escrevo num texto inacabado a flor por inventar
ávida por ser sorvida, de sentido penetrada
e construída em cada pétala caída do olhar
desvelado, solta no silêncio que meus seios
inventaram nesta nudez em que me encontro
sem a sombra dos teus lábios
da parede escorreste ao chão, píramo,
e me bebeste em minha liquidez
nascente secreta, dádiva em ondas
despidas de convenções
à volta do teu corpo sem qualquer eixo
roda o meu, e é tão íntima a colheita
toca-me à noite, gaivota violada
na estrada do tempo sem refúgio,
aquece-me ao sabor desse vento
que me faz praia clandestina
marcada de memórias, veste-me
de música sem recato, cúmplice
me desafia em cada sílaba
de maresia com teu cheiro
longínquo, fascina-me cada gota
até que a concha seja margem
pro teu beijo e pérola se revele
num “arco-íris do desejo”[1]
em qualquer parte do teu mar
eu, tisbe louçã, que sem ti sou só retalhos
de identidade, como um entardecer ávido
por de novo ser manhã
de Sónia Regina
[1] Augusto Boal
(obrigado amiga por mais um poema tão lindo e tão teu.)

*** by marília campos
copyright of the photographer
Simplesmente belíssimo este espaço, bom gosto e requinte estão presentes em cada letra, linha, ponto; Em cores fortes e simples, que cantam e encantam àqueles que por este caminho adentram, maravilhando-se com a sensibilidade que por aqui faz morada. Parabéns e sucesso.
Afixado por: J.Wollvsttaven em junho 7, 2007 06:48 PMum poema simplesmente perfeito...
não existem mais palavras que o possam descrever...
absolutamente belo...
concordo inteiramente com J., é aqui o café que mais adoro estar. Seria bom se fosse real, num cantinho da cidade, a gente podendo fazer saraus, ver exposições dessas fotos maravilhosas, ouvindo música, lendo, conversando, tomando café...Quem sabe?
Fica aqui o meu abraço carioca, meu agradecimento a isabel pelas palavras que me comovem acerca do meu poema, ao NUno, amigo querido d'além mar.
beijos pra todos,
sonia