
Apocalypto é o mais recente filme de Mel Gibson. Para os seguidores deste homem enquanto realizador este é um filme obrigatório. Eu confesso-me um fã incondicional desde há muito tempo. Cinematográficamente o filme é muito bonito, paisagens de cortar a respiração, perseguições frenéticas, violência primal, argumento arrebatador embora simples e beleza, muita beleza.

Apesar das criticas que Mel tem sofrido, sobretudo do seu anti-semitismo, acho-o um injustiçado. As mensagens que atribui ao seu cinema são sempre mensagens muito fortes e que devem fazer pensar muita gente. Este é o cinema que eu gosto e vejo. Longe dos padrões forçados e batidos Hollywoodescos, longe do vazio das ideias que abunda no restante cinema americano, perdido nos Blockbusters de fraca qualidade.
Apocalypto fala de valores como família, como amor, amizade... quando mostra a fuga de um homem a uma captura que visa torna-lo uma vitima de sacrificio ao deus Sol nas mãos de um império Maia decadente, para salvar a sua família que está escondida numa gruta de onde não consegue sair sozinha.
Mas a mensagem predominante em Apocalypto (que significa um novo começo) é uma profecia de queda, uma tendência de todas as grandes civilizações para um sentido de decadência através da perda, da anomia, daqueles que são os valores fundamentais que devem pautar uma civilização. E aqui podemos traçar paralelismos entre qualquer civilização que encontrou o seu apogeu, seja a Maya, seja a Romana, seja outra qualquer, incluindo evidentemente esta nossa Ocidental. A guerra do médio oriente, a prisão de Guantanamo, o aumento do crime, talvez até agora esta liberalização que querem ao aborto. Não será isto tudo sinais de queda de uma civilização no seu apogeu? Esta é a mensagem de Gibson, controversa é claro... mas o que mais esperar do homem que realizou a paixão de Cristo (de forma tão bela e dolorosa) em aramaico e agora realiza Apocalypto, totalmente em Iucateque e igualmente cheio de dor e sofrimento para apenas e só demonstrar uma coisa:

Que o bem e o mal existe no coração de cada um de nós, sendo que o homem tem por vezes, de forma até civilizacional, uma têndencia inerente para o mal, e se demonstra de forma chocante nos filmes de Gibson uma coisa... a capacidade do homem fazer mal ao homem.
Isto é um filme que entretem, mas levantando a cortina, um filme que nos faz pensar... primal, gore (por vezes), basico... mas imbuido de mensagem.
Este é um filme que recomendo...
abraço a todos
Publicado por D_Quixote em janeiro 29, 2007 01:38 PM | TrackBack