janeiro 23, 2006

O pássaro

Adormeces... não sentes os pés e o céu pesa-te nos olhos, assim podemos concluir que és um pássaro que não pode voar porque tem os olhos pesados. É legitimo perguntar porque tem um pássaro os olhos pesados? Podia responder de diferentes maneiras: que saio da discoteca ás 6 da manha, que se envolveu numa briga de ciganos e foi detido pela polícia, que tinha fome e foi á padaria comer pão quente e ficou á conversa com o ardina. O senhor sério, dizendo melhor o senhor importante bate os punhos na mesa e exclama! Pássaros não vão á padaria comprar pão, não se envolvem em briga de ciganos, mas se eu conseguir um cargo politico, os bichos pacíficos e submissos nascidos no território e menores de 18 anos podem votar o senhor importante abriu a janela e viu um pássaro pobre. E vocês perguntam como sabia ele que era um pássaro pobre? Seria porque voava baixo, porque trazia um jornal desportivo debaixo da asa e deixava cair tremoços do bico. O pássaro poisou na janela do escritório, parece que chegou tarde ao ninho e a pardaleca sua companheira disse que ele fosse pedir trabalho ou que pediria o divórcio pois não queria alimentar vagabundos. O senhor importante e patrão de uma fábrica não podia empregar um pássaro que andava em briga de ciganos, que se enfiava nas discotecas e que para mais fugia ás responsabilidades de pai de família. Um pássaro alcoólico era mau para a reputação da fábrica. O pássaro prometeu mudar as penas e vestir as penas do bicho homem e prometeu por os pés assentes na terra e ter os sonhos normais de toda a gente e não se meter mais em discotecas cheias de fumo nem em brigas fossem de que naturezas fossem. Mas nada disto foi possível, a paixão se dá cabo da cabeça dos homens imaginasse o que não fará á cabeça dos pássaros que sempre andam nas nuvens. Agora os filhos é uma pobreza de fazer cair as penas do coração, a pardaleca não se aguentando com baixo salário anda fazendo bicos pelas avenidas e o pássaro anda a bater com a cabeça por uma loira oxigenada que era cabeleireira em Lisboa.

de Lobo

(e que melhor maneira de regressar aos posts de que com um texto sublime como o amigo Lobo já nos habituou... e uma foto da Marília a tornar tudo perfeito!)

by marília campos
copyright of the photographer

Publicado por D_Quixote em janeiro 23, 2006 12:04 AM
Comentários

Lindo de morrer este café remodelado...
A côr mais quente, lembra que o calor há-de voltar. Apetece rir, sonhar de novo, amar, amar...
E, claro, que bom a certeza de voltar a reencontrar os poetas de sempre...ou, quem sabe, descobrir uma nova paixão.
Voltarei, sempre, como sempre.

Afixado por: Senhora das Estrelas em janeiro 23, 2006 09:20 AM

Confesso que gosto do aroma do café misturado com dois dedos de prosa... fantástico este texto.
Obrigado Nuno, por reabrires as portas já sentia a falta deste "cantinho"...
Cristina Mesquita

Afixado por: Cristina Mesquita em janeiro 23, 2006 09:38 AM
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