Se lá fora a chuva que cai,
Fosse o teu olhar enlameado de vida...
E o odor do teu abraço,
Abafasse toda a humidade...
Se o perfume da terra molhada
Se confundisse com o teu cheiro,
E as pingas esguias que caem
Fossem como estrelas
Indicando qual o caminho para te ter...
Se lá longe no horizonte
Houvesse uma fonte de coragem,
Eu beberia até não poder mais!
Se cruzar os dias contra a verdade,
E incendiar os minutos
Em loucuras de pasmas
No sofrimento que teima
Em não querer abrandar...
Se as flores secassem
E os rios parassem
Só para te poder ver...
Se as curvas do sonho
Não fossem meras ilusões,
E se o teu coração
Não tivesse já um trono...
E se a vida não fugisse
E a felicidade não corresse de mim...
E se as tuas palavras
Não humedecessem outros lábios,
E o teu olhar
Não inundasse outra face...
E se o teu querer
Não flutuasse noutra alma...
E se o arco-íris
Iluminasse a minha vida...
E se eu não te amasse tanto
Talvez tu me amasses também...
Talvez eu não te ame mais...
Ou talvez tu me venhas a amar um dia!
Ou talvez eu nunca te esqueça
E sejas sempre o beijo que nunca te dei!
de Armanda Bragança e Teresa Afonso
(uma fantastica estreia aqui no café, destas duas autoras... porque a informção que tenho é de que este poema foi escrito em conjunto pelas duas... que a poesia sirva como uma ponte de amizade e que nasçam coisas tão bonitas como este poema)

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