anoitecer ainda que assim
um ontem tão longínquo agora não se traduza
no emudecer secreto da máquina de escrever
isso e muito mais
derrocara daquele som inaudível
despertara a memória
temera a desonra gastara todas as palavras
agora
inalava todos os sons e aromas da criação do mundo nas frestas do café forte
os novíssimos companheiros afiançavam diziam-lhe repetidamente
- ela nem sequer estivera por ali
e então
ele escrevera em todos os lugares
(quando a noite chegar o pequeno inferno vai começar)
cigarras e copo na mão
eis
a visitação a epifania
captura-me em camera lenta (sorris)
estou-te a (rever)
sim
as lantanas as eiras repletas de figos buganvílias
esse sopro espraiara-se pelas ruas e ruelas
esplanadas e roupas estivais nas dunas litorais
até
nas salas de exposição
no salitre que ainda hoje repousa nos carris
outro homem que se vai
ao encarar o mar
os seus passos eram um murmurar cadenciado pelas ondas em alabastro
tinha agora mais amigos
( - e depois nasce o dia e já não importa donde sopra o vento)
só
resta a purpurina daquele mar o mesmo resplendor também na auréola dos teus seios
do nosso olhar rompe o sol na palma das mãos
na ventura de beber o dia a dia nos lábios
um do outro.
de Renaldo Ventura

Nuance #55 by Nana Sousa Dias
copyright of the photographer
(o que mais dizer da tua poesia Renaldo... já se tornou uma referência não só no café como na blogosfera portuguesa... um abraço!)
Publicado por D_Quixote em março 2, 2007 11:53 AM | TrackBackTenho passado imensas vezes por aqui, onde passo muitos momentos sempre agradáveis.
Este poema de Renaldo Ventura, e a fotografia do Nanã, ficam maravilhosamente bem. Gostei mto.
"A bátega em desmaio
Ao chão. Um bulir...
Antes poesia que poeta."
a minha natural inaptidão em julgar as tuas palavras e a de todos os outros é mais que evidente mas uma coisa te posso afiançar,és uma das pessoas que na blogosfera mais admiro ,e que desejo furiosamente o melhor do melhor nada menos do que isso.
Afixado por: paulo em março 12, 2007 09:16 PM