Sou feito do mar e da terra
Sou feito do amar e da guerra
Sou feito do extravasar da água
Que esculpe a rocha sem mágoa
Sou feito do amor sem trégua
Sem compasso nem régua
Sou o inesperado orvalho que rega
A colorida flor que se entrega
Não sou descanso nem remanso
Não sou a paz que anseias
Sou um tempo de cheias
Que te faz correr o sangue nas veias
Sou pior que uma intempérie
Sou um desvelo em série
Sou o abandono da tua calma
Sou o desejo inocente de tua alma
Sou um mundo feito de teias
Sem enredos nem peias
Sou coisa sem tempo nem espaço
Sou só o que desejas no teu regaço
de António Viana

Avalokiteshvara by i_rabbit
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(o que dizer deste poema amigo António?... é lindo, perfeito, e deixa-me sem outras palavras. Tem uma sonoridade e um timbre unicos e transportam-me para muito longe daqui. Obrigado por este momento!)
Publicado por D_Quixote em abril 22, 2008 11:05 PMAdoro a maneira como o 1º verso rima com o 2º. Não é a tradicional alternação de rimas e fica muito bem. Gostei muito.
Afixado por: Inês em abril 26, 2008 12:15 PMeu adoro poemas assim que nos levem a meditar...
obrigado pela visita e pelos comentários!
Afixado por: Nuno Peixoto Branco em junho 4, 2008 07:46 PM