janeiro 04, 2008

Meu campo de batalha

Sou só um soldado,
à toa, ferido e assustado.
Numa praia esquecida, terra hostil.
Peço socorro em silêncio
por entre os sons da batalha.
Mas não vejo nada,
não vejo ninguém...

Com mão trémula,
escrevo-te esta última carta.
Não espero por amanhã.
Tou frio e dormente,
só vislumbro o Presente
que o Futuro é coisa vã.

Sombras movem-se pela calada da noite.
E eu aqui perdido,
sem saber para onde ir.
Tou demasiado fraco pra lutar,
e muito assustado pra fugir.

Como as árvores eu quero morrer de pé,
e triste fim, acabar de joelhos...
Mas sinto que mais não posso fazer,
dói-me o corpo , dói-me a alma,
que mais resta então pra doer?

Com esperanças e ilusões,
fui mais um entre tantos que tais.
Abatido à chegada, sem ver a alvorada,
cuja fé e confiança foram pecados capitais.

E quando minha hora por fim chegar,
na minha pedra ficará escrito:
Por fogo amigo morreu a lutar,
e jaz nesta praia esquecida.
Quem lutou por acreditar,
em uma batalha perdida.

de Luis Nascimento

(força amigo... juntemos todos as nossas forças na batalha por mais poesia em 2008. Gostei, é triste e escuro, tal como eu gosto.)

imagem do filme Jarhead

Publicado por D_Quixote em janeiro 4, 2008 12:31 PM
Comentários

A fotografia nesta cena de Jarhead é algo surreal!

Afixado por: Thiago em janeiro 4, 2008 11:14 PM

é um filme que impressiona pela fotografia, embora que como história eu ainda prefira o full metal jacket.

Quanto ao poema... da-me vontade de ir a correr ao videoclube buscar o "longo domingo de noivado" e imaginar a dor que a guerra traz com a distancia dos amantes.

Afixado por: Nuno em janeiro 5, 2008 02:48 PM
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