Quero abraçar o mar enfurecido
Num último sopro abraço sereno
Num último choro de adeus sofrido
Deste nosso amargo mundo terreno
Deixar-me cair absorto e ameno
Como morto cai o fruto caído
Ou se ceifa já seco o seco feno
Com a foice do tempo em vão perdido
E desossar este corpo cansado
De tanto viver longe de tudo
Mais velho que o tempo ou do que a idade
Pois dói-me tanto este corpo prostrado
Neste sofrer de bramido mudo
Em que aquilo que mais dói é saudade
de João Natal

Drowning Man by ~Janoosh
copyright of the photographer
Nas vagas do mar que te cobrem o teu corpo, o tempo parará, o mar ficará silencioso e tu saberás porquê. As forças que te derrubam nunca serão mais fortes que a força com que te vais erguer. O mundo retrai-se e tu regressas.
Afixado por: Sofia em junho 26, 2008 02:43 AMAs vagas do tempo avassalam-nos como as marés fortes dos equinócios. Mas não são elas que nos fazem naufragar. Há sempre uma praia, de areias quentes e douradas, onde o nosso corpo pode repousar.
Afixado por: vera lucia em novembro 10, 2008 07:24 PM