E foi ali
atolado naquele sofá, ouvindo acordes pernoitados da espécie humana nas cordas de um instrumento,
que despertou para os pedaços de pele que se descolavam
aos poucos
para caírem no abismo interminável de escuridão preenchida pela
pausa.
no chão............................. ainda,
qual seria a sensação de ter saltado daquela janela enchida pelo Tejo?
imaginando-a quatro andares cravados no céu
e no tempo insustentável que demoro a ter-te neste reflexo
da janela da carruagem.
deixando-me matar pelo tempo e pelo túnel escuro que percorro aqui sentado.
Uma vida inteira tocada pela tua pele morna.
Não quero continuar a escrever,
prendo a caneta nos dedos e assim incham imóveis
enjoados pela dormência cega dos néctares azedos
que sobrevivem nos olhos sufocados de um fumador de ópio perdido num pesadelo em mandarim...que não entende
conversando contigo num prado florido, junto
de moinhos que ainda funcionam
de palavras que ainda significam
e de memórias que ainda se deixam inventar pela saudade.
de Ricardo Lopes

Lágrimas indizíveis by Álvaro M. M. Pereira
copyright of the photographer
(este texto está formidavel Ricardo... gostei imenso, sobretudo pela envolvência do texto que se entranha na retina à medida que se lê... parabens e espero que envies muitos mais iguais a este. Abraço!)
Publicado por D_Quixote em fevereiro 22, 2007 12:41 AMIntenso, é o unico adjectivo que encontro para qualificar o teu poema. Parabens!
Afixado por: Viv em fevereiro 22, 2007 08:26 PMDenso nos cheiros, nos sabores, nos sentimentos. Última estrofe simplesmente sufocante.
Obrigado!
Belo poema! Queremos mais
Afixado por: Miguel Mochila em fevereiro 24, 2007 09:34 PMgostaria de parabeniza-lo pelo seu site
os poemas aqui encontrados são realmente de qualidade... impossivel visitar o site e ler apenas alguns... gastei boas horas aqui!
Alguns exploram questões que tocariam até a mais fria alma
parabéns!!
Como eu dizia... este é daqueles poemas que têm tudo, mas mesmo tudo.
Viv, faço minhas as tuas palavras, intenso é o adjectivo certo para este poema.
Oliveira, tens toda a razão, é bom ler assim um poema cheio de cor e cheiro. Tanto que parece que até o podemos saborear.
Miguel... bela visita... queremos mais (sorriso)
"Alguém"... não precisas de ler tudo hoje, vai voltando, tens sempre uma mesa livre num cantinho, para beberes um café e releres uns poemas. volta sempre!
Belíssimo texto!
Afixado por: Olivia em março 7, 2007 06:15 PM