeza que voltarei mais vezes.
Forte abraço,
Francisco
Afixado por: Francisco Oliveira em agosto 5, 2005 02:35 PMEis aqui (seu blog) um dos bons espaços para repousar horas a fio, imaginação além-mar, poeticamente fascinado pela leveza toda, vôos, palavras, todo o seu Ser sentir. Voltarei amanhã e assim diariamente... ad infinitum...
Afixado por: Flavius Josephus em agosto 7, 2005 11:27 PMEu sei que este é o teu espaço nuno, mas eu gostava de fazer uma sugestão. proponha que o espaço fosse mais rotativo que os textos ficassem um semana, por exemplo em vez de um texto novo 5 poemas. um abraço
Afixado por: lobo em agosto 9, 2005 02:04 PM«silêncios k acrescentavam cores ao arco-íris...» Belísssimos e raros. Bjs e ;)
Afixado por: TMara em agosto 13, 2005 05:42 PMHaver há sempre...por vezes não conseguimos encontrá-las quando mais precisamos. Mas fica sempre a possibilidade de as encontrar-mos bem dentro de nós, com tempo, olhando-nos de frente, sendo apenas sinceros conosco próprios e com elas reconstruirmos as frases que faltaram. Resta apenas acreditar, querer e sentir que o que pensamos perdido ainda existe...
Afixado por: João em agosto 19, 2005 05:06 PM