janeiro 08, 2008

A tua voz

É a tua voz que me levanta a alma,
mesmo quando dela sobram apenas rastos e ecos...
Mesmo quando do corpo se quebra a sombra e nada exista além de um eterno vazio.
É a tua voz que me dá as mãos, mesmo quando elas não trazem nada, apenas um pouco de cheiro a solidão, ou um resto de nuvem que me sobrou dos sonhos de ontem.
É esse grito silencioso que traz na garganta o meu nome, mesmo quando dos lábios não saia nada.
São trajes de tempo
Tempo que se escoa num outro tempo que me passou
Vozes entre o céu e a terra que me assemelham a seres iguais a todos os outros seres.
É a tua voz, mesmo quando está muda e eu surda que oiço em madrugadas como esta!
Voz que chega entrelaçada no vento que bate e se esbate
embalada num abraço que me vira o corpo do avesso...
Aconchego-me e deixo-me ficar...
Não estou só!

de Joana Freitas

(mais um texto tão teu! Adoro a espiritualidade imbuida nas tuas palavras, no plano quase divino que dás a uma voz que te acompanha... talvez a voz da saudade. Obrigado por mais este momento Joana, ficarei à espera de mais.)

Fall... by Lady-Dementia
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Publicado por D_Quixote em janeiro 8, 2008 09:31 PM
Comentários

Muito bonito. Fez com que as emoções escondidas se revelassem.

Afixado por: Alexandra em janeiro 9, 2008 02:43 PM

Sim. E tambem se faz com que tão boa poesia saia da gaveta e venha ser lida e saboreada.

Hoje sirvo com um pauzinho de canela.

Afixado por: Nuno em janeiro 9, 2008 09:08 PM

Voz é presença!
Inúmeras vezes dou por mim a falar... comigo!... Articulo sons, fomento monólogos, meramente para me dar conta que ainda "estou cá"!...
Bela poesia, Joana.

Nuno, para mim cheiinho, sempre!

Afixado por: Litinha em janeiro 9, 2008 11:10 PM

Obrigada por teres trazido testos meus guardados dim "Nas gavetas da minha alma". Obrigada tb à Alexandra e Litinha pela leitura e palavras.

Afixado por: Joana em fevereiro 2, 2008 11:03 PM
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