janeiro 14, 2008

Tempo

O tempo é o amigo e o estranho. O doutor e o amante, a foice e o algoz. Aplaudimos e sufocamos, contamos com lágrimas e medimos com sorrisos. O tempo é o vento, e o vento é poeira fina que fica dentro dos olhos.

Tempo é aquele que acarinha o enfermo, satisfaz os ponteiros em sua dança louca e desvairada, mas se perde entre sussurros apaixonados e melodiosas canções de serenatas. Tempo é aquele que mostra que feridas purulentas e profundas são suas companheiras fiéis, e que dores latentes e proibidas fazem parte do seu show de atrocidades.

Chorem alto, lamentem nas vigílias. Doce e amargo é o gosto de quem se submete.

Desequilibrados constantes, aprendendo com noites e dias que duro e enfadonho é o seu penar. O tempo se vai, e não se despede.

Chorem alto, lametem-se, infames submissos. Tempo é um deus cruel que brinca com suas armadilhas ardilosas e ri gargalhadas corrosivas quando nos prende em uma de suas teias.

Tempo é o vento, e vento é poeira fina que fica dentro dos nossos olhos; uma vez que piscamos e descobrimos que já não somos mais meninos. O tempo se vai, e não pede passagem.

de Marta Silva

If I could rule the time... by ~bloody-earth
copyright of the photographer

Publicado por D_Quixote em janeiro 14, 2008 07:05 PM
Comentários

O tempo passa
A vida passa
Eu passo
Em passo apressado...

Penso no tempo, deixo um beijo e vôo para a vida

Afixado por: Crystal em janeiro 15, 2008 01:06 AM

Eu vou pedindo tempo livre para continuar a actualizar com frequência o poetry café.

Maldito tempo que faz de nós todos escravos do relógio.

Afixado por: Nuno em janeiro 25, 2008 06:19 PM
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