Beijar-te a face é conceder-te o acto puro,
daqueles que ainda sabem semear no campo,
o trigo, alegremente.
E perceber que a cada movimento,
o trigo cresce e traz sempre consigo
a força de gerar nova semente.
Beijar-te a face é conceder-te o gesto pleno,
daqueles que ainda sabem desbravar a terra
e replantar o chão.
E nele, receber qualquer estranho.
E nele, abrigar qualquer amigo.
E dividir o vinho e repartir o pão.
Beijar-te a face é conceder-te o brilho ardente,
daqueles que ainda sabem sublimar
o tempo e a medida do prazer.
E toda essa certeza,
e toda essa magia
de ainda ser a vida
e de conter a morte
no ato natural de se viver.
de Katia Drummond

Wheat, Emilia Romagnaby James Symington
copyright of the photographer
(que belo poema a cheirar a Verão... é tão bom ler um poema e voar assim como este poema me leva...)
olá
gostei do blog, tanto dos poemas como das fotos.
tenho um blog principalmente de sonetos, se quiserem espreitar.
um abraço
Afixado por: jackx em novembro 3, 2006 08:03 PMUm poema leve...bonito...cheio de sentimento.
Afixado por: Paulo em novembro 3, 2006 09:51 PMSou eu mesma aqui. A agradecer, sensibilizada, pela publicação do poema Trigo em Movimento, da minha autoria.
Aproveito para declarar o meu amor pela vida, pelas pessoas sensíveis e belas que nem você, querido Nuno.
Agradeço aos que deixaram aqui as suas mensagens.
Com ternuras e delicadezas,
Katia Drummond.
Poeta brasileira, em Portugal.
belíssimo blogue.
Afixado por: ( ) em novembro 7, 2006 04:37 PM