E disseram que estou em paz e o dia vai bem.
A tarde segue a reboque da manhã, a angústia
vai à frente do esquecimento, sem atenção
ao que sei de cor.
Os desenhos que omito, não volto para cortá-los.
Sigo num tempo dado de graça, não há pedágio,
nesse trecho da estrada caminham de mãos dadas
o criador e a criatura, o algoz e a vítima,
a vida que se candidata e a morte que pericia.
Não sei do veto ou da concessão nesse instante
em que esqueço de todo conhecimento para testar
a habilidade específica.
Médio é resultado incompatível com o exercício,
não diferencia ansiedade depressiva de hipomania.
Papéis, carimbos, assinaturas não dizem da lembrança
que expulsa o sono e explode a dor no travesseiro.
Talvez se devesse cercar os leitos com almofadas,
barricadas eficazes contra o frio sol de inverno.
No meu país não há à venda alfinetes de segurança
para prender cobertas nem internet nos computadores
da biblioteca municipal, não há comboios às sete
que levem o amor em campanha pelos trilhos.
Nem fiambre há, no meu país. Há letras esparsas,
Portugal está além do oceano de palavras,
avança pelo Atlântico na Madeira que se faz ilha
e Porto Santo é uma foto e um voto do amigo morto.
A escrita bloqueia o anonimato, citações sem aspas
perdem-se na clareza que arrefece a força do texto
que não se presta a enxugamentos e cresce,
na proporção direta de um dia que se completa
como reservatório que enche sem válvula de escape.
Nenhuma distração faz esquecer dos aniversários
que se comemoram nos últimos dias de cada mês,
na Lapa a história do Portugal vindo e ido brilha
amarela nos sobrados coloniais restaurados.
Não há fado; deles o samba invade a rua, passarela
de pessoas que vão e vem, sem rumo certo.
de Sónia Regina
(mais um poema teu amiga, e o teu café habitual. Beijinhos e obrigado.)

sem título by José Marafona
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|a voz| está de volta, agora em http://bolerodacidade.blogspot.com
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Abraço!
Nota: Brevemente enviarei uns textos para o poetry café.
Ouvindo a nossa própria voz entre estranhas vozes apercebemo-nos porque não outras vozes poderiam cantar o fado da nossa voz... a saudade e a melancolia sempre foi o olhar para o Mar que nos acaricia...
Afixado por: António Godinho em dezembro 29, 2007 03:37 AMBolero também já adicionado. Claro que passarei por lá!
Abraço a todos.
Afixado por: Nuno em janeiro 5, 2008 02:56 PM