Nestes dias cinzentos
quando as gaivotas cobrem os céus de desalento
num cinzento pairar de pensamentos nómadas
soltos ao vento cortante de norte
soltos no olhar solto à sorte
envolto num momento
no céu de gaivotas cinzento
de sombras que pairam incómodas.
Nestes dias cinzentos
de chuva miúda que arranha a neblina
de sussurrar rouco de mar encrespado
nos segredos que o vento leva sem medo
num turbulento e frio sentimento a degredo
a areia leve e fina
nas mãos rudes do vento que a domina
batendo severa em meu rosto fechado
Nestes dias cinzentos
quando o ar gelado se entranha nos ossos
como punhais afiados que rasgam penetrantes
e desossam a alma em pensamentos caídos
de olhos distantes em recortes carcomidos
o ondular triste de cabelos grossos
e o passar triste destes dias nossos
são apenas cinza de dias errantes.
de João Natal

Untitled by Suchitra Vijayan
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Ainda bem que tu nada tens de cinzento!
Só mesmo esse coração tão diferente de tudo o resto para nos fazer sentir assim... nestes dias cinzentos
becitu catita
Afixado por: Catita em março 6, 2006 12:30 AMpode ser cinzento, pode ser triste, pode ser céu, li muitas vezes este poema e o cinzento resulta num bom poema.
Afixado por: lobo em março 7, 2006 02:48 AMNum dia cinzento ... um poema lindo como este. Beijinhos
E olha...parece que entraste dentro de mim, neste dia cinzento, e leste o que sinto...
Parece que não sou eu que respiro, que trabalho, que sorrio...sinto-me errante, insconstante, como o vento.
Adorei, como sempre!
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Afixado por: suchitra vijayan em junho 4, 2006 07:36 PM