O poeta é a história, o percurso dos movimentos traçado no ar os gestos suspensos. Resolvo seguir o meu olhar pessoal no alto das montanhas rochosas.
Toco a penugem na tua pele junto ao oceano imerso, curto ,imenso e afectivo.
Desço para subir ao morro dos prazeres na “Cidade de Deus”, o grupo do pagode consome a lira os pássaros e os anjos para ensaiar milagres, ser profundo no corpo exaltação do interior á superfície o movimento mágico, no bar da loja do Lidador do Centro, salto depois a Santa Teresa, Parque das Ruínas, estilo arte-decó nas luminárias do Convento das Carmelitas descalças no Rio e bebo o beijo do vampiro o suco de fambroesa, vodka e hortelã, o bonde do largo carioca numa dialéctica do esclarecimento entre as Praias do Recreio e do Pontal. Danço contigo em Febre e Especial e no Nuth salto da mata espessa e faço o tempo voar na velocidade e no tempo do éolico cafariz accionado pelo vento na Barra, o catavento eco-poético, o catavento de maracujá, gengibre vodka e pimenta na galeria da Gávea, Mercedes Viegas com a escultura de Franz Weissman.
Solto-me ainda até ao parque zoobotânico De Marapendi, bebo água de coco, vodka e Suco de caju no portunhor absurdo.
O lugar onde o corpo entra noutro corpo liso e forte lê devagar e dança comigo o forró.
de José Gil
(mais um texto mágico e quente do José, enviado pela amiga Sónia Regina)

Dois irmãos and Sun by Ezequiel Lozada
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Este blog é delicioso. Para além dos textos, o equilibrio fascinante entre palavras e imagens. Adoro, sabe-me bem :)
Afixado por: Daniela em abril 26, 2006 02:59 PMAa mim também sabe muito bem este café: muitos muitos parabéns, Nuno, pois tua formatação cuidadosa, de extremo bom gosto, que é, em si, poética. E as músicas...caramba, amigo, são uma viagem!
Já falei com o José Gil sobre a postagem e os comentários, que ficou muito feliz e agradecido. Eu também lhe sou grata, por tê-lo postado. Esse é um poema antigo, de quando ele esteve por aqui, há dois anos. Mas é um lindo poema.
Beijo,
sonia