novembro 28, 2007

Acordo…

Mais um dia inútil pelo qual tenho de passar… não queria, mas a minha existência a isso obriga, sim porque é preciso fazer algo para manter este corpo mecânico com vida… levanto-me e fico parado perante a janela que me mostra a realidade do que me espera lá fora… o tormento dos dias iguais, mecanicamente consumidos por mim, por esta espécie de corpo… lavo a cara e tento acordar, quem sabe se tudo isto não passa de um sonho, de um enorme pesadelo… como tirar prazer de algo que está “morto” logo à nascença? Como fazer para ter o mínimo de alegria, por me levantar, olhar lá para fora e poder gritar a plenos pulmões, “ Estou vivo… “ A verdade é que sou covarde, queria meter fim a este sofrimento mas não consigo… queria dizer basta, enterrar a faca bem fundo e acabar com esta agonia que dura à tanto e não tem fim à vista… a fraqueza é forte, tão forte que se apoderou da minha mente… Não se iludam, pois não tenho nada contra a vida, apenas não me encontro em sintonia com ela desde à muito… sinto que a cada passo que dou estou prestes a cair num buraco negro, por isso se torna tão complicado avançar caminho, limito-me ao que conheço e não avanço mais, o medo, a cobardia, voltam a infernizar-me o espírito… sinto-me inferior a todos, até aos mais miseráveis… não consigo controlar as lágrimas… se soubesses como queria tanto voar sem ter medo de cair, sem ter medo que as asas não aguentem a minha sede de subir mais e mais… O que me impede de tentar? Tudo! As pessoas, as palavras, os sentidos… sinto-me cansado de mim, este corpo já não me pertence, não me obedece… apenas vive a vulgaridade dos dias que passam, até encontrar um dia, o descanso eterno!

de Nino Carvalhais

(escuro, sombrio, mas muito bem escrito, como sempre. Aquele abraço!)

Skull I by SilvieTepes
copyright of the photographer


Publicado por D_Quixote em novembro 28, 2007 11:17 AM | TrackBack
Comentários

Quantas vezes não me vejo obrigada a pousar a mão no peito, buscando o pulsar de um coração para ter a certeza de que estou verdadeiramente viva. Tantas... porque um corpo não é uma vida e muitas vezes não sinto a minha alma. Sinto medo mas não me acho cobarde. Não acho porque ha muito me disseram que a coragem não era a ausencia de medo mas uma força que nos ajuda a superá-lo. E, quando nos esforçamos, vemos que há vida e que, se ela acabasse neste momento, neste mesmo momento em que achamos apenas existir, havia uma pessoa ou alguma coisa que nos faria uma enorme falta. A dor que isso causa pode não ser boa... mas é um sentimento que chega para provar que sentimos e, como tal, estamos vivos.

Amei o texto, boa escolha!

Afixado por: Marina em novembro 29, 2007 02:38 PM

Chega a noite e não consigo perceber quantos dias se passaram. Já não sinto a vida dentro de mim... sou simplesmente um corpo, uma concha fria e vazia, quiçá abandonada, que nem sei se valerá a pena apreciar.

obrigada pela inspiração*

Afixado por: Ana Silva em novembro 30, 2007 02:10 AM

Este é um dos melhores sítios para tomar café diariamente. Não há nada como tomar um cafezinho e ler coisas como as que leio aqui diariamente. Parabéns :)

Afixado por: Daniela em dezembro 1, 2007 01:35 PM

O Poetry está diferente,foi a pouco e pouco... mas está diferente! Saudades do antigamente!!!

Afixado por: Cristina em dezembro 2, 2007 08:07 PM

Eu continuarei a servir os cafés quentinhos enquanto houver assim gente que goste de poesia como vocês.

É por vocês que as portas se abrem todos os dias.

Cristina... mmmm... diz-me em concreto do quê, que eu tentarei trazer de volta. Obrigado pelo feedback.

Afixado por: Nuno em janeiro 5, 2008 02:54 PM

I don't understand almost anything, I must admit, but, who gave you the permission to submit this?
Not me for sure.

Afixado por: Silvie Tepes em março 8, 2008 05:55 PM
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