O sol bate-me morno na face, neste dia morno de Outono. Com o sol a espreitar tímido mas forte por entre nuvens cinzentas de solidão. Estou parado dentro do meu carro, com a chave na ignição e sem ideia de para onde ir. Não me apetece trabalhar, não me apetece ser ou fazer nada hoje, muito menos ser eu, ligo para o escritório e digo que tenho que levar o carro à revisão, numa mentira rebuscada que sai mecânica, como se estivesse mais do que pronta e estudada, à espera de ser usada.
Sigo para onde moravas. Estaciono o carro no sitio de sempre, onde abria o tejadilho e ficava horas perdido a olhar-te na janela, fecho os olhos e imagino-te lá, abro os olhos e imagino-te onde? Saio. Caminho triste com as mãos sepultadas nos bolsos, com a cabeça baixa e olhar compenetrado e percorro aqueles pequenos jardins, apanhando em cada esquina memórias de ti como fragmentos de luz, onde tudo se torna mais claro e te vejo por breves momentos e te esfumas a seguir na mesma luz que te trouxe nesta ilusão insana.
Sento-me naquele banco em pedra onde estivemos sentados os dois juntos. Com o meu cachecol preto a abraçar-te como eu te abraçava e a sorrir. Lembro-me daquela manhã morna, juntos a sonhar com dias mais quentes. Lembro-me do cheiro que ficou no cachecol que nunca mais lavei, até ao cheiro desaparecer como tu um dia depois desapareceste. E lembro-me de ti claro. Como se me lembrasse das coisas mais felizes da minha infância. Correr no meio das canas do milho à procura de tesouros escondidos, andar descalço no chão rugoso em cimento nas tardes quentes de Verão à sombra da ramada, marcar o golo da vitória no recreio da escola e refrescar-me com o leite escolar achocolatado, sonhar em tocar um dia na lua com as próprias mãos e voar… sonhar que um dia podia voar como um pássaro livre. E é assim que me lembro de ti. Como o de que melhor teve a minha vida, nunca pela dor de não estares aqui, comigo.
Os óculos de sol são a única coisa que impede que as pessoas na rua percebam que os meus olhos agora choram. Choram de felicidade e de saudade por ti. Volto para o carro assim, prostrado. Sento-me… olho mais uma vez pelo tejadilho, na esperança tonta de te voltar a ver um dia. Como se estivesses lá…. sorrio para uma janela vazia e parto. A noite já se aproxima e é melhor regressar a casa. E será assim que me lembrarei sempre de ti.
de João Natal
(mais uma página do "diário" a pedido de algumas pessoas... abraço ao Fernando que um dia me desafiou a escrever prosa, e assim nasceu esta ficção que não consegui mais parar de escrever...)

Leave the sunset behind
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Não pares de escrever. De qualquer forma, prosa ou verso...não pares de escrever....
Beijinhos aos dois.
Estela.
Afixado por: Senhora das Estrelas em fevereiro 15, 2006 09:26 AMe ainda bem que escreves :)
tb adorei as bolas de sabão.
beijos, betty
Não imaginava que tivesse feito jorrar semelhante torrente de ideias e sentimentos. Abraço retribuído!
Afixado por: Fernando em fevereiro 17, 2006 04:25 PMlindo...
axo k devias continuar a escrever o diario. revejo em cada palavra um pokinho de mim. continua. bjos
Axei o teu blog por acaso, mas devo dizer k me impressionou bastante...este texto está realmente maravilhoso. mtos parabéns:)
*Ana*
parei aki por acaso mas ainda bem
k sensbilidade** amei
continua!!
kiss
espero k tudo se resolva... es um escritore espectacular! :)
ela, não. odeie os livros delas... e realmente, este
é completamente diferente do estilo dela...
Adoro os seus textos..
Olá.
Bem eu tou estupefacta com este diário...adorei mesmo. A maneira simples e momentaneamente tão profunda, prendeu-me aos seus textos.
À dois atrás, sensivelmente, também comecei a escrever textos que se iam interligando, chamei-lhe: "Mein Liebe" que em alemão significa, a minha paixão. Tinha tudo guardado no meu computador, mas infelizmente, o disco rigido estragou-se e acabei por perder todo o meu trabalho... Tou a ganhar força para recomeçar.
Parabéns!
Nunca deixe de escrever!