setembro 14, 2009

poeticamente

Alongo o meu dia cansado
entendo o sabor de automatismos –
leio poemas, atento categorias, compreendo...
os poetas que nunca souberam o meu nome
não o irão agora saber, pois adiantei-me no meu passo –
pequeno bem sei – eu escrevi [poema] em vez de poeta,
porque para poeta...que descrição teria eu? e o que a tornaria válida?
mais válida?
parâmetros (subjectivos), apontamentos (intuitivos), deduções
ilações conscientes demais para dizer a realidade do [poeta]
sentimentos, sofrimentos, momentos do poeta, quando poeticamente
escreve, quando poeticamente lê, quando poeticamente sintetiza
uma réstia da própria capacidade para homologar sonhos
no seu performance de ser mais [poeta] de que o próprio [poema].
[poema] o último que poeticamente li, ocultava o poder
de me derramar sobre o próprio poema
[poema] [poema] quantos o dizem desconhecendo
que quando o proferem ferem a sua tonalidade e o amassam
no não-prodígio de qualqer tipo de essência humana –
também ela essência do [poema], também ela a vertigem poética
do dizer mais silêncio do não-ter-que-dizer [poema] mais alto
para simplesmente começar por poe...e continuar e suspender
um – ma pela volta à corrida de todo o abecedário já tão finalizado
por todas as letras que o sabem preencher.
- mais poe-ma do que matéria poética aglomerada em capítulos
codificados por numerações (vivam os números)
o meu [poe-ma] extraviou-se do mundo e entre as duas sílabas
que o vão compondo incessantemente com um travessão,
estará a continuidade de todo o conteúdo reajustado
entre duas consciências poéticas.

de Patrícia Santos

Poetry of the body by ~KimberlyAnn
copyright of the photographers

(questões complexas na forma poetica... obrigado Patricia pelo teu contributo tão profundo, ficarei à espera de mais...)

Publicado por D_Quixote em setembro 14, 2009 09:20 PM
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