julho 20, 2006

Privilégio de amar

Todo o amor que sentia doía-me. Macerava-me por dentro lentamente, como se caminhasse perpetuamente com os meus pés descalços sobre vidro estilhaçado, como se o mundo fosse acabar amanha e já não sobrasse mais tempo para te dizer o quanto me completavas. Queria tanto dizer-to mas contia-me na minha obscuridade insana pois receava magoar-te assim também.
Desejava mais do que tudo apertar-te contra o meu peito, afagar-te suavemente a tua face morna de mármore pálido, brincar com o teu cabelo na efémera eternidade de um beijo roubado. Mas as minhas mãos eram lâminas afiadas de razões e intentos desconhecidos. O meu toque era frio e ríspido como espadas de guerra brandidas sem piedade. O meu gesto era morte e dor lancinante.
Abracei-me a ti contido, capaz de amar mas incapaz de dar amor, no controverso instante do egoísmo e do verdadeiro amar, sedento de te tocar mas incapaz de te magoar, perdido de amor mas sem amor perdido... e deixei-te ir.

O amor é daqueles que podem amar, não daqueles que o sentem... esses apenas amam.

de João Natal

imagem do filme Eduardo Mãos de Tesoura de Tim Burton

(este é um dos filmes da minha vida, pela metáfora linda de nem sempre se poder dar o amor por muito que se ame, o amar sem tocar, um amar quase efémero e etéreo, que existe sobretudo no mais profundo do ser)

Publicado por D_Quixote em julho 20, 2006 09:33 PM
Comentários

É verdade que o amor é uma coisa muito bonita e que as palavras podem ser bonitas e que não precisam de ser poesia tudo certo mas onde fica a poesia como expressão de arte, estou no poetry café ou no desabafo café. Onde andam os poetas como o josé felix ou como a estela, onde anda o jõao natal da poesia que eu mais gostava. Agora parece que estou na tvi, que o joao natal parece a margarida pinto rebelo de calças. Sei que tudo é subjectivo mas na minha opinião este espaço é egocentrico e mostra pouco arrojo em mostrar outras coisas em ser plural, parece uma coisa para consumo próprio.
ps a censura vem ai...

Afixado por: lobo em julho 22, 2006 02:06 PM

Lobo...
essa doeu... sobretudo pela tua falta de compreensão das coisas. O José Felix ou a Estela não têm enviado poesia, eu não posso exigir isso das pessoas. O poetry funciona da contribuição dos seus poetas, não de uma busca activa da minha parte!

TVI? eu nem a vejo... acho-a um lixo... Margarida Rebelo Pinto de calças?... bem... depois do que essa senhora me fez, levar com um comentário destes magoa... enfim Lobo... de ti já se espera tudo não é?

Quanto ao consumo interno... talvez... há momentos na vida em que se anda mais introspectivo, se calhar eu ando a atravessar um momento desses e isso reflecte-se no blog. Se não gostas... paciencia... mas acho que tenho direito aos meus momentos menos bons sem que venhas tu com a tua habitual superioridade... enfim...

vês amigo lobo... não houve censura...

Afixado por: Nuno em julho 22, 2006 03:22 PM

Hoje sentia-me muito confusa, sem perceber muito bem o porquê de duas pessoas que se amam falarem de divórcio durante o almoço, sem perceber como é que tudo se perde assim sem podermos fazer nada. Vim ao Poetry arejar as ideias e com este texto fantástico consegui uma resposta (embora me tenha feito chorar). Obrigada. Beijo.

Afixado por: Lavínia Matos em julho 22, 2006 06:23 PM

Nuno não te importes com o que dizem... o teu blogue é lindo, maravilhoso... eu sou uma leitora assidua e delicio-me com cada post que pões...)))

Afixado por: Pecadora em julho 23, 2006 10:41 PM

Penso que atingiste um patamar em que os "rótulos" não te devem preocupar. Estás muito acima disso... Gostei do teu texto. Transmite sentimentos, descritos de uma forma muito bela. Prefiro-o a uma poesia pretensamente intelectual e por vezes oca. Que o café seja isso mesmo, pluralidade e respeito. Quem não gostar terá sempre a possibilidade de fazer algo diferente, basta criar um blog, é simples!

Afixado por: Cristina em julho 24, 2006 08:19 AM

Obrigado meninas pela defesa e pelos comentários...

Lavínia... infelizmente nem sempre o amor é para sempre, outras vezes até é para sempre e não chega por si só... a vida é muito complicada. Eu recomendo-te que espreites um filme lindo chamado "uma vida a dois" com o Bruce Willis e a Michelle Pfeifer... é uma lição de vida e faz sempre muito bem ver ou rever... talvez te ajude *

Pecadora, obrigado pelo apreço, são leitores assim como tu a razão de existir do café... boa sorte para o teu livro!

Cristina, o Lobo já tem o blog dele. E a escrita dele tem muita qualidade, infelizmente de vez em quando vem ao café tentar talvez magoar-me assim... não sei... obrigado pelas tuas palavras, vindas de ti contam muito... jinhos!

Afixado por: Nuno em julho 24, 2006 12:08 PM

nuno se dou a minha opinião não é para magoar-te e acho e disse que gosto da escrita do jõao natal mas na verdade não gosto deste poetry e por isso não transformes o que eu digo contra ti, eu tenho momentos muito maus, escrevo muita porcaria e se me criticares eu aceito, isto nada tem a ver contra ti. É certo que outras alturas exagerei. Mas tu tanto consegues estar ao teu melhor como ás vezes ficas muito abaixo. olha o antonio aleixo tem uma quadra que diz
contigo em contradição
pode estar um grande amigo
desconfia dos que estão
sempre de acordo contigo
um abraço.

Afixado por: lobo em julho 24, 2006 03:04 PM

Penso que raramente conseguimos fazer arte com as palavras, mas só chegaremos lá se as deixarmos fluir. Toda escrita é válida, penso, é como um músculo a ser exercitado.

Eu gostei do texto. É difícil escrever do Amor, em qualquer de suas manifestações. Posto um poema que escrevi ontem, e fala do amor entre os homens. Quantos o terão lido e entendido diferentemente? O poema, a prosa, enfim, todo escrito, é também do leitor que com ele se identifica, de uma maneira ou de outra.

beijos,
sonia


pela leveza e empatia

(um poema sobre a paz no líbano)


é, não se sabe por onde andará o amor

se o relâmpago nestes dias não cavalga

só trovões, avança pelo céu em comoção

extrema e escreve com lágrimas o mistério

do repouso do sol.

o escrito não é mais aquilo que ilumina

e alegra a escuridão, não mais atravessa

o silêncio cúmplice do horror que estende

a noite sobre o diálogo.

emudece a ternura do olhar - encerrada

nos muros da mente e do coração -,

a intolerância é a cegueira que guia.

e eu, que viajo nas asas do falcão

sem rédeas além de um fio de palavras,

teço com elas versos que - se poema -

não provocam nem incitam a poeisis

para que se desenhe mais

que a morte nas sílabas

para que se refaça a escritura

e o amor sobreviva

para que não morra a leveza e a empatia

no fazer das grandes coisas da vida.

sonia regina
rio de janeiro,23.7.06

Afixado por: soreg em julho 25, 2006 12:45 AM

Lobo... enfim... até que é muito ofensivo para as outras pessoas cuja poesia tem sido exibida aqui as coisas que tu dizes... ambos sabemos nesta altura que o teu verdadeiro problema foi eu ter deixado de dar abrigo aos teus escritos neste espaço, mas lembra-te que foram atitudes radicais como estas que levaram as consequencias radicais que tomei. Enfim... assunto encerrado para mim.

Regina. Obrigado mais uma vez pelos poemas que ainda hoje enviaste, és um doce. Em breve coloco o teu link claro... é só ter tempo para mexer no template. Jinhos.

Afixado por: Nuno em julho 26, 2006 12:41 AM

Há muito que não vinha aqui. E a conclusão única a que chegeié esta: o Poetry está exactamente igual ao de há 2 anos.
Por isso:
O Lobo tem toda a razão;
Mas razão ainda tem o Nuno.

Afixado por: Barbant em julho 29, 2006 12:38 PM

Não percebi Barbant... é assim tão mau haver continuidade de um projecto como este?

Raros são os sitios que se podem orgulhar de "continuar iguais" e de continuar aqui, ao fim de tanto tempo, sem vacilar na missão de dar a conhecer novos talentos da escrita em Portugal e Brasil.

Se isso é assim tão mau... as minhas desculpas a todos... pensei que estava a fazer um bom trabalho apesar de todas as minhas limitações!

Afixado por: Nuno em julho 29, 2006 02:15 PM

Alargando, contra-vontade, o meu comentário, e prometendo não dizer nem mais uma palavra sobre o assunto:
Faltou uma letra no meu comentário anterior, a frase era:
"Mais razão ainda tem o Nuno."
Confesso que é quase impossível conciliar a qualidade com a diversidade e a mídia.
Por isso, o poema em causa seria melhor, para a minha opinião que nada vale, se se reduzisse à frase:
"O amor é daqueles que podem amar, não daqueles que o sentem... esses apenas amamm."
Mais impossível ainda é manter um blog com a frscura de sempre, perante o cemitério de blogs que existe e vai crescendo.


Afixado por: Barbant em julho 29, 2006 02:42 PM

Nossa, quanta polêmica! da minha parte Nuno, só tenho a dizer que tenho a maior admiração por seu projeto e creia, não desanime por opiniões diferentes. Acredite, elas são um instrumento valioso para nosso aperfeiçoamento. Está certo que há maneiras e maneiras para se expressar mas, cada um é cada um. Quanto aos poemas, são maravilhosos e como alguém já falou, toda escrita é válida e são exercícios constantes.
O formato de seu blog também acho lindo e tornou-se a sua marca. Continue assim!!!
Beijos

Afixado por: Roseli em agosto 2, 2006 04:18 PM

Agora estou a viajar pela italia e ha um tempo que nao vinha aqui e queria dizer te nuno que estas errado e a proceder muito mal. eu nao preciso que me des abrigo nem aquilo que digo tem a ver por causa de nao me postares. Pessoalmente nao ponho em causa o teu projecto, antes um projecto vivo e que ande do que nao se fazer nada. Agora nao vou continuar a perder o meu tempo, ja percebi que tu andas cheio de rancor, tens muito ego. e tudo o que eu disser cai em saco roto, percebi que nao vale a pena. olha a quasi vai publicar-me eu nao preciso do teu espaço. Posso precisar de ler o que è bom na tua escrita mas da tua descarga nao preciso

Afixado por: lobo em agosto 12, 2006 10:48 PM

ola...
tava pesquisando sobre o edward e axei vc...
foi um prazer ter entrado aki a mei o poema..
uma boa noite ..a té...
eu amo o filme...
uma historia linda

bjus sangrentos...
kika:)

Afixado por: Érica em janeiro 29, 2007 05:52 PM

Navevegava a procura e achei... lindo

Abraços e mantenha

Afixado por: luiz em setembro 13, 2007 10:12 PM
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