maio 05, 2008

Na serenidade dos rios que enlouquecem

O tempo passou por nós, não vês?
Crescemos, tornámo-nos tristes.
No fundo, crescemos.
Perdemos as brincadeiras,
Os sentimentos sem sentido.
Perdemos a inocência,
A leveza das palavras
Que teimámos tantas vezes
Em esconder.
Não existem culpados,
Mas sentimos no nosso corpo
O ardor dos cactos,
Quando as lágrimas,
Queimando o rosto,
Caem desamparadas no chão.
Não há súplica que ecoe
Nos tempos de vidro,
Nas noites de metal,
Que nos ferem o peito.
Venho para dizer-te,
Que já não tenho endereço,
Que já não tenho idade,
Que este já não é o corpo
Onde tantas vezes te escondias.

de Paulo Eduardo Campos
in "Na serenidade dos rios que enlouquecem"
Ed. Amores Perfeitos, 2005

Sadness by ~joiM
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(obrigado Paulo pelas tuas palavras de apreço, são e-mails como o teu que me dão alento para continuar com este projecto em defesa da poesia em português. Quanto ao teu desabafo... olha... o meu forte abraço e acredita que um dia há-de ser dado mais reconhecimento ao trabalho dos poetas portugueses, tanto por parte das editoras como por parte do publico em geral. Até lá, obrigado por partilhares comigo estas trincheiras do combate pela defesa da poesia!)

Publicado por D_Quixote em maio 5, 2008 12:14 AM
Comentários

A cada dia que passa perdemos um bocadinho de nós mesmos. Nostalgia...

Afixado por: Ana em maio 6, 2008 11:39 AM

Sim... nesta suave forma de sofrer e de escrever.
Eu também gostei muito deste texto...

Afixado por: Nuno Peixoto Branco em junho 4, 2008 07:49 PM
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