Pergunto-me quem sejas.
Pergunto-me que faço aqui. A noite não responde. Não sou forte mas tento.
As sombras vêm para me resgatar da tua luz. Eu não quero mas tem de ser. No fundo sei que um abraço teu é um refúgio para estrelas. Abarcas tudo com um gesto, um silêncio infinito. Desejo sempre ser mar para que flutues e não morras. Não morras lentamente, só porque não calculo os passos e os segundos para te amar.
Eu não calculo o amor, é isso. É um mistério tão grande. Tu também. Pergunto-me quem sejas. Só te vi uma vez. Só quis amar o que tu eras. A t-shirt cinzenta que deixaste na minha manhã, perdida e absoluta. Cheia de sol, exposta ao abandono das palavras. À explicação de nada.
És a minha não explicação de tudo. Não respondes? Pergunto-me que faço aqui. A noite já não existe.
de Anna Tomás
(obrigado amiga por regressares com a tua poesia a este sitio)

SleepLess
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Adorei o texto. Parabéns!
Afixado por: Cientista em outubro 24, 2005 05:34 PM