Que saia este desejo em mim,
Que saia esta agrura,
Que se torne afónica
Esta voz, esta voz que me tortura.
Sai de mim quem tu és,
Sai de mim que não te quero,
Sai de mim e totalmente de vez,
Que saia de mim esta constante procura.
Quem tu és que me surges,
Quem tu és que me apoquentas,
Quem tu és que me urges,
Com palavras que me atormentas.
Vai e de mim sai,
Sai e que de mim te escondas,
Não quero saber o que te vai,
Não quero vogar nas tuas ondas.
Se me procuro tu me apareces,
Mas por que raio, juro,
Ao me vires tudo escureces,
E o que quero é ver-me puro.
Quero-te matar mas não consigo,
És o veneno que me vicia,
És a parte que por vezes sigo,
Que a todo o momento me alicia.
Não sei se eu se tu, qual dos dois ficará,
Neste corpo que sempre foi meu,
Sou cego, não sei qual dos dois vingará.
Uma coisa eu temo neste corpo de ateu,
Nunca de mim ter sido, sempre ter sido teu.
de António Viana

crybaby by Natalie Shau
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(e que belo poema que o António nos envia para a sua estreia no café. António, gostei da forma fluída como construiste o poema, quase que dá para o cantar... espero que envies mais! Abraço!)
Publicado por D_Quixote em agosto 7, 2006 01:47 PMMuitos parabéns pelos poemas. a musica tb é excelente.
Afixado por: Pedro em agosto 7, 2006 09:12 PMParabéns! Revejo-me neste poema...mas é tão bom amar, não é? Continua a escrever. Beijo
Afixado por: melantha em agosto 21, 2006 08:58 PMo poema é muito bom... também me revejo bastante nele... é sempre interessante ver como outros descrevem aquilo que também nós sentimos...
Afixado por: or_todoxo em agosto 24, 2006 10:44 PM