não me disseram que os arbustos falam
a linguagem dos gnomos e
que os pássaros desenham, de manhã
sons rondeando as pedras em silêncio.
tudo isso soube-lo quando a voz de meu pai
voltou a ser o sacrilégio da casa.
na viagem interrompida caminha
sobre a mobília, na leveza do pó
e nas paredes com fotografias
onde a ausência é um missório
no discurso religioso do tempo.
é nos gestos mais simples dos meus próprios
gestos, que a presença ausente
se poliniza na liturgia dos dias.
a palavra, essa, corrompendo a fé
desliza breve nos ouvidos secos
quando apetece a comunhão
no pecado lavado de confidências.
os duendes, no seu labor, cativam
relíquias suspensas da hera
que abandonas as raízes como hóstias
no conforto dos crentes.
de José Félix
(obrigado amigo por mais um poema muito unico... muito teu! abraço)

untitled
Copyright © 2005 by Jonathan Truesdale
enquanto lia este poema sentia que estava a ler um ritual. é muito bom ler poesia e sentir que me elevo.
Afixado por: lobo em novembro 2, 2005 10:28 PMpois é! lobo!
a poesia é um ritual. é a criação de rituais da infância para a memória do futuro.
agradeço a quem colocou aqui este poema.
apesar de não ser um ritual a visita constante na blogosfera, de vez em quando aporto num bar qualquer e tomo um café. aqui, que está aberto 24 horas.
felixabraço
Afixado por: josé félix em novembro 14, 2005 01:19 PM