servem-te o fim numa bandeja de charme e romance
optas por petiscar um pouco do podre que tens
fechas-te em copas com o novo paladar
aguardas outra injecção de angustia
não esperas mais nada
deram-te mais do que desejavas
a história da tua vida
sabes agora como acabas
foges corres e não paras
não precisas
hás de parar.
não por ti,
por ele.
o calendário apressa-se em mostrar que ja se avizinha
rasgas-lhe dias e dias
como se saltasses sobre ele
como se o ludibriasses
e depois te sentasses de novo no sofá
que já não tem a mesma cor nem textura
mas o fim ainda perdura
ainda se faz vingar da tua mentira
ainda te oferece toda a amargura
que juraste nunca querer
não hoje
não nesta vida
rogas preces
defendes o teu caso
reinventas-te como quem não o merece
desiste
adocica-te com ele
rasga-te na coxa um pouco de pele
desenha um bolso
e guarda-o
não, na coxa não
perto do peito
dentro do coração
estima-o
apagas a luz e dizes-me que é tarde
amanha acordas cedo
eu permaneço encostado fito o vazio
e quero ter medo
desisto
enrolo-me e submerjo
engulo-te o cancro e já não apareço.
de Vasco Leão
(escuro... estranho... diferente... adorei Vasco, adorei esta tua visão escrita. Aquele abraço!)

Self Loathing by ~virginsuicide123
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Convidamos todos os amantes da poesia em Língua Portuguesa a participarem no Prémio Poesia em Rede! www.poesiaemrede.no.sapo.pt
Afixado por: Poesia em Rede em janeiro 10, 2008 12:32 AMbem,
sem palavras de facto.
ha poemas que são bonitos pelas palavras e pelas rimas, enfim pela sonoridade, e mesmo assim nunca tenho a certeza se é boa ou ma poesia. mas quando me faz sentir de tal forma que a leitura tem q ser pausada e so consigo parar na ultima palavra, então sim, tenho a certeza q é um grande poema!
Sim Ivete, um poema deve sempre ser julgado pelo seu todo, como nós devemos ser também, com todas as nossas virtudes e defeitos.
Poesia em rede - Irei divulgar o vosso concurso aqui no poetry café. Todas as iniciativas de promoção da poesia portuguesa são louvaveis.
Forte e arrepiante!
O exacto conteúdo e significado das palavras só o autor lhes poderá dar... porém, é curioso como, estas, se coadunam a um recente e doloroso período da minha vida!... Como se ao ler me "vestisse" delas... como se elas fossem a voz daquelas que guardo e não consigo dizer...