janeiro 20, 2007

Não ao aborto... porque a vida também é poesia...

No próximo dia 11 Portugal tem uma das decisões mais importantes do percurso da sua História. Falo, como é do conhecimento de todos, do referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas.
Chamem o que lhe quiserem, ponham nomes mais bonitos, mas o referendo é sobre o aborto, livre e sem qualquer restrição até às 10 semanas ( 2 meses e meio).

Acho que é um voto de consciência de cada um dos cidadãos deste país, apelo acima de tudo à participação, à intervenção cívica, consciente, informada e principalmente em número suficiente para dar expressão a este referendo.

Ponderando os argumentos dos dois lados, chego à conclusão que muita gente tem extremado posições, o que é nefasto e apenas contribui para mais desinformação. Mas igualmente chego a outra conclusão, a de que a falta de informação está a ganhar terreno, a de que a partidarização do referendo está a ganhar ao voto consciente e a de que as mentiras se sobrepõem à verdade. Senão vejamos:

Os adeptos do sim alegam que devemos despenalizar o aborto porque:
- Há mulheres a serem presas em Portugal por coitadinhas serem "obrigadas" a realizar o aborto clandestino.
- A mulher deve poder escolher o que fazer com o seu corpo.
- Fica mais barato fazer abortos nos hospitais que curar os abortos mal feitos ilegalmente
- Haver interesses privados monetários no aborto clandestino.
- Não ser respeitada a lei que proíbe o aborto ilegal

Para mim esquecendo os argumentos do Não, é clara e manifesta a pobreza, não verdade, e nulidade dos argumentos do Sim . Que continua a explorar a ignorância e a falta de informação para tentar mudar uma lei que, de si mesma, já existe, já é mais do que adequada e justa e já se aplica.

- Nos últimos 30 anos, nenhuma mulher foi presa em Portugal por ter abortado , aliás, os casos de julgamento diziam exclusivamente respeito a mulheres cuja gravidez já ia muito para além das 12 semanas, quando abortaram e mesmo assim não cumpriram penas efectivas. Pois se conhecerem minimamente as leis Penais Portuguesas chegarão à conclusão que temos um sistema penal que se preocupa principalmente em ressocializar os criminosos e não castiga-los de forma ético - retributiva. Sendo que estas mulheres, a não ser que façam do Aborto uma prática recorrente, são todas criminosas primárias e, por isso, tendencialmente, sujeitas a penas suspensas.
E será a questão das 10 semanas assim tão importante para os defensores do Sim?? então os adeptos do SIM querem a liberalização só até ás 10 semanas e querem que a mulher vá para a cadeia se abortar às 11, às 12 ou mais semanas?... aí já é criminosa e merece ser presa?
Alem do mais, ninguém "obrigou" ninguém a fazer um aborto, isso sim, foi uma escolha da mulher que abortou, porque resolveu escolher o caminho mais fácil, o da desresponsabilização por um acto que previamente cometeu.

- A mulher pode escolher à vontade o que quer fazer com o corpo dela... por isso é que conheço algumas que preferem não ter filhos para "não estragar o corpinho que têm"... agora a vida que cresce dentro delas não é o corpo delas . É uma vida autónoma, fruto de um processo concepcional envolvendo um óvulo materno e um espermatozóide paterno. Além do mais, às 10 semanas esse ser já se encontra bastante desenvolvido, tendo inclusive um coração a funcionar:

O EMBRIÃO
Entre a 5ª e 10ª SEMANAS de gestação, os principais órgãos e sistemas do embrião se formam, e à medida que essas estruturas se desenvolvem elas afectam a imagem do embrião, que vai adquirindo figura humana.
Na 6ª SEMANA, sua boca começa a se formar e seu coração rudimentar pode visto batendo. O embrião mede de 4 a 9 mm. O seu coração e coluna são visíveis, assim como os brotos que formarão os braços e as pernas.
Com 8 a 9 SEMANAS de gestação, o embrião mede aproximadamente 3 cm e pesa cerca de 10g. Ao final da 8ª SEMANA de gestação, os dedos já estão formados e separados, podendo ser reconhecido o punho e o cotovelo do bracinho do bebé.
O FETO
Ao final da 10ª SEMANA de gestação, o embrião já se encontra praticamente todo formado (coração, pulmões, rins, fígado e intestinos) e tem-se início, a partir daí, do período fetal. A partir de 10 SEMANAS de gestação, durante o período fetal, haverá basicamente a maturação e crescimento dos órgãos e sistemas do bebé.

retirado do site Centro Pré-Natal de Diagnostico e Tratamento

- Fica mais barato? Acho muita piada a este argumento, sobretudo porque vejo ainda em pleno século 21 crianças a nascerem com paralisias cerebrais e outras complicações porque os hospitais preferem poupar algumas centenas de euros e não realizar cesarianas. Vejo um Sistema Nacional de Saúde em ruína, mal gerido, com listas de espera intermináveis e muito por fazer. E querem gastar dinheiro com abortos nos hospitais? Num país que, infelizmente acompanha o resto do mundo dito "civilizado" no envelhecimento da população activa, devíamos estar mais preocupados em fomentar a natalidade e não em financiar o seu infanticídio.
Eu tenho um irmão com paralisia cerebral e epilepsia por causa de poupar nos hospitais portugueses... não me peçam para pagar com os meus impostos para "resolver" nos hospitais públicos o descuido de gente irresponsável.
Alem do mais, eu tive aulas de medicina legal... querem saber como algumas mulheres morrem com abortos mal feitos? Ao desfazerem o feto com uma vara de guarda chuva, furam acidentalmente o útero ou o intestino e sofrem hemorragias. Isso ninguém diz... não são muitas mulheres que morrem dos abortos, são algumas... e desculpem a minha opinião pessoal... mas desfazer um feto (uma vida a caminho do seu nascimento) com uma vara de guarda chuva é, no mínimo, criminoso.

- A haver interesses privados há com o SIM ao aborto. Eu defendo uma penalização muito severa a quem lucra com o aborto ilegal. Mas lembrem-se que já há clínicas estrangeiras a comprar terrenos e com planos para grandes clínicas de aborto em Portugal. Ainda querem falar de interesses privados? Preferem trocar meia dúzia de médicos e enfermeiros sem carácter por uma industria do aborto... engraçado ver gente de esquerda a defender isto.

- Não ser respeitada a lei? Bem... é proibido conduzir com álcool e todos os dias são apanhados portugueses assim... vamos despenalizar isso também? Querem ver a nível nacional o que se passou em Barrancos mas em vez de matarmos gado matamos crianças e chamamos-lhe tradição? A lei é clara e existe. Prevê a não penalização do aborto em 3 situações diferentes:

Artigo 142.º
Interrupção da gravidez não punível

1 - Não é punível a interrupção da gravidez efectuada por médico, ou sob a sua direcção, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mulher grávida, quando, segundo o estado dos conhecimentos e da experiência da medicina:
a) Constituir o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida;
b) Se mostrar indicada para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida e for realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez;
c) Houver seguros motivos para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de doença grave ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, comprovadas ecograficamente ou por outro meio adequado de acordo com as leges artis, excepcionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo;
d) A gravidez tenha resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas.

e, para concluir, deixo-vos com um argumento legal muito bem escrito que li num blog que recomendo lerem:

O respeito pela vida humana, sob qualquer forma, é primeiramente um dever da moral, mas identicamente um dever de respeito pelo outro, pela sua própria liberdade (e aí falham redondamente os argumentos da liberdade das mulheres, e outras bacoradas que tais, pois a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade do outro, e sem este respeito mínimo não há liberdade mas sim domínio, de uns sobre os outros) e direito ao desenvolvimento da sua personalidade, dever aliás constitucionalmente protegido no nº1, do artigo 24º, sob a epígrafe “Direito à vida” da Constituição da República Portuguesa: “A vida Humana é inviolável.” Mas mesmo que não o estivesse, tal direito, deriva da própria natureza humana e é portanto anterior e independente face ao poder constituinte dos Estados, impondo-se a qualquer estado, e a qualquer pessoa de direito, sendo um princípio fundamental de direito natural que a todos se impõe na obtenção da justiça e do bem social e comum. È intangível, inderrogável e intrínseco a todos os seres humanos, simplesmente pelo simples facto, de o serem...

por isso tudo meus amigos, apelo a um voto consciente no NÃO, no dia 11.
Acima de tudo porque é um voto sobre a desresponsabilização dos cidadãos. Se eu tenho relações sexuais sem me proteger devidamente tenho que estar consciente que existe a possibilidade de engravidar ou de contrair uma DST. O que querem é tornar o aborto em mais um metodo anti-conceptivo adicionando a seguinte clausula na já existente lei.

e) porque lhe apetece preferir matar uma vida já criada em detrimento de a criar com amor, sacrificio e responsabilidade. Porque é mais facil...


(este é um espaço aberto ao dialogo, mas peço que o façam de forma civilizada... obrigado e abraço a todos!)

Publicado por D_Quixote em janeiro 20, 2007 03:45 PM | TrackBack
Comentários

Bem, tenho de concordar com algo que o Nuno diz: o Não. E não digo isto por ser contra o facto de ser possível abortar até às 10 semanas de gravidez até porque, tal como o Nuno diz, se ficam grávidas tanto tempo é por um de dois motivos:
> vergonha (existem neste momento pílulas do dia seguinte que apesar de poderem ter efeitos secundários funcionam em 90% dos casos)
> vingança (e acho que este não preciso de estar a demonstrar)


De qualquer forma, o meu não nasce, o que será lido por algumas mulheres como machismo, na completamente perda de direitos ao que acontece a um feto/embrião desde o período de fertilização e durante 10 semanas... "E que seja feita a vossa vontade" (neste caso a da mulher)

Alem do mais, ainda acredito que se a fertilização é feita de mutuo acordo então o seu aborto também o deverá ser feito salvo excepções, obviamente, porque estar durante 10 semanas dependente da vontade da mulher para ser ou não pai e ser visto como "um sem direitos" é algo que não estou pronto a assumir. Será uma igualdade, não uma supremacia feminina como é tentado.

Enfim, apesar de existerem vários argumentos que vos poderia mostrar, penso que entendem perfeitamente a posição: igualdade, poder de decisão idêntico e não uma supremacia da mulher excepto situações também elas omissas visto que a proposta aceita "deu na cabeça e abortou".

Afixado por: Miguel Simões em janeiro 20, 2007 05:19 PM

em primeiro lugar parabens por este teu trabalho excepcional;
e pouco me resta dizer senão que a prevenção é a solução para sermos donas do nosso corpo,de outra forma somos apenas um canal,é um dever deixar a vida acontecer!
bem hajam e bom senso

Afixado por: Lua em janeiro 20, 2007 05:21 PM

Em desacordo. Não está em questão liberalizar mas sim despenalizar. O artº 140 do Código Penal diz "A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos". O facto de nenhuma estar presa não é argumento. O que se passa é que muitos juízes são, também, homens e mulheres que percebem o drama que é perder um filho. Eu sou homem, e não imagino nada mais traumático para uma mulher que ter de se sujeitar a uma intervenção sem o minímo de condições de segurança e saúde.
E não acredito que dê na cabeça de alguém ter vontade de abortar simplesmemte porque sim. É demasiado redutor pensar dessa maneira.

Afixado por: Bart Simpson em janeiro 21, 2007 07:28 PM

A despenalização até às 10 semanas é uma forma escamoteada de liberalizar até às 10 semanas... mais nada...
O facto de nenhuma mulher estar presa não é argumento? Mas se é mesmo esse um dos argumentos de quem tanto defende esta alteração à lei! E não se iluda... como já disse acima, não estão presas não é por simpatia dos juizes com a sua causa mas sim porque são criminosas primárias e, nesse sentido, a lei aconselha a não aplicação de penas efectivas, mas sim de outros mecanismos punitivos.
Se há coisas mais traumaticas?... bem... há... lutar no duro e assumir a responsabilidade do que se fez. Optar pelo aborto é optar pela saída mais facil, preferindo-se arriscar a propria vida a ter que lutar com mais afinco para se levar a vida avante.
Eu não falo só como homem, nem como cristão, nem como jurista... falo acima de tudo como ser humano que acha que a vida humana não deve ser equiparada a tão pouco ou nada que se faça depender a morte de um ser humano a um simples poder arbitrário da mulher ou do seu companheiro. E não se iluda tambem, pois sou socialista filiado, aqui não é uma questão política mas sim de consciencia e valores.

Portugal foi um dos primeiros países na Europa, senão o primeiro, a abolir a pena de morte do seu sistema juridico... e será um enorme retrocesso civilizacional, ético e juridico, atribuir agora a opção de se matar um ser humano, devidamente titular de direitos consagrados na nossa constituição.

Como me dizia um amigo no outro dia, a propósito de uma frase usada por um jovem representante dos movimentos pela vida no anterior referendo: "é frequente vermos mulheres arrependidas por terem feito um aborto, mas ainda não tinha conhecido nenhuma arrependida por ter optado por ter o filho, mesmo em casos de violação"

Demasiado redutor é optar por matar uma outra vida para nos facilitar a nossa vida...

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 21, 2007 09:40 PM

Volto ao seu ponto e):
A resposta não é a que indica, mas sim: "se eu não tiver recursos financeiros para fazer uma IVG segura, terei de me sujeitar a uma operação arriscada num qq 4º andar, sem vigilância de ninguém e rezar (olhe a ironia) que nada me aconteça. É evidente que se eu tiver vergonha do que a sociedade dirá, lá terei de parir e suportar com o que há-de vir, tipo o meu filho não comer decentemente, estar mal vestido e, quem sabe, dá-lo para ser adoptado por um qq desconhecido casal inglês".

Afixado por: Bart Simpson em janeiro 21, 2007 10:22 PM

Não pela vergonha do que a sociedade dirá... mas sim pelo peso na consciencia do que fez.

Não há vergonha em ser-se pobre meu caro... vestir menos bem ou comer menos... mais uma vez está a contribuir para o que eu digo... obrigado! Prefere o aborto por uma questão de comodidade... porque se não tiver um filho tem mais dinheiro para comer em restaurantes melhores e vestir roupa de marca. A minha avó teve 13 filhos, sempre foi pobre e honesta e feliz... nenhum foi entregue a casais ingleses.

Se a sociedade está mal, e o aborto clandestino é um problema... vamos criar soluções... não corrigir um mal com outro igual.

Peçam educação sexual nas escolas, peçam um planeamento familiar mais presente nos centros de saúde, mais proximos da população e com mais meios, peçam mais e melhores campanhas de sensibilização do publico... como D. Ximenes Belo tão sabiamente dizia... este é um problema de educação. Então eduquemos!

Despenalizar o aborto até às 10 semanas é dizer "que se lixe... não precisamos de preocuparmo-nos com nada disso porque assim fica o problema remediado..." isto meu amigo, é um atalho, uma saída facil... para as mulheres que preferem matar um filho a trabalhar duro para o criar e para os políticos que preferem despenalizar a fazer efectivamente alguma coisa de positivo pelas mulheres portuguesas.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 22, 2007 12:14 AM

Antes de mais parabéns pelo blog que, do que tenho visto, é do melhor que se tem feito, o que me obriga a visitá-lo diariamente.

Depois, lamento mas vou ter de discordar com a tua opinião, acerca deste referendo. E discordo não por não aceitar os argumentos expostos (creio, aliás, que são de assinalável coerência) e por considerar que falta aqui ponderar aquilo que julgo estar, de facto, em causa.
Falar-se da legitimidade de fazer um aborto é, desde logo, perguntar-se em que moldes se enforma uma vida, que dizemos humana. A questão torna-se, logo à partida, insolúvel. Não há conformidade em tal questão, nem creio que tal fosse possível. Aí resumimo-nos a uma coisa que é, em tudo, arbitrária: a opinião.
Acontece que lei nenhuma pode fazer-se com base em opiniões, por mais válidas que sejam. Daí considerar tratar-se isto de um princípio democrático. Por mais que achemos a nossa opinião correcta, na verdade isso não está em causa. Interessa antes não impor algo que é absolutamente improvável à comunidade. O NÃO há-de continuar a ser uma escolha, para quem mantiver a SUA opinião. Acontece que o SIM permite isso, ao passo que o NÃO se afirma categoricamente ditatorial.

É isto que está em causa!

Afixado por: Miguel Mochila em janeiro 22, 2007 01:59 PM

Cumprimentos Miguel e obrigado pelo comentário... mas lembra-te que numa democracia a lei não é imposta de forma ditatorial mas sim por expressão dos principios axiologico-juridicos da propria sociedade... e o direito à vida é o expoente máximo desses valores que fundam a nossa democracia. Aí tens o teu principio democrático... o direito à vida, consagrado como valor máximo na nossa C.R.P.

Quanto à questão da legitimidade, soube hoje que o anterior bastonário da ordem dos médicos coloca um argumento muito mais consistente que o meu, sendo que: sim senhora, uma mulher pode optar à vontade sobre o seu corpo, mas não sobre um corpo que não é seu, sobretudo porque tem um património genético completamente autonomo... aí o argumento da vontade da mulher caí por terra.

Alem do mais... lembra-te que o Não matarás, também impõem que não nos andemos a matar na rua uns aos outros... enquanto que um SIM o permitiria... as bases do silogismo são as mesmas. Daí que não podes chamar ditatorial a uma lei porque proíbe que nos matemos uns aos outros.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 22, 2007 07:22 PM

A diferença é que todos sabemos exactamente o que significa esse homicídio criminoso de que falas, mas não há ninguém que possa definir em que momento nasce uma vida. Uma coisa são factos, outra opiniões. E uma opinião nunca se pode tornar lei, nunca se pode sobrepor às outras.

Mais uma vez muitos parabéns pelo excelente blog, pela boa educação, pelo amor à poeisa, pelo calor que faz por aqui, pela música e pelo imenso trabalho que te terá dado.

Afixado por: Miguel Mochila em janeiro 22, 2007 08:32 PM

Bem... uma opinião cientifica fundamentada é um parecer tecnico. Isso acaba por ser mais que uma simples opinião. Mas aí realmente ainda há médicos que também se dividem na sua interpretação da gestação do ser humano.

Eu tenho uma amiga que teve a filha dela com 24 semanas... pela ideia de muita gente a filha dela não era um ser humano quando nasceu... Hoje é uma miuda feliz e crescida.

Tens alguma razão... mas eu continuo a dizer que agora é com a consciencia de cada um... eu fiz o que me competia, nomeadamente mostrar o que é um feto com 10 semanas.

Obrigado pelos elogios... puxa por uma cadeira e vai passando... há poesia fresca quase diáriamente.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 22, 2007 09:11 PM

Eu diria que não devemos julgar os motivos dos outros, até porque acredito que não hajam assim tantas mulheres que reiteradamente, sublinhe-se reiteradamente, recorram ao aborto.
Despenalizando ou não, os abortos em Portugal fazem-se! Sim! É ilegal! E a hipocrisia chega ao ponto de não se aplicar a lei! Num estado de direito a lei deve aplicar-se e os cidadãos devem querer que se aplique sem excepção, não é dizer que a lei existe, mas que não é aplicada, e então, como tal, não vale a pena alterar.
Eu tb não concordo que se dêem armas de fogo a torto e a direito, mesmo que seja para caçar, porque considero uma barbárie ferir e matar animais a tiro e a sangue frio, mas estou consciente de que não devo limitar o exercício da liberdade das outras pessoas, e assim não compro armas nem mato animais a tiro e tento demover as pessoas de o fazer. Nem sou a favor das touradas e do sofrimento que se provoca ao animal. Assim, não vou nem participo em touradas e tento demover as pessoas de ir.
Adiante.
O aborto faz-se em Portugal em péssimas condições, ou então vai-se ali a Badajoz . Não é preciso ir longe desde que haja dinheiro.
Fazer ou não fazer um aborto não é uma decisão que se tome de ânimo leve, nem acredito que grande parte das pessoas tome a decisão levianamente. Nem acredito que grande parte das vezes seja uma decisão unilateral onde só participa a mulher.

Sou a favor da despenalização. Não sou a favor da prática do aborto.

Hoje, não creio que eu alguma vez vá recorrer ao aborto porque teria sérias dificuldades em aceitar faze-lo e viver com isso.
Porém, considero que cada um de nós deve poder tomar essa decisão, e ter a liberdade de a concretizar. Eu não tenho nada a ver com os motivos dos outros, das pessoas que poderão querer faze-lo até às 4, 5, 6, 7, 8, 9 ou 10 semanas e não acredito que a maior parte das mulheres chegue até à última.
Sem tanto sensacionalismo, porque por vezes uma escala é importante, este site poderá dar mais uma ideia do que estamos a falar: http://www.babycenter.com/fetaldevelopment/

Parabéns pelo espaço de debate.
E já agora, acho que deveria aceitar comentários de não-bloggers, já que o facto de não aceitar limita a participação de pessoas que tb poderão querer dar o seu contributo.

Afixado por: salsolakali em janeiro 22, 2007 10:59 PM

Estou muito triste. O tipo de pessoas que fazem abortos sao pobres.Miseravelmente pobres ( não navegam na vossa internet) e não abortam por "desporto"- Acham que estas mulheres não sofrem? Elas não têm casa, nem água nem pão para o vosso hipotético "protégé".Sem condições, são mutiladas para sempre, algumas morrem com hemorragias ou infecções.Sem falar na "culpa" que a igreja patriarcal lhes atira para cima- como o sémen de um violador.Se voces "votarem" não aos abortos eles -ilegais- não vão deixar de existir.
Um feto de 10 meses não é uma criança, é um apêndice.é mais pequeno que um amendoim- informem-se!(essas fotografias são falaciosas).
A lei deveria ser amoral.
Mas voces com moralismos de merda "acham" que não por isso votam "não".Como se tivessem o direito ( e a capacidade)de decidir o melhor para os outros.
Ainda por cima num país com tanta violência doméstica...
Ridiculo.
Respondam-me se quiserem mas não me venham com pseudo-intelectualismos.
Obrigado.


Afixado por: bludjix em janeiro 23, 2007 03:15 AM

Engraçado... são tão pobrezinhas que nem se lembraram disso quando tiveram a relação sexual! Ser pobre não é desculpa para se estar acima da lei meu caro. Ninguem é obrigado a engravidar e as pessoas não engravidam como se apanha uma constipação.

Alem do mais volto a dizer... se essas pessoas são pobrezinhas, e continuam a engravidar sem cuidado nenhum (e aí acho que a maior pobreza é a de espirito) a solução não é matar os filhos que têm na barriga... mas sim criar melhores condições de vida humana e social, não só para esses filhos "indesejados" como para as mães pobrezinhas que os tiveram, de modo a o "erro" (se é que podem chamar erro à concepção de uma vida) não se repetir.

Por isso caro Bludjix... não me fale em semen de violador... esse já a lei prevê e permite matar o dito amendoim. E quanto ao desenvolvimento do feto... obrigado pelo esclarecimento... eu sabia que havia algo que Newton ainda não tinha explicado na evolução do macaco >amendoim > homem...

Salso... agora nós :)... obrigado pelo teu comentário, é de facto igualmente valido mas, tenho que reparar duas coisas, efectivamente a lei não tem o problema da não aplicação mas sim, como já atrás referi, a questão da não atribuição de pena efectiva por criterios especiais de atenuação de pena. Quanto a isso eu ate acho bem, e defendo até uma penalização maior para quem, faz do aborto negócio. E mesmo a proíbição de certos anuncios mais do que claros em jornais de grande tiragem anunciando esses serviços em Espanha.
Quanto ao poder de decisão que defendes deixa-me dizer-te 3 coisas: 1 há sim mulheres que recorrem frequentemente ao aborto de forma leviana, são uma minoria mas existem; 2 não pode haver decisão sobre a vida de um outro ser humano, como já expliquei a vida humana é um dos pilares basicos do nosso estado de direito. O que até salvaguarda a nivel etico certas fronteiras que não podem ser ultrapassadas com a clonagem etc; 3 a verdadeira escolha está ANTES DO ACTO DE CONCEPÇÃO.

Não consigo perceber como se ignora esta questão... mas hoje em dia só engravida quem quer ou quem se está pura e simplesmente nas tintas... os acidentes são 0,01% das situações e mesmo assim as pessoas sabem da ália inerente a uma relação sexual. Se não querem ter filhos não os façam... esta sim é a escolha.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 23, 2007 01:56 PM

Obrigado voçês ensinaram-me muito: Não sabia que se podia ser tão cínico.
Aconselho a lerem de novo o meu post anterior e as vossas respostas.
Aquele vosso comentário do "Engraçado... são tão pobrezinhas que nem se lembraram disso quando tiveram a relação sexual!" demonstra que este país ainda é de Salazaristas. Ironicamente num site de poesia.
Continuem as vossas vidinhas abortizantes. Vão à missa.

Afixado por: bludjix em janeiro 23, 2007 04:01 PM

...e já agora. não era Newton, era Darwin. Aconselho a leres.

Afixado por: bludjix em janeiro 23, 2007 04:08 PM

Exacto... erro meu... Darwin e a teoria da evolução Newton e a gravidade... Não se preocupe que leitura é coisa que não me falta.

E não é uma questão de Salazarismo é uma questão de causa-consequencia.

Por muito pobre que uma mulher seja e mesmo que não tenha internet em casa como o sr. bludjix, de certeza que ela já ouviu falar em metodos anti-conceptivos. Se engravida é porque quer ou porque se descuida. Não é por, pobrezinha, ser pobrezinha. Há uma ligação necessária: relação sexual -> concepção. E ninguem é obrigado a engravidar.

Disse e reitero, a solução não é matar filhos por nascer, é criar melhores condições para os receber.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 23, 2007 07:27 PM

Sim... à vida! Não... à falta de prevenção! Estamos em 2007, verdade? Quanto tempo e dinheiro já se dedicou à informação de como evitar uma gravidez? Qualquer criança desde cedo sabe o que poderá acontecer da intimidade entre um homem e uma mulher... não estaremos na época onde mais informação existe sobre esta(entre outras) matéria?
Bem hajas Nuno pela possibilidade que destes de aqui se poder reflectir sobre o valor da vida humana!

Afixado por: mariasaomiguel em janeiro 23, 2007 08:00 PM

Quero, à partida, dar os parabéns por este blog. E quero dizer que concordo com o que aqui foi dito sobre o aborto. Sou um estudante de direito muito modesto (quer em posses financeiras, quer em notas nas cadeiras lol), tenho já algumas bases de Direito Penal e realmente quando dizem aqui que a lei é hipócrita porque prevê algo que não aplica, isso denota inconsciência em relação ao Direito português.

O Código Penal é constituído por duas partes: a parte geral e a parte especial. A parte geral compreende determinados princípio, entre eles, a medida da culpa. A parte especial compreende os tipos de ilícito, onde cabe o aborto. Se a lei diz que quem pratica aborto incorre em pena de prisão até 3 anos, obviamente que o limite mínimo é 1 mês (previsto na parte geral). Depois, tendo em conta todos os elementos que o Juiz considere importantes para o caso, a pena é atenuada na medida em que a moldura se enquadra entre 1 mês e 3 anos. Geralmente essas atenuantes acabam por fazer a pena ser inferior a 2 anos, e nesse sentido a parte geral obviamente tem algo a dizer. E visto que o Sistema Penal Português não se fixa numa lógica retributiva, mas antes preventiva geral negativa consubstanciada pela preventiva especial compreendo factores de socialização. Assim, são sempre preferíveis penas que não privem a liberdade, já que a pena de prisão é a mais dura. É o que acontece no caso do aborto e é por isso que a existirem mulheres presas por praticar aborto em Portugal, creio que não existam, só em casos muitos restritos isso aconteceu.

Não me venham agora dizer que o aborto não é mensurável. Por amor de Deus!!! O Direito Penal, todo ele, na aplicação das penas tem em conta a medida da culpa. E ninguém me diga que a culpa no caso do aborto não existe, bem pelo contrário, ela existe sim. Provém de irresponsabilidade, de desconhecimento, de falta de informação, entre muitos outros motivos que pouco têm a ver com “azar”… Depois, existem casos previstos na lei em que o aborto é permitido como é o caso da gravidez fruto de violação, da gravidez que coloque risco de vida à mulher, etc.

Depois há uma questão que ninguém fala aqui. Quem vai praticar o aborto se o SIM ganhar este referendo?
Vão existir clínicas que vão o fazer com a maior das disponibilidades. Mas outras não o vão fazer… E agora vamos imaginar que eu sou médico numa clínica em que se fazem abortos… Quem me abriga a ir tirar um feto da barriga da mulher? Serei mesmo obrigado se tiver instruções para isso?

Obviamente que mesmo assim, o aborto é praticado, ainda que clandestinamente. Mas isto é argumento?
O crime (em abstracto) também é praticado, ainda que seja proibido e censurável. E agora faz sentido liberalizar algumas formas de crime? Faz sentido deixar que todos possam fazer-se acompanhar de armas a tempo inteiro, deixando a responsabilidade do seu uso, toda à pessoa?

O Direito tem de garantir a segurança, não só dos que já aqui estão, como daqueles que vêm a caminho. Com isto quero dizer o quê? Quero dizer que a discussão em torno da definição de vida é totalmente inútil. Falam em hipocrisia, mas ser hipócrita é tentar dizer quando começa a vida, ainda que à partida saibamos de onde ela provém e o que dá origem a ela. Mais ainda, um feto com 10 semanas, a que os defensores do SIM chamam publicamente de “conjunto de células” já tem cérebro e já se mexe… Onde e quem está a ser hipócrita?
Mais, eu compreendo perfeitamente que o que está em causa é a despenalização do aborto e não ser a favor. Mas é um pouco estranho eu ser favorável ao despenalizar de algo que abomino. Sim, realmente os motivos são variados. Mas com a despenalização total e irresponsável até os ricos podem abortar, ainda que tenham condições para educar a criança e acompanhar o seu crescimento fornecendo tudo o que é importante ao mesmo. Importante é educar para a responsabilização e para a prevenção, isso ninguém tem vontade de aprender e é assim que o Homem está neste momento. E aí entra este blog dedicado à poesia e realmente muitos assuntos tem agora o homem em mão que não só guerras mundiais ou questões de amor. Agora temos o desrespeito total pela vida…

É engraçado, vivemos num mundo onde todos os valores já não são mais do que meras flores que murcham bem cedo. Num mundo onde olhamos modelos e queremos ser como elas (ou eles), bem estou a ver uma quantidade de abortos por motivos estéticos. Porque todas as mulheres vão abortar responsavelmente, ainda que por motivos estéticos…

Também é engraçado, daqui a uns anos vamos ter de assistir a filhos que agradecem aos pais porque eles não abortaram. Ou pais a discutir com os filhos, chegando ao ponde de dizer no calor da conversa: “porque é que eu não abortei”.

Aqui há uns anos eram praticados 60 milhões de abortos por ano em todo o mundo e ainda há quem diga que isto é feito apenas com motivos bem credíveis e razoáveis… Devo ser eu que sou esquisito e acho o número grande. Pois, assustem-se, porque ele não está actualizado e hoje em dia não sei os números, mas são obviamente mais altos.

Mais uma vez, parabéns pelo blog.

Abraços

Afixado por: Mário em janeiro 23, 2007 09:52 PM

As mulheres podem ser ricas, pobres, inteligentes, ou burras.Escrever um livro ou escrever num blog frustrado. Ou nem sequer saber ler, como o vosso caso. Não interessa.Podem abortar!Um feto não é uma criança, é um apêndice do tamanho de um amendoim. Se quiser faz-lo e pronto, voçês vão andar a espreitar por baixo das saias? É que não vêem lá um bébé a olhar para voçês.
Vamos ser hipócritas, vamos.
Uma coisa é o que as outras pessoas fazem - que lamento informar, não tem nada a ver connvosco, outra coisa são as vossas igrejas."igrejas"...

Afixado por: bludjix em janeiro 24, 2007 04:04 PM

já agora, explique-se:
"não é salazarismo, é causa-efeito"????
"Há uma ligação necessária: relação sexual -> concepção. E ninguem é obrigado a engravidar."
Alguém anda a abortar frases.
P.S: Não tenho internet em casa e não sou senhor, mas obrigado pelo sarcarsmo

Afixado por: bludjix em janeiro 24, 2007 04:13 PM

Este é um assunto muito complicado, penso que tem de mudar as politicas de planeamento familiar, de apoio ás familias, com a penalização não se resolvem os problemas, tem de haver uma intervenção pedagógica por parte dos agentes da saude, da escola, da familia, tem de se garantir condições. cOcordo que o aborto seja feito com higiene e segurança mas também que não seja feito arbitrariamente abraço

Afixado por: lobo em janeiro 24, 2007 05:31 PM

Mário... que maravilha. Explicaste de forma exemplar aquilo a que eu me referia. Boa sorte com o resto do curso e ficas já a saber que a explanares assim, já quase que tinhas lugar a assistente do Dr. Costa Andrade. ;)... mas também vi aí muita poesia para além de legislação.

Bludjix, não irei entrar num dialogo de surdos consigo. Obviamente que o insulto é sempre o argumento de quem já não tem argumentos e no seu caso, cedo isso ficou demonstrado, não referindo argumentos mas sim insultando o autor do blog e as pessoas que comentaram com ideia diferente da sua. Vote alegremente no seu Sim, independentemente das suas razões estranhas e distorcidas que envolvem frutos secos. Não irei mais ter em consideração as suas desconsiderações.

Lobo... companheiro de longa data... que bom rever-te por estas mesas. De facto este é um assunto complicado e que certamente precisava de muita mais discussão, muito mais trabalho e muito mais pensamento, antes de ser atirado como uma batata quente para as mãos dos portugueses.
O teu ponto de vista é como tu... moderno e aberto... e acho que acima de tudo é isso que tem faltado a ambos os lados, ponderação. Esperemos que, seja qual for a decisão... seja a melhor... ou pelo menos que nos coloque num sentido melhor.

No outro dia ouvi alguem de um movimento do Não a dizer que desde 98 pouca gente tem trabalhado realmente para mudar a actual situação. Mas toda esta actividade civica não devia morrer aqui. Esta mobilização deveria continuar pós-referendo no sentido de suprir muita coisa que não existe ou existe deficitária, exigindo esse trabalho a quem o compete... ao governo.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 24, 2007 07:30 PM

E Maria São Miguel... obrigado amiga pelo teu contributo... eu concordo contigo. Mas não hesito em pedir ainda mais campanhas informativas, ainda mais trabalho para melhorar as coisas.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 24, 2007 07:33 PM

Poderia responder com a mesma linguagem coloquial que vossas excelências usam e tentar não ofender as vossas almas cultas e sensíveis.
Obviamente não querem LER os meus posts, ou não lhe dão a atenção devida- senão não diriam que não tenho argumentos ( curiosa observação, vindo de quem vem).
Os vossos moralismos superficiais ( baseado nas vossas nulas experiências) entopem a vossa precepção do mundo e dos outros, fazendo-vos entrar no maior pedantismo do pais: pensam que guiam os "pobrezinhos" com os vossos superiores ideais socráticos ( no sentido grego- tenho q explicar tudo!) mas o mundo não é como imaginam, e vocês próprios não são sequer as "personas" que ostentam. É tudo uma peça de teatro, para variar: voçês agora esquecem que leram isto e preocupam-se é com o que importa- armarem-se em bons para os amigos e escreverem muito, muito... não interessa que seja sempre o mesmo, desde que seja consensual neste vosso convivio doentio.
Se não fossem as circunstâncias, diria que estava na Inglaterra Victoriana, cheia de pudor e arrogância, e de burgueses a cheirar a leite.
A condescência comigo não tem o efeito desejado, pelo contrário: eu rio-me da magnificiente insignificância que vocês representam.
Obrigado, meus inimigos queridos- i love you!

Afixado por: Bludjix em janeiro 25, 2007 03:01 PM

Concordo plenamente com o Bludjix!

Gostava só de acrescentar isto:
vocês dizem que vão existir mulheres a fazer abortos por motivos estéticos...agora pensem: darão boas mães???

mulheres (ou melhor, casais) que não desejam ter filhos mas que acidentalmente têm um feto serão boas mães (ou pais)???

Serão vocês a dar o amor e a educação que as crianças precisam e a que têm direito a partir do momento em que saem para o mundo??


Afixado por: Joana em janeiro 25, 2007 03:23 PM

É dado um fundamento legal e cientifico que só ignora quem quer, à viva força, a implementação de um modelo Espartano de sociedade onde se eliminam à nascença os problemas. E ninguém é inimigo de ninguém meu caro... isso é só na sua cabecinha. E repare mais acima, LENDO, que a sr ou sra foi o unico(a) a utilizar tons menos próprios na abordagem ao assunto. Eu, tive a elegancia de responder, não censurando com o botão (delete) o que tem a dizer, por isso espero que se esforce um bocadinho mais, se vai continuar a comentar, por respeitar as opiniões dos outros e as debater de forma sã.

Mas pela sua ideia, breve passamos a matar à nascença, perdão... interromper voluntáriamente, os feios, os baixos e os gordinhos e a encurtar o trabalho que os mais velhos dão.

Vocês querem soluções faceis... eu digo-vos que não as há... ou se as há são ilegais porque não são verdadeiramente soluções, mas sim atalhos.

Joana... a base do problema mantêm-se... o que é mais correcto, matar as crianças que vão nascer para corrigir de forma facil as asneiras dessas pessoas ou prevenir, educar, assistir, de modo a essas pessoas não cairem nesses problemas?

Se há opiniões que eu respeito são opiniões como as do Lobo ali em cima... que é a favor do sim sem cair nos exageros de quem quer o aborto sem regras nem lei como vocês querem... e o referendo do dia 11 é para isso. A possibilidade de abortar por um simples acto de vontade... sem lei nem regra nem justificações a ninguem.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 25, 2007 08:26 PM

Nuno, o aborto "sem leis nem regras" existe actualmente e continuará a existir se o Não ganhar.
O seu argumento dos "feios, porcos e gordinhos" é fantástico!!Que deturpação!
E deixe-me que lhe diga que solução fácil é ignorar o abandono e os mau tratos de crianças! E ainda por cima vocês dizem defender a vida...!

Mas cada pessoa tem a sua perspectiva, os seus valores e prioridades...

Afixado por: Joana em janeiro 26, 2007 01:06 PM

Bludjix

Com todo o respeito que merece, só por aquilo que escreve, a forma como escreve, a forma como supõe, a forma como se acha mais informado, a forma como desconsidera aquilo que as pessoas dizem neste blog:

Sr Bludjix., você é um hipócrita.

Sabe o que isto é? O dicionário da lingua portuguesa ajuda...

Enoja-me ver pessoas com tamanha capacidade para serem incorrectas e mesquinhas... Tenho visto neste blog manifestações de opinião correctíssimas, favorecendo o debate, coisa que o Sr. Não sabe fazer, porque o seu "curso da vida" é uma valente porcaria e isto está aqui notónio.

Se eu fosse o autor deste blog, os seus comentário mereciam não só censura, mas sim mordaça... A palavra é realmente uma coisa muito bonita, mas nas mãos de pessoas como o sr, enoja...

Fique bem.

Tudo o que me possa dizer, cai em saco roto, que pode muito bem enfiar na cabeça.

Mais uma vez, parabéns ao autor deste blog, independentemente da opinião acertada ou não, mas por ser obviamente uma pessoa frontal, sem problema em que seja pública a sua opinião.

Afixado por: Mário em janeiro 26, 2007 06:59 PM

Joana... eu sei.. existe sem regras e consideramo-lo ilegal. Eu sei que a situação actual não é a perfeita nem idonea, mas também te posso dizer que não acredito que a despenalização sem criterios como querem seja a solução.

Porque não falam numa nova opção para mulheres que consigam comprovar uma situação economico-social de risco tanto para elas como para a criança a nascer... aí eu se calhar já era capaz de ceder nas minhas convicções e achar mais aceitavel.

Ontem ouvi as sábias palavras de D. José Policarpo e ele dizia qualquer coisa como isto: "na posição da igreja não se aceita qualquer tipo de aborto porque se defende sempre a vida, mas as actuais situações previstas na lei acabam por ser aceites porque se encontram, de algum modo, justificadas."

Permitir o aborto, sem qualquer lei nem regra, livre da simples vontade da mulher, até às 10 semanas é, no minimo, non-sense. E se te informares um bocadito na net, descobres que há 30 anos em França foi percorrido o mesmo caminho e hoje há manifestações a pedir de novo a penalização porque se apercebem do erro que foi cometido... (ver blog eco dos egos)

Mário... não vale a pena isso. De hoje em diante qualquer comentario ofensivo e sem educação será simplesmente apagado. Não é uma questão de democracia, todos são livres de expressar opiniões aqui. Mas tudo o que for do ambito do insulto e do ataque pessoal será simplesmente apagado.

Um abraço a todos e um grande bem haja pela participação interessada neste debate de ideias.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 26, 2007 07:38 PM


Tecnicamente o embrião só se torna feto às 12 semanas, e só desenvolve sistema nervoso às 20 semanas. A despenenalização do
aborto SÓ será efectiva até ás 10 semanas de gestação. Depois deste periodo, a antiga lei (apenas em caso de perigo para a mãe, má gestação do feto, violação, etc,) volta a
estar em vigor.
nao sendo minhas as seguintes palavras achei-as pertinentes:"se por um lado e perante a questão do referendo de dia 11, são frontalmente contra a “eliminação de um ser humano”, por outro lado e relativamente às excepções previstas na actual lei, não se opõem! Não se tratará, em ambos os casos, de "eliminar a vida" de um “ser humano” como tanto defendem agora? A isto, meu senhor, chama-se incoerência e demagogia pura!"
Acredito ainda que deveriam ter o mesmo respeito pela vida de uma mulher, e nao apenas pela vida de um embriao. Um aborto clandestino pode ser extremamente doloroso, traumatico, e fatal e nao uma via facil como parecem querer fazer parecer..tentando colocar me na posiçao destas mulheres,so posso imaginar a luta interna que passaram, contrariando o seu instinto maternal...penso que ninguem se coloca numa situaçao com estes contornos de animo leve. Fico chocada quando pessoas que revelam tanta sensibilidade para simples palavras, historias, contos, poesia nao a demonstram relativamente a estas mulheres.
"votar sim, nao significa ser-se a favor do aborto mas sim a favor da escolha"
eu nao percebo também porque todas estas pessoas que tao convicentemente defendem o direito pela vida..nao lutam com a mesma convicçao para acabar com a fome e os maus tratos das crianças no nosso país.E quando dizem que se faz um aborto para se puder viver mais confortavelmente...eu fico taquicardica! trata-se de querer uma vida melhor para um potencial filho e nao para si mesma.e nao se trata de querer proporcionar-lhe calças de marca e um carro aos 18anos, trata-se de lhe querer assegurar alimentaçao, educaçao, e saude que nao ponham em risco a sua Pessoa.(ha pessoas a passar fome em portugal sim! e que morrem por falta de cuidados medicos)

Afixado por: Joana em janeiro 27, 2007 10:57 AM

Curioso... daquilo que andei a ler na internet, apontava para a efectiva formação do Feto e respectiva denominação às 10 semanas em diante. Mas irei, consequentemente ler um bocado mais sobre o assunto Joana. Mas agora assume sinceramente. E o que farás com as mulheres que abortarem às 11 semanas? Já são criminosas para ti? E se elas recorrerem ao aborto clandestino ou fora do país nessa altura?

Em nada do que eu disse eu desrespeito a vida da mulher ou o seu "direito de escolha" só acho é que esse direito de escolha é anterior à concepção e não num momento onde o seu direito de escolha não incide só sobre si mas sobre um outro ser humano. Podes arguir o que quiseres, mas efectivamente embrião ou feto é já, outro ser humano, distinto da mãe cujo ventre o alberga.
E, de certa forma dás-me razão... a alteração da lei deveria introduzir pelo menos uma outra oportunidade onde a mulher demonstrasse dificuldades economico-sociais ou mesmo pessoais que permitissem o aborto... não a livre "rebaldaria" que se espera obter depois de dia 11.
E quanto às pessoas que tanto lutam pelo direito à vida... se te informares um bocadito melhor irás descobrir que muitas das associações de defesa da vida têm efectivamente trabalhado para melhorar as condições de vida dessas mulheres e dessas crianças. Enquanto que as associações de defesa do Sim nada têm feito pelas mulheres que tanto dizem querer proteger.

A actual situação não está perfeita e tem muitas falhas, mas o aborto livre e sem regras até às 10 semanas é um outro erro, não a solução.

Quanto às pessoas que morrem por falta de cuidados médicos, essa situação só se agrava desviando agora mais uma parte do orçamento do SNS para realizar abortos nos hospitais publicos ou para compartecipa-los nas clinicas privadas.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 27, 2007 01:00 PM

A Joana escreveu :"todas estas pessoas que tao convicentemente defendem o direito pela vida..nao lutam com a mesma convicçao para acabar com a fome e os maus tratos das crianças no nosso país" Eu pergunto: Conheces todos os que aqui escreveram? Sabes o que defendem em prol dessas crianças? Amiga a vida é um todo que é impossível cortar à fatia... a vida não é feita de 2 metades resumidas num "sim" ou num "não"... continuo a respeitar a tua opinião mas sem juízos de valor... porque não te conheço :) bj

Afixado por: euamoosabortosquenuncafiz em janeiro 27, 2007 01:02 PM

primeiro talvez seja importante diferenciar me da Joana que comenta frequentemente neste blog..é verdade o que disse acerca da maioria das pessoas que defende com tanto afinco o direito a vida ou seja que nao se preocupa activamente com os problemas de fome,violencia,negligencia que milhares de crianças vivem..digo a maioria ha excepçoes obviamente. E obviamente ha tambem muitas associaçoes e movimentos sociais que embora nao tenham surgido para fazer defender o sim, o defendam nesta altura critica embora nao decisiva. Mas nao é isso que importa chamar atençao. Parece me que a conclusao mais obvia desta discussao assenta sobre o facto de os defensores do sim nao conseguirem desprezar nem as mulheres que sao julgadas, humilhadas e que passam por um sofrimento incalculavel por optarem por o que lhes parece ser mais consciente nem as crianças que nao tem uma infancia feliz.opiniao fria? nao do meu ponto de vista. E do outro lado, os defensores do nao, nao conseguirem desprezar a vida nao consciente do embriao humano..assim sendo é dificil alterar votos e opinioes..ou seja nao se tratam de opinioes desinformadas cuja discussao pode levar a outras conclusoes diferentes das iniciais.

Afixado por: Joana em janeiro 27, 2007 09:35 PM

Como disse num dos meus blogs, eu voto NÃO porque sim. Voto não porque o meu filho com 10 semanas já aparecia perfeitamente na ecografia (tenho-a como fotografia no quarto e tudo), porque acho que não devemos mandar no acto de nascer de um ser, porque acho que os metodos de contracepção é que devem ser gratuitos e distribuição fácil em todos os sítios, porque acho que a Educação da nossa sociedade é que é preciso mudar, para que o simples acto de comprar preservativos, pílulas e afins seja visto como um bem, porque acho que é preciso é acabar com a hipocrisia da igreja sobre o uso de metodos contracepcionais, porque sei perfeitamente que nenhuma mulher se encontra detida por ter feito um aborto (a única que estaria presa foi liberta com caução que pagou de pronto), porque prezo a vida humana e acima de tudo porque o métdo que pretendem aplicar está desde já condenado.
Vou votar NÃO porque a actual lei já defende os direitos necessários para um aborto. Quanto ás crianças que são filhas de maus pais... infelizmente vão sempre existir e não é por se poder fazer um aborto que se vai resolver isso. Não resolvam os problemas descriminalizando-os!
P.S. Mas se o Sim ganhar, deviamos pedir um referendo sobre a Eutanásia, afinal nesse caso é apenas a pessoa que conscientemente quer morrer.

Afixado por: amadorjp em janeiro 28, 2007 11:47 AM

Pede-se que se seja civilzado e acho que todos os coments o têm sido.
Apesar de este tema ser muito controverso e dar origem a muitas e diversas opiniões (e de eu lutar diariamente para as respeitar a todas) eu voto SIM.
SIM porque SIM.
Não promovo a hipocrisia nem o cinismo...
Não entendo nem compreendo os argumentos do Não. Desculpem mas eu não penso assim.

Não entendo o porquê de trazer uma criança a este mundo se ela não vai ter as condições minimas para ter uma vida saudável e feliz.

Se calhar não sou coerente...sou educadora de infância e no entanto sou a favor da despenalização. Durante a frequência no meu curso tratei os direitos das crianças (CDC). Um dia durante uma aula fomos questionadas sobre qual o mais importante direito das crianças....respondemos todos e mais alguns...direito à familia, à alimentação, à saúde, à protecção, à educação, a serem felizes.....A prof dizia que nos estavamos a esquecer do mais importante...o direito à vida...Até aqui tudo muito bem...O mais bonito foi ver a cara da prof quando uma colega se vira pra ela e lhe pergunta: "De que adianta uma criança ter direito á vida, se quando nascer não vai ter acesso a todos os outros direitos que lhe estão consagrados?

Boa pergunta
Resposta? Silêncio

Afixado por: onisa em janeiro 28, 2007 10:46 PM

Onisa, obrigado pelo teu comentário... mas uma pergunta eu não posso deixar de fazer: Mas não é uma solução melhor lutar arduamente para esses direitos serem efectivados para todas as crianças? Será mata-los antes de nascerem uma solução melhor? Ou mais facil...?
(com um bocadinho de humor até te digo... claro... quem os atura todos os dias nas traquinices infinitas deles às vezes deve ter vontade de mata-los... lol)
Mas não me parece a decisão mais acertada. Se o mundo não está justo, matar pessoas para que não sofram injustiças mais tarde não é uma solução mas sim uma injustiça maior. A solução está sim em tornar o mundo um lugar mais justo. E para isso não há soluções faceis, mas sim muito trabalho pela frente.

Há 10 anos atrás a SIDA era um tabu. Hoje, fruto de muito trabalho e muitas campanhas de educação, informação e sensibilização, qualquer um fala de SIDA sem complexos. Já ninguem tem medo de dar um abraço a um seropositivo. Ou seja, a solução não esteve em matar os seropositivos mas sim em mudar a mentalidade das pessoas. E se o mesmo for feito com o aborto as coisas vão melhorar também.

Amadorjp... bem... o problema também é esse. A partir do momento em que permites o aborto, porque não uma data de outras coisas. Eu conheço pessoas que vão votar sim no aborto, não porque acreditem nos argumentos do sim, mas para tentar mudar mentalidades no que toca a muitas outras coisas. Isso é errado... isso é uma falsa questão. Recomendo-te um filme para veres: "mar adentro" é um filme que fala da eutanasia de um modo complexo... por um lado fala do sofrimento de um homem que quer terminar com a propria vida, mas ao mesmo tempo mostra como duas mulheres se apaixonam perdidamente por ele, demonstrando que apesar de limitada, ele leva uma vida bonita e feliz. Acima de tudo não faz juizos de valor, como aliás eu também não faço. Mas atribuo muito mais valor à causa da Eutanasia, porque ao menos aí, a pessoa cuja vida está em discussão, tem uma palavra a dizer, enquanto que aqui, muito se fala no direito da mulher e esquecem-se do direito do ser humano que se está a formar dentro dela.

Joana2... os defensores do SIM não desprezam as mulheres que passam esses tormentos todos (apesar de só 4 mulheres terem ido a tribunal nos ultimos 10 anos... ou seja que rico argumento que tens aí) mas e o que acontece a uma mulher que aborte depois do SIM ganhar às 10 semanas e 5 dias?... já é criminosa e vai para a cadeia...?

Ontem, ver a Dr. Odete Santos a falar na televisão esclareceu-me perfeitamente... não estão em causa para ela as mulheres, nem os direitos nem coisissima nenhuma... para ela estão em causa vitórias politicas para um partido que está a morrer e precisa de se agarrar a alguma coisa para dizer que ainda existe. É pena que as pessoas não percebam isso.

As pessoas vão pagar mais em impostos... em taxas moderadoras, em Scuts, em aeroportos estupidos que estão demasiado longe de Lisboa para serem funcionais... mas em vez de pedir ao governo um portugal melhor, vão-se entretendo neste "fait-divers" que é o aborto... é triste... mto triste...

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 29, 2007 11:24 AM

Aos Senhores do Não!
Meus Senhores,

Sobre o tema que escrevem, a Interrupção Voluntária da Gravidez, por ser tão dramático, deveriam optar por uma argumentação, menos demagógica e sensacionalista, ou seja, mais séria!
Portanto o mínimo que vos peço é para que sejamos sérios!

Vamos a factos:
1º- O Aborto clandestino existe, não podem ignorar esse facto!
2º- Segundo dados da Associação para o Planeamento da Família, em 2006, fizeram-se, 23 000 abortos clandestinos em Portugal;
3º-Nos últimos 10 anos, 100 mulheres morreram vitimas de aborto clandestino;
4º- A lei actual é criminalizadora, poderá conduzir a uma pena de prisão de até 3 anos, sujeitando as mulheres que recorre à IVG, à humilhação pública, estigmatizando-as e devassando as suas vidas privadas.

O que se está a referendar é a seguinte questão: Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?. Nem mais nem menos!
Há oito anos estávamos nós a debater esta mesma questão, quando os senhores vieram defender o mesmo não. Um dos argumentos utilizados era afirmar que lei era perfeitamente aceitável para resolver a questão do aborto clandestino.
Ora, oito anos passados verificamos que tal não é verdade. Segundo as estimativas em Portugal realiza-se cerca de 23 000 abortos clandestinos.
Cerca de 23 000 mil mulheres, repito, recorrem ao aborto clandestino, pondo a sua vida em graves perigos físicos e psíquicos.
Logo a lei actual é ineficaz e não dá resposta ao problema do aborto clandestino.
Assim sendo, das duas uma, ou fazemos como os senhores, metemos a cabeça na areia como as avestruzes, compactuando com esta realidade ou temos capacidade mental suficiente para verificar que é necessário mudar a lei.
Em 1995 a Conferência Internacional das Nações Unidas sobre a População e Desenvolvimento deliberou que o aborto clandestino é um grave problema de saúde pública.
Um ano mais tarde, a IV Conferência Internacional da Mulher declara: “o aborto em condições precárias ameaça a vida de um grande número de mulheres, representando um perigo grave para a saúde pública e são, primeiramente, as mulheres mais pobres e mais jovens que maiores riscos correm”.
A União Europeia avançou também com recomendações aos seus estados membros: “O Parlamento incentiva os Estados-Membros e os países candidatos à adesão a pugnarem pela implementação de uma política de saúde e social que permita uma diminuição do recurso ao aborto e deseja que esta prática seja legalizada, segura e acessível a todos”. Os países da União Europeia com legislação mais restrita são Malta, Irlanda, Polónia e Portugal.
Em 2002 o organismo da ONU,CEDAW (Comité das Nações para a Eliminação da Descriminação Contra as Mulheres) lançou um aviso ao governo português: “O Comité está preocupado com as leis de aborto restritivas em vigor em Portugal, em particular porque os abortos clandestinos têm sérios impactos negativos na saúde das mulheres “.
Sendo impossível assegurar a infalibilidade dos meios de contracepção, a possibilidade de interromper uma gravidez em condições de segurança e no quadro da legalidade, em estabelecimentos de saúde devidamente autorizados, é uma exigência de saúde pública.
Para além disso, permite acompanhar e integrar no sistema de planeamento familiar todos aqueles que não tiveram acesso à contracepção e a uma educação sexual informada e responsável, evitando a ocorrência futura de gravidezes indesejadas.
Esta é uma solução que conduziu a um menor número de abortos no caso dos países europeus que por ela optaram.
O facto de defender a despenalização do aborto (é isso que está em causa!) não significa que não seja pela vida.
A interrupção de uma gravidez não é desejável por ninguém, o recurso ao aborto não pode ser encarado como algo simplesmente leviano e fácil.
Em todas as mulheres que recorrem á IVG há um conflito interior enorme, um grave dilema moral. Pensar o contrário é não confiar nas mulheres, é achar que o aborto vai explodir como se banalizasse um novo método contraceptivo.
Não encontram uma única pessoa, que vote SIM (como eu!) que defenda o aborto como método contraceptivo. O que se pretende é dar condições e fazer um acompanhamento ás mulher que em último recurso recorrem á IVG para que tomem essa decisão me consciência.
A liberalização do aborto é o já existe: chama-se vão de escada, uma economia clandestina que desgraça mais do que ajuda.
O que se pretende é acabar com esta liberalização forçada, tornar clinicamente seguro um acto que não deve ser pago com a cadeia, como prevê a actual lei.
Por isso digo SIM a uma lei que respeite as convicções pessoais, éticas, religiosas e filosóficas de cada um.
Digo SIM a uma lei que parta do princípio de as mulheres têm capacidade para decidir em consciência. Haverá sempre mulheres que optarão por levar até ao fim uma gravidez que não planearam; e haverá sempre, também, outras que optarão, em consciência, por não o fazer.
Digo SIM à vida – em toda sua plenitude.
Deixemos de ser hipócritas, preocupemo-nos com os que sofrem nos dias de hoje os reflexos de uma sociedade intolerante, egoísta e hipócrita!

SIM, pela saúde mas mulheres!!!
SIM, por uma maternidade e paternidade conscientes!!!
SIM, pelo planeamento familiar e pela educação sexual!!!
SIM, PELA DESPENALIZAÇÃO DA INTERUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ!!!

Afixado por: Hugo em janeiro 29, 2007 07:51 PM

BOA NOITE,
PASSEI POR AQUI PARA DEIXAR UM SIMPLES TESTEMUNHO… O MEU…

PASSEI POR AQUI PARA DIZER QUE NÃO!!!!
NÃO À HIPOCRISIA!!!
NÃO À PENALIZAÇÃO DAS MULHERES!!!
NÃO A ESTA LEI INJUSTA E DESIGUAL!!!

PASSEI TAMBÉM POR AQUI… PARA VOS CONTAR…
A MINHA HISTÓRIA PASSOU-SE EM 1997, EU TINHA 19 ANINHOS, ERA SOLTEIRA, AINDA ESTUDAVA, NÃO TINHA EMPREGO… E ENGRAVIDEI!!!
TIVE MUITA SORTE!!!
TIVE A OPORTUNIDADE DE ESCOLHER!!!
E É ESSA MESMA OPORTUNIDADE QUE EU QUERO PARA TODAS AS MULHERES DESTE PAÍS!!!!
O MEU PAI, ABENÇOADO, DEU-ME ESSA OPORTUNIDADE! POIS FELIZMENTE TINHA CAPACIDADES MONETÁRIAS PARA PAGAR UMA BOA CLÍNICA!
NÃO ME SENSUREM JÁ… PELO MENOS LEIAM ATÉ AO FIM…
EU TINHA TODAS AS RAZÕES PARA ABORTAR!!
NÃO TINHA ESTABILIDADE FAMILIAR (ERA SOLTEIRA), FINANCEIRA (NÃO TINHA NEM TRABALHO NEM DINHEIRO) E MUITO MENOS PSICOLÓGICA (ERA UMA MENINA CHEIA DE SONHOS)!!!
O MEU SONHO HOJE É QUE TODAS AS MULHERES POSSAM TAMBÉM ELAS ESCOLHER O QUE É MELHOR PARA AS SUAS VIDAS!!!
POIS ESTA LEI PENALIZA AS MAIS POBRES.. JÁ QUE QUEM TEM DINHEIRO “RESOLVE” BEM A SITUAÇÃO!!!!

PASSEI PARA DIZER:
SIM À DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO!!!
POIS SE O USO DE DROGAS JÁ NÃO É CRIME… PORQUE É QUE FAZER UM ABORTO É???
O ABORTO EXISTE!!! E NÃO VALE A PENA CONTINUAR A OCULTÁ-LO EM CASAS PARTICULARES OU CLÍNICAS DE LUXO!!!! É PRECISO ACABAR COM ESTAS MÁFIAS E É PRECISO PROTEGER A SAÚDE DAS MULHERES!!!!

PASSEI PARA DIZER QUE SIM!!!
SIM A UMA LEI JUSTA!!!
SIM AO DIREITO DE ESCOLHA!!!
EU ESCOLHI… CHAMA-SE JOÃO E TEM 9 ANOS!!!

FIQUEM BEM,
ANA

Afixado por: Ana em janeiro 29, 2007 09:32 PM

Sr. Hugo,
vamos a numeros?
Vamos a factos:
1º- O Aborto clandestino existe, não podem ignorar esse facto!
R- e se o sim ganhar vai continuar a existir... só que ainda vai somar aos abortos legais e livres que vocês querem!

2º- Segundo dados da Associação para o Planeamento da Família, em 2006, fizeram-se, 23 000 abortos clandestinos em Portugal;
R- Ena... se são clandestinos como é que chegaram a este numero... é um perfeito disparate! Este é o numero dos abortos dos ultimos 10 anos? E será que foram tantos...

3º-Nos últimos 10 anos, 100 mulheres morreram vitimas de aborto clandestino;
Acabo de ver no Prós e Contras que foram 13 mulheres nos ultimos 10 anos... sim senhora... estou a gostar dos seus numeros.

4º- A lei actual é criminalizadora, poderá conduzir a uma pena de prisão de até 3 anos, sujeitando as mulheres que recorre à IVG, à humilhação pública, estigmatizando-as e devassando as suas vidas privadas.
R- Já expliquei devidamente o quadro penal e as respectivas atenuantes na aplicação da lei. Essa é uma falsa questão... se a prisão assusta assim tanto propõem-se a alteração da moldura penal, não a despenalização do aborto.

Agora vamos a mais numeros? 240 abortos por dia...
é o que temos em Espanha, onde o aborto é hoje em dia um metodo anticonceptivo... livre e inconsequente como vocês o querem tornar...

olhe que grande solução arranjaram ali!

A verdadeira solução está em atacar as causas do aborto, a pobreza social e economica, a educação sexual... a informação!

Aliás, vocês continuam a vociferar de forma desenfreada sem olhar para lado nenhum e sem dar ouvidos a argumento nenhum... leu atrás o que já foi dito?

Nesses países que tanto apregoa estarem à frente do nosso portugalzinho atrasado, as pessoas estão a repensar essa decisão outrora tomada e estão a chegar à conclusão de que foi um erro crasso. Porque os abortos ditos legais tiveram um aumento descontrolado, e os abortos clandestinos continuaram a existir. Não chame hipocrita a quem defende a vida... chame hipocrita a quem defende soluções faceis para coisa nenhuma.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 30, 2007 01:17 AM

boa noite Ana...
desculpe a pergunta, e sem tom ofensivo mas...
há quanto tempo foi isso? há tanto tempo assim?... não havia preservativos? nem pilula... nem qualquer outro metodo contraceptivo nessa epoca? Não sabia que se podia engravidar por meio de uma relação sexual?... é que eu tenho 27 anos e já sei o que é uma relação sexual desde os 15 anos, e ainda não fui pai até hoje... das duas uma... ou ando a disparar tiros de polvora seca, ou soube conscientemente o que andava a fazer, e nunca procurei desculpas a tempo algum se algo de "mais" acontecesse.

Escrever em CAPS LOCK na internet é sinonimo de gritar... tenho visto muita gente a falar pelo sim dessa maneira. Acho que por vezes, à falta de argumentos há pessoas que acham que por falarem mais alto os outros o ouvem melhor, como se estivesse a falar coisas mais importantes e certas que os outros. Pense um bocadinho nisso.

E vou-lhe contar também uma historia:
tenho um bom amigo há já uns anos,
entramos juntos na faculdade de Direito na Portucalense no Porto,
um dia a namorada dele engravidou...
contou aos pais que segundo ele: "cairam um para cada lado de inicio",
mas não procurou saídas faceis... arranjou um emprego e assumiu as consequencias das suas acções... Hoje...
ainda não acabou o curso... trabalha de dia e estuda de noite, não tem a vida facil... mas tem uma filha que ama muito e de quem muito se orgulha. Não pediu aos pais para lhe pagarem o aborto, pediu aos pais ajuda para criar um filho. Essa é a diferença... assumir as consequencias pelos actos que fazemos.

A Ana escolheu e escolheu muito bem e nunca se há-de arrepender pela escolha que fez... Agora olhe para o seu filho de 9 anos e diga-me que ele às 10 semanas era uma coisa sem valor nenhum como os defensores do sim querem que ele seja.

saudo-a pela sua escolha... admiro-a por isso... espero que a olhar para o seu filho e a pensar na vida que ele é que faça uma escolha igualmente boa, e consciente, no dia 11.

abraço para si e para o João.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em janeiro 30, 2007 01:30 AM

Passei pelo poetry café como já nao o fazia desde há algum tempo e, infelizmente, reparei que este espaço se tornou no que eu considero "dispensável". Peço desculpa por iniciar o meu comentário desta forma mas este será, com toda a certeza, desprovido de hipocrisias. Em primeiro lugar, julgava que o webmaster de um blog de poesia não seria de todo membro politico da mesma seita que tem assolado em Portugal durante os últimos meses, apelando à "consciência" e "moral" dos habitantes deste nosso país. Essa mesma seita que, sem argumentos plausíveis para justificar esta nova forma de discriminação e preconceito, afirma ser a grande salvadora da moral nacional baseando-se num lápis de cor azul com um grande NÃO moralista empoleirado no bico. Meus senhores, a tão maçadora discussão que se tem levado avante em diversos debates resume-se a única e exclusivamente a uma simples frase: "A mulher, como qualquer ser humano, tem o direito de escolher o que será melhor para si. Ninguém, mas mesmo NINGUÉM, tem o direito de se afirmar acima das suas escolhas."
Deste modo, torna-se clara a minha posição quanto a moralidades manchadas de sangue que os senhores do "não" tão pomposamente apregoam. Deste modo, torna-se clara a minha posição quanto a senhores que berram pela vida quando têm relações sexuais em que matam milhares de "crianças" através do uso do preservativo e que assassinam sem escrúpulos mais uns tantos através do efémero prazer da masturbação. Deste modo, torna-se clara a minha posição quanto a senhoras que assassinam "criancinhas" com comprimidos chamados de hipocritamente de "pílula anticoncepcional".
Deste modo, torna-se evidente a minha desilusão em relação a este blog, não pela manifestação da opinião do "não", mas sim em relação ao lugar de destaque desta.
Concluindo, esta foi a forma que eu encontrei para soltar este melindrante nó que a gente do "não" me tem vindo a formar. Pois não está em questão obrigar ninguém a fazer um aborto. O que está em questão é a liberdade de cada um, tal como a de um toxicodependente que consumiu droga e contraiu a SIDA. Não é o facto de ele se ter injectado porque quis que não o vamos ajudar e não vamos produzir medicamentos que atenuem o seu sofrimento. E NÃO é por isso que vamos passar por ele na rua e prendê-lo...
Eu digo SIM à despenalização do aborto. Eu digo SIM ao apoio à mulher que opta por abortar. Eu digo SIM a uma sociedade mais transparente e menos "moralista".

Afixado por: Guilherme Monteiro em fevereiro 2, 2007 12:29 AM

A mulher tem todo o direito às escolhas que quiser fazer com ela própria... não tem é o direito de dispor da vida de um outro ser humano. Isso, na nossa lei, ninguem tem Guilherme... ninguem mesmo!
No fundo tudo se resume a uma questão muito simples e essa é: o que é que para ti é que está dentro do ventre da mãe...
para os defensores do não é um ser humano em desenvolvimento,
para os defensores do sim é uma coisa... um nada, que não tem direitos e por isso pode-se destrui-lo sem sequer considerar a sua defesa...

nesta altura duvido muito que quem queira votar no sim vá mudar de opinião e duvido muito que quem vá votar no não abandone toda a sua convicção pela vida e mude...

assim infelizmente o sim vai ganhar e daqui a alguns anos alguem se há-de lembrar deste "velho" do Restelo que hoje eu estou a ser... e talvez me seja dada alguma razão nessa altura...

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em fevereiro 2, 2007 12:37 AM

E Guilherme... não tentes colar esta questão à religião... se queres que te diga, do fundo do meu coração, eu descobri recentemente a filosofia Sufi e estou muito feliz... admiro e respeito todas as religiões como formas validas de amar Deus, sendo Deus por si só uma força positiva... Deus é amor, seja em qualquer lingua, seja em qualquer religião ou cultura...
E é muito mau karma o que querem agora para o aborto... isso posso garantir-te, pois vai contra qualquer religião ou filosofia.

Mas como atrás disse: respeito todas as decisões, mesmo as erradas ou diferentes das minhas... talvez um dia percebas esta luz que sinto em relação a este e outros assuntos e vejas que o caminho para a vida passa sempre pela vida e pelo amor, nunca pela morte e pelo desprezo.

Rumi dizia:
"trabalha como se não precisases do dinheiro
ama como se nunca te tivesses magoado
dança como se ninguem estivesse a ver
canta como se ninguem estivesse a ouvir
vive na terra como se fosse aqui o paraíso"

agora o voto de cada um no dia 11 é com a sua consciencia... eu fiz a minha parte e alertei para o erro que sinto que é o sim... agora cada um que siga o seu próprio coração.

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em fevereiro 2, 2007 12:59 AM

Quero começar por dar os parabéns pelo seu blog. Não sou visitante assídua mas, hoje... apeteceu-me poesia!

Não posso também deixar de apontar a surpresa inicial pelo destaque que esta problemática do referendo de dia 11, está a ter. Não o esperava aqui mas, compreendo-a perfeitamente.

Como cidadã livre de expressar as suas ideias, aqui me têm a afirmar que no dia 11 votarei Não.

No entanto, desengane-se quem pensar que o meu voto é hipócrita, obtuso, moralista, etc., etc., etc.
Não advogo a ninguém o direito de julgar uma opinão que é essencialmente de ordem moral!

O extremismo, nesta situação ou em qualquer outra, sempre me assustou. Bloqueia a capacidade de raciocínio e de empatia com os outros.

Vejo argumentos válidos e importantes apontados pelos defensores do sim. Também concordo que é uma violência (para não dizer pior) penalizar as mulheres que praticam aborto. Não consigo ficar indiferente ao sofrimento por que passarão ao terem de recorrer a "arranjos" (ou "desarranjos"?) mal feitos, pondo em risco a própria integridade física.
Mas, a vida é, para mim, sagrada. Não me interessa entrar em discussões de, se às 10 semanas é ou não é uma pessoa. Podem não considerar uma pessoa mas, É uma vida (a minha formação é científica, posso falar disso com algum à vontade).

Custa-me votar Não mas, custar-me-ía muito mais votar Sim.

Independentemente do resultado deste referendo, desejo ardentemente que o nosso país aposte na educação (nas escolas, nos bairros, nas Juntas de Freguesia, na Comunicação Social,...). Acredito que muitas mulheres recorrem ao aborto por se sentirem ultrapassadas pelas contingências da própria vida. Acredito que, na maior parte dos casos, é uma decisão muito difícil, uma decisão de medo.
Então, criemos uma sociedade onde não seja necessário recorrer ao aborto. Eduquemos e demos um apoio EFECTIVO às mulheres/casais que necessitem dele.
Concordo plenamente, quando diz que a prevenção do aborto começa antes da concepção(i.e, educação!) e, quando isso falha, temos de apoiar social e psicologicamente essas mulheres/casais.
Só assim se poderá travar este flagelo, não por proibições legais.

Quando isto for uma realidade no nosso país, votarei Sim. Porque sentirei que estamos a fazer TUDO o que é possível para o evitar.


Independentemente de serem defensores do Sim ou do Não, todos os que se preocupam e não hesitam em discutir de forma aberta, responsável e respeitadora um cancro tão grande da nossa sociedade, estão a contribuir para o seu avanço, para o seu enriquecimento.
Para todos, um Bem-hajam!

Afixado por: denise em fevereiro 4, 2007 10:46 PM

Bem....a discussão tem estado acesa aqui por estes lados!!!!

Vontade de matar não ... mas fechá-los numa sala bem escura!!! Lol tou a brincar como é obvio...
Mas respondendo à pergunta que me fizeste: "Mas não é uma solução melhor lutar arduamente para esses direitos serem efectivados para todas as crianças? Será mata-los antes de nascerem uma solução melhor? Ou mais facil...?"

Essa era a solução num País, num Mundo, idealizado. Num Mundo em que não existisse fome, guerra ou miséria. Temos que pensar no país em que vivemos e viver a realidade que temos. Sonhar com coisas boas e realidades de sonho faz bem à alma e quem me dera a mim ver todas as crianças deste mundo felizes e com todas as condições para sobreviverem....mas essa não é a realidade...e olha que me custa ver crianças chegar à escola sem comer ou sem um agasalho que as cubra...

Já disse que sou partidária do SIM e volto a dizê-lo mas também acho que devemos e podemos expor as nossas opiniões e ser respeitados por isso (quer sejamos contar ou a favor).

Defendo a maior parte dos argumentos que os que defendem o SIM expuseram...penso que teria pouco a acrescentar por isso não o faço...

Mas o argumento que "mais" me irrita do NÃO é quando dizem que o custo dos abortos vai sair directamente do bolso dos contribuintes e que, estes, não têm que pagar pela irresponsabilidade de outros.

Eu deixo uma pergunta:
Se o problema está em pagar o aborto a quem por irresponsabilidade, ignorância ou azar engravidou, então porque pagamos tratamentos de quimio e radioterapia a quem por fumar desenvolveu um cancro?

A irresponsabilidade ou ignorância é a mesma. TODA a gente sabe que FUMAR PODE PROVOCAR O CANCRO (é o que diz lá...lol) e no entanto o estado paga milhões por ano que saem directamente do bolso dos contribuintes...e ninguém se vem queixar..

O mesmo se diga dos seropositivos.....hoje em dia só mesmo por burrice se contrai HIV e no entanto pagamos os tratamentos a todas as pessoas que (infelizmente como é obvio) contraíram o vírus...

Não quero com isto dizer que os portadores de HIV ou os doentes de cancro não mereçam tratamento...não me interpretem mal por favor...Só peço que pensem e comparem as situações.. Ambas tiveram origem na irresponsabilidade...

Estamos num estado de direito, logo somos todos iquais. Não podem existir cidadãos de 1a nem cidadãos de 2a.

Fiquem bem...

Afixado por: Onisa em fevereiro 5, 2007 01:41 AM

Tenho 42 anos, sou uma pessoa com cultura média-alta (leia-se bem informada), profissionalmente relacionada com Comunicação Social e sou Mulher.
Desde sempre que sou contra a prática do aborto e serei sempre, enquanto posição de defesa da Vida e do ser humano. Todos nós estamos aqui por acaso, fruto das circunstâncias, com pais e mães que, a estarem no exacto momento da concepção noutro sítio, hora e país, dariam um sucessor que não eu e voces. Tivemos uma chance e estamos aqui a usufrui-la - uns com mais, outros com menos, mas estamos e julgo não haver planos de suicidio na calha. Esta é a parte filosofico-existencial do que defendo, com alguma poesia emocional.
O lado social da questão, a meu ver é bem mais pragmático: se a irresponsabilidade, sim, disse IRRESPONSABILIDADE, de quem engravida no século XXI sem o desejar merece ser legalizada, então o principal direito constitucional das ditas democracias está deveras ameaçado - direito a igualdade de oportunidades!Desde sempre que as mulheres (então sem cultura, informação, direitos) aplicaram métodos anti-concepcionais naturais para engravidarem apens quando o desejassem - em consciencia; há preservativos de tripa de boi desde a Idade Média por ex., sem ir mais atrás no Tempo. Se a selecção natural era a opção, hoje que a Natureza foi relativamente domada pela socialização, restam-nos as milhentas ofertas sociais de controle de natalidade. Mas onde eu aponto o dedo à hipocrisia é que desde 1974 nunca tenha sido feito um referendo sobre a Educação Sexual Obrigatória, generalizada desde a idade escolar (vidé países desenvolvidos, como os nórdicos)que permitiria informar para criar o "dever da responsabilidade informada". Acredito em prevenir e não em remediar e, numa questão tão melindrosa e tão consequente para os tres intervenientes, seria justo, no mínimo, o direito à informação obrigatória numa matéria de saude, religião, civismo, socializaçao e filosofia/sociologia existencial. Aceito a legislaçao como ela se encontra definida neste momento pois sei que mais legalização do que a presente não faz sentido num país que infelizmente não estava preparado para a Liberdade em 1974, para a Descolonização em 1975/76, para a CEE em 1982 e para a Legalização do Aborto no séc. XXI. Evidentemente que há interesses socio-financeiros nesta tentativa e evidentemente que se pretendem fazer omoletes sem ovos, já que nao temos infraestuturas médicas capazes para suportar esta tomada de acção irracional. Pessoas com problemas remediados não são pessoas felizes, são apenas pessoas com problemas adiados acrescidos a novos problemas.
Uma sociedade hipócrita apenas para parecer que acompanha a evolução dos tempos, a modernização dos costumes, defendendo uma falsa questão com tantas consequencias nefastas, é apenas uma sociedade hipocrita e que perdeu o rumo do 1º direito inalienável - para pessoas iguais direitos iguais!!!!! Deram-me uma chance e eu não sou ninguem para me armar em "Deus" ou quem for que decide o caminho do Homem.
A minha melhor amiga há décadas é uma pessoa fantástica com imenso para dar e uma grande pessoa - podia nao a ter conhecido, pois a mãe tentou abortá-la além dos 3 meses, mas não resultou.
A quantas pessoas fantásticas foi retirado o direito à Vida por egoísmo, cobardia e, sempre - irresponsabilidade???????

(Não li qualquer dos comentários postados, apenas o texto-base. Felicito o autor e o sacudir da capa de "vergonha" que parece sentir muita gente que nao tem coragem de dizer NÃO apenas para ser "liberal/moderno/actualizado"...)

Afixado por: eva em fevereiro 6, 2007 08:05 PM

PS: Por lapso, referi a entrada na CEE em 1982, mas claro que a data é 1986. Obrigada... *

Afixado por: eva em fevereiro 7, 2007 01:10 AM

1. Alguns defensores do SIM dizem ter vergonha de continuar a viver neste país se o NÃO ganhar no próximo domngo.

Penso que também não é caso para tanto… Eu não terei vergonha se o SIM ganhar. Poderei ter pena… mas não vergonha. Tenho vergonha doutras coisas...


2. Esses defensores também dizem que tal prática é comum nos restantes países da Europa (excepto os mais atrasados, nos quais nós nos enquadramos perfeitamente) a escarnecem daquilo que apelidam "nossa falta de inteligência e conservadorismo"

Acontece que eu também me considero progressista e moderno (ou se quiserem, pós-moderno) e por isso mesmo lembro que em alguns dos “restantes países da Europa” já se discute voltar atrás com a lei existente, uma vez que com o avanço da Ciência Médica (e dos métodos contraceptivos) já não há justificações para muitas situações abortivas. Por outro lado, e em termos muito pessoais não me revejo em todas as políticas sociais e morais dos países que são considerados “menos atrasados” (provavelmente “medidos” apenas pelo PIB).
P.E. – Não advogo a pena de morte dos Estados Unidos… E também não gosto de sociedades onde se mostra “humanismo” pelos animais (cães, gatos, piriquitos, etc) e desprezo pelos seres humanos (ou parafraseando alguém, pelas “coisas humanas”).


3. O radicalismo do SIM vai tão longe que acabam por dizer que, se o NÃO ganhar a lei não deve mesmo ser alterada (ao contrário do que defendem alguns apoiantes do NÃO!!!, pois dizem que tal apenas acontecerá para o "poveco ficar satisfeito".

Contrariamente ao que muitos dizem, eu continuo a defender penas para todos os que cometem crimes. Mas também julgo que as penas deverão ser proporcionais ao crime cometido. E já agora, penso que existem outros tipos de pena para além da prisão… E apenas como exemplo, defendo penas diferentes para uma mãe que faz um aborto e para um médico que comete a sua 12ª interrupção voluntária de gravidez.

4. Depois dizem que estes argumentos não servem, pois "o que está em causa, é a despenalização!"

Acontece que a despenalização é até às 10 semanas. E depois das 10 semanas?...
É a mesma coisa de dizermos: «Vamos despenalizar o roubo. Quem roubar até… digamos 500 euros não tem qualquer pena, mas quem roubar 510 euros já está sujeito à prisão…»


5. A intransigência serve para dizer que "Se o NÃO ganhar, é prova de que o povo deste país não merece mais!!!"

Mas eu acho que o povo deste país merecia muito mais. Merecia, por exemplo que em vez de o SNS passar a gastar 450 euros com abortos a pedido, desse esse dinheiro a quem quer ter filhos e precisa desse dinheiro para o sustentar.

E já agora digo que eu também tenho receios. Tenho receio que se o NÃO ganhar, passe de facto a haver uma caça às mulheres que abortam, um pouco como tem havido recentemente um incremento da “caça à multa” nas estradas de Portugal. Tenho também receio que se o não ganhar, alguns interesses consigam mesmo assim ver aprovado na AR um conjunto de leis que permitam o aborto a pedido (da mãe, porque o pai infelizmente não é para aqui chamado…) e evitem penas para os médicos e auxiliares que o pratiquem.


Afixado por: Fernando Marques em fevereiro 8, 2007 07:00 PM

Hoje recebi este email, apesar de ser socialista confesso-me ENOJADO com este tipo de comportamento anti-democratico. Mas ainda bem que recebi este email para demonstrar o comportamento errado que o proprio partido a que pertenço está a ter, assim como outros partidarios do sim:

Camaradas,
A sondagem on-line realizada pela revista visão publicada hoje,
está a dar uma esmagadora vitória ao Não.
Peço-vos que percam 2 minutos do vosso tempo para irem lá
votar. http://visaoonline.clix.pt/
Não se trata de querer fazer batota, mas todos os meios são
válidos para mudar esta lei de humilha as mulheres!
Uma vitória do Não nas sondagem pode desmoralizar e
desmotivar muita gente a votar no Domingo!
Façam como eu e votem, na sondagem e na Urna: SIM!

Como podem ver... para esta gente, tudo vale, desde que seja para conseguir a vitoria. Incluindo falsear resultados de sondagens. Estou perfeitamente esclarecido. Obrigado!

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em fevereiro 8, 2007 11:33 PM

Gostei de ler o material proposto no sa(i)te por ocasionar uma reflexão, todas as considerações são válidas, entretanto, somente o próprio ser pode dar satisfação de seus atos, o “livre-arbítrio” até que ponto vai? Independente de questões que tenham a ver com religiosidade: Quem será o maior prejudicado... o corpo físico de quem? Não venham dizer que não exitem danos... para quem opta em abortar, porque até hoje não encontrei nenhum testemunho de alguém REALMENTE “light” em diversas camadas sociais,em quem tenha praticado o aborto. Não sobram seqüelas mesmo? Sim, no corpo no que diz respeito ao aborto forçado e as que envolvem perdas e toda perda tem a ver com sentimentos de LUTO (psíquicas/"to remember").
Por outro lado quem investe na Conscientização usa Preservativos, além de reduzir os índices da proliferação do HIV assim não precisará recorrer ao aborto. Ser SIM pela VIDA exige Coragem nos dias de hoje.

Afixado por: Rosangela Aliberti em fevereiro 25, 2007 04:33 AM

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Afixado por: Visitor791 em julho 28, 2007 10:14 AM

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