do tempo das músicas tocadas ao som da luz das velas, hialinas certezas iluminam querelas que se dissolvem por entre paredes brancas, por entre clamores opacos, descendo pela goela um travo azedo cravado.
secam-se as ufanas latências que inundam o ego de restos, chamo-lhe ideias, chamam-se entre elas, e às suas vozes longínquas, perdendo-me por entre as formas da floresta, horrores que nego, faces de negro, e um torpor sonoro vem do fundo saudar-me
que esperas disto, espiral de branco, ou da panóplia de senso fora do conceito, fora do tempo, aguardando um gesto que afirme movimento,
de giz um ponto foge
de um tecto a água escorre, num fio de cal marcada, anos que se acumulam
oh, que sinto pedra as mãos na nuca, ou a cabeça pesa, por entre as pernas se sufoca.
oh, que tenho corpo e sinto-o, que tenho corpo e esqueço-o ou ele a mim, de lá me lembra.
da imagem de mim um nada, do plano ao horizonte a circular cadência que me enjoa, este corpo enoja-me
fios de forma e a fátua fadiga afaga, afaga, inerte retoma ao interno intento
sorri da força que resta, outro gesto se apaga, apaga o tempo
de Bruno Amaral
(mais um texto de um poeta que já contribui para o café, quase desde o seu inicio. Espero que esteja tudo bem contigo Bruno... um abraço)

"Blues" by Teresa Sousa
copyright of the photographer
Tá excelente;)
Já agora, um convite para o meu blog de disparates:
http://infrequentemente.blogspot.com/
Afixado por: Tiago em maio 5, 2006 11:49 PM