janeiro 07, 2008

Mar de dúvidas

Os olhos colocados no mar. As gaivotas rodopiam nas ondas, afagando-o como quem agradece. E saciam a fome, descansam o peso das asas... invejo-as. Tiro a roupa, e imitando-as mergulho, afago também eu o mar, na esperança que me sossegue. Lavo o corpo do peso do mundo... Visto-me... Passo pelos velhos lobos sorrindo pensando na sua paixão pelo mar. O irmão mais velho que está sempre lá para nos ouvir, nos abraçar o corpo e o pensamento. Dou por mim novamente na marginal, com as mãos nos bolsos, tranquilo. O corpo começa a ceder... sinto o peso das noites sem dormir, e decido dar-me umas boas horas de sono.

O pôr-do-sol atravessando o quarto... bate em mim e sinto-o como fogo no meu corpo... vou ardendo febril neste transe, não sei se já acordado, se ainda dormindo... Sinto-o... o fogo da noite que se aproxima, doendo já em mim as horas acordadas. Sonhei contigo, mas não interessa, já é tarde para sonhos... Levanto-me... vou até ao computador, apetece-me escrever para ti...

"Deixas em mim... tanto de ti... e no entanto, tão pouco!!! Sinto a tua falta, a falta do teu beijo, e do teu sorriso de menina marota, brincando no meu peito, tatuando as tuas mãos no calor dos nossos gestos. De sentir calma de te ter do meu lado, e o fogo de te ter em mim... e nao saber se te devoro, se te dou a mão!!!! Os nossos corpos escondendo segredos um do outro, na espera que as nossas mãos os descubram!!! De viajarmos nos sentidos que os nossos desejos inventam, sem limites ou fronteiras, presos por um fio a quem somos no Mundo!!!! O silêncio acaba por ser senhor do momento, ajudado pela cumplicidade do mar que vai gemendo o que não te sei dizer!!!!! O que a minha boca recusa, pedindo a tua... pedindo o sabor que me deixas na pele!!!!..."

Mensagem enviada... e arrependo-me! Porque deveria ser mais forte e não te procurar... da forma que seja! Mas o amor reduz o Homem... como qualquer outra droga!!! De qualquer maneira, não há forma de voltar atrás... Dei um momento à voz do coração, e ela voltou a querer saber de ti... aliás, voltou a querer lembrar-te que existe. E eu mil vezes jurei a mim mesmo que não voltaria a procurar-te... e mil vezes me condenei por o voltar a fazer... espero que me perdoes, e compreendas... um dia disseste-me que se um dia eu tivesse dúvidas... que se um dia nos separássemos... nesse dia lutarias por mim, nao desistirias, porque eu era o homem que querias do teu lado... curioso como o mundo gira e tudo muda de lugar... agora sou eu quem te busca e não desiste de te amar, mesmo que o queira não consigo... fazes parte de mim, e contigo sonhei de forma como nunca sonhara... vivi... como nunca o fizera!Ensinaste-me... que o amor não escolhe o momento, e que podemos amar com todas as forças uma pessoa completamente diferente... que amar passa por saber aceitar, por perceber que pessoas perfeitas não existem... mas que quando as amamos são perfeitas para nós... e nos ocupam devagarinho. Começam a fazer parte... e os seus defeitos são já nossos também... que o seu sorriso afasta tristezas, e nos faz também sorrir. E que as suas mágoas também nos doem... que os seus medos também nos assustam... E que quando amamos dessa forma... nos sentimos metade sem a pessoa do nosso lado... e nada, se essa pessoa parte...

de Filipe Oliveira

(o que dizer deste texto?... adoro-o como se fosse meu, porque talvez não o escrevesse tão bem assim. Li-o várias vezes e não encontrei falhas, é perfeito, e espero receber muitos mais textos do Filipe, porque serão uma contribuição muito valiosa para este pequeno palco. Abraço!)

sacrifice pt.2 - back home by orangebutt
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Publicado por D_Quixote em janeiro 7, 2008 10:59 AM
Comentários

Lindamente escrito e perfeitamente descritos sentimentos que por vezes nos acontecem e que de alguma forma nos fazem sentir ...vivos, apesar da tristeza.

Afixado por: António "Nito" Viana em janeiro 7, 2008 06:46 PM

Um texto muito bom, absolutamente cativante. Espero que continues a escrever e a partilhar connosco :)

Música fantástica Nuno, como sempre. O café de hoje teve um sabor especial ;)

Afixado por: Maria em janeiro 7, 2008 07:55 PM

Filipe, permite-me o tratamento por “tu”.
Intitulas este teu magnífico texto de “Mar de dúvidas”... não creio que o seja!... Não há dúvidas neste “desabafo”. Há sim, um mar de sentimentos ou um mar de certezas.
Que nunca te arrependas dum acto gerado pelos gritos do coração e da alma!... E, não, o amor não reduz o Homem, antes pelo contrário, o amor fortalece-o... dá-lhe ânimo para continuar a lutar, às vezes até inconscientemente... É na luta pelos nossos sonhos, desejos, convicções, que está a verdadeira essência e sentido da vida!... Prova do que acabo de dizer é este teu texto. Gostei muito, muito... não apenas pelo seu conteúdo mas também pela forma como narraste sentimentos.
Obrigada Filipe, pela partilha, pelo momento de aprazível leitura que me proporcionaste.

Nuno,
Magnifico o texto do Filipe. Tal como tu, reli-o inúmeras vezes. Mais um a fazer jus a este espaço!
Sem querer repetir-me agradeço-te, mais uma vez, as tuas palavras... não me sinto merecedora de tanto!...
Deixa-me ainda e também felicitar-te pelas excelentes escolhas musicais... sempre criteriosamente seleccionadas!

Cumprimentos a ambos.

Afixado por: Litinha em janeiro 8, 2008 12:21 PM

Bem... Litinha, o Filipe enviou o texto sem título, fui eu que tive que, depois de tanto o relêr, chamar assim.

O mar imenso de talento é o que vejo neste texto, mas não o podia chamar assim. (hihihi) Por isso chamei-lhe mar de dúvidas, porque o amor anda sempre de mão dada com a incerteza do amar.

Os elogios aos teus espaços são merecidos.

Quanto à musica meninas, aconselho-vos a procurar na net a Natacha Atlas, ela é senhora e dona de muitas e inesqueciveis musicas.

Afixado por: Nuno em janeiro 8, 2008 12:40 PM

Nuno :)))

Ai foste tu!!! :)))
Mil desculpas ao Filipe! :)
Mais uma vez concordo contigo... um verdadeiro mar imenso de talento!

Quanto à música, Nuno, antecipei-me ao teu conselho... nem calculas quantas já recolhi! :)

Beijinhos.

Afixado por: Litinha em janeiro 8, 2008 01:24 PM

...sem comentários.
Apenas várias lágrimas unidas pela razão suprema da tua alma fêmea...

Bonito texto, e exelente blog.
Vou sem dúvida passar a tomar o café mais vezes aqui no Poetry.
Um abraço a todos.

Afixado por: Jonny em janeiro 8, 2008 02:05 PM

bem fizeste me rever a minha vida ultimamente.
concordo plenamente mar de talento

Afixado por: maria pereira em janeiro 10, 2008 09:47 PM

Ele chamava-se Renato....e a história foi tal e qual como a descreveste. 6 anos depois, parece que foi apenas ontem...

Parabéns Filipe.

Afixado por: Helena em janeiro 10, 2008 10:32 PM

Leio distraidamente as primeiras linhas, logo percebo que não era naquele dia que deveria ler um texto assim.
Noutra noite, passo por aqui e já como que uma obsessão os meus olhos procuram este texto e nele correm ávidos várias vezes, até as lágrimas me toldarem a visão e simplesmente não conseguir estar na realidade.
Nesta madrugada sinto-me capaz de escrever.
Filipe, o texto tem sentimentos que correm livres em cada espaço das letras e parece que saltam do ecrã, indo tocar no mais profundo do coração de quem o lê. O teu nome, por ironia, ainda enfatiza o que sinto, e deixa-me realmente...
Um grande Obrigada, ...pouco a dizer para o mar de sensações aqui magnificamente apresentado ^^

Afixado por: Ana Silva em janeiro 12, 2008 04:48 AM

De facto é daqueles que dá sempre vontade de ler e reler. Espero que o Filipe continue a enviar-nos mais textos.

Afixado por: Nuno em janeiro 13, 2008 03:20 PM

gostei deste texto. Na minha opinião é raro aparecerem aqui textos que prendam, e este agarrou-me. Aproveito para desejar bom ano.

Afixado por: lobo em janeiro 22, 2008 09:42 PM

Não consigo descrever o sentimento que me provoca ler este texto.
Deparei-me com este blog por pura coincidência e não consegui parar de ler.
Apenas contemplar o teu nome, "Filipe" me provoca um arrepio de tristeza e ao mesmo tempo de puro prazer..

Fez-me bem ler o teu texto..penso eu..nem sei bem..sei que é lindo e verdadeiro..e que o vou reler vezes sem conta..

Estava a escrever agora ao "meu" Filipe..
Vou partilhar contigo porque já não o vou partilhar com mais ninguém..perdi as forças..

"Por vezes o dia prega-nos partidas que nem a noite escura, serena, iluminada pela mais bela das luas, consegue apagar..
Hoje é um desses dias.
Fiquei suspensa apenas por um fio entre a realidade e a ilusão..
Não consigo escolher onde quero estar.
Tenho que me apressar, o fio é fraco..Quebra..
Mas nem mesmo assim o meu coração bate..não sinto nada..
A luz da minha Alma apagou.
Não ouço o som do meu respirar.
Não ouço o cantar dos passaros, não vejo o pôr do sol, não sinto as ondas a chocarem em mim, não sinto a areia entre os dedos..
Tento dar um passo, mas sou sugada para trás.
Quero sair deste buraco negro onde caí.
Quero uma luz que me guie...
Quero umas asas que me transportem de volta ao meu caminho..
Não entendo o porquê de ter que ser assim..
Que se parta o fio.
Perdi parte de mim..
Perdi a noção de quem sou.
Preciso sentir outra vez..

Um beijo

Afixado por: Sofia em março 6, 2008 12:16 PM
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